sábado, 31 de janeiro de 2009

SALOMÃO PEDE SABEDORIA...

SALOMÃO PEDE SABEDORIA...
http://sabedoriaverdadeira.blogspot.com/2009/01/salomao-pede-sabedoria.html

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

UMA FILOSOFIA CRISTÃ DA EDUCAÇÃO - Dr. Gordon Clark

MAIORES INFORMAÇÕES CLIQUE AQUI:
UMA FILOSOFIA CRISTÃ DA EDUCAÇÃO - Dr. Gordon Clark
http://www.monergismo.com/textos/educacao/filosofia-crista-educacao-clark.pdf

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

DROGAS...VOCÊ ESTÁ PREPARADO(A) PARA ENFRENTÁ-LA?!?

As drogas constituem um crescente desafio. No nosso dia-a-dia, desde um simples xarope que contém codeína, passando pelo chá (teína) e pelo cigarro (nicotina) até a morfina usada em anestésicos, tudo são DROGAS.

Maconha, haxixe, ópio, LSD, cocaína e o nosso conhecido ÁLCOOL viciam diariamente centenas de jovens, muitos deles bem próximos a você.

NÃO FIQUE INDIFERENTE A ESTE PROBLEMA. LEIA COM CARINHO E ATENÇÃO. COPIE E DIVULGUE-O. VOCË PODE SALVAR SEU SEMELHANTE. DEUS LHE DARÁ EM DOBRO.

I — O TRAFICANTE

Em 95% dos casos, o início dos jovens na droga é feita por amigos, namorados, colegas. Após induzir o jovem ao vício, mediante a OFERTA GRATUITA das primeiras doses, o traficante (às vezes só um mero "passador", intermediário) ensina ao viciado as gírias, os "macetes", os contatos, os pontos de venda. Às vezes, o viciado, por precisar cada vez mais de dinheiro para financiar seu consumo crescente, começa a comprar quantidades maiores para revenda. Assim, ele vai aliciar facilmente seus amigos, formando sua clientela. O consumo vai aumentando, dificultando também a ação dos pais e da polícia, pois qualquer bailinho, reunião, festinhas no clube, na escola, em residências, etc., podem ser "pontos de revenda".

Como se vê, a repressão é difícil, tornando-se indispensável a fiscalização e a participação de todos nessa tarefa. Veja com quem o seu filho anda e quais os lugares que freqüenta. Isso pode evitar muitos dissabores futuros.



II — A IDADE PERIGOSA

Com a adolescência, geralmente, o jovem tem sua visão de mundo alterada. Os valores deles são outros, contestam as leis, os poderes constituídos: o pai, a mãe, a Igreja, a família, a Pátria, as gerações mais velhas.

O adolescente se afasta do lar, procurando o convívio de jovens de sua idade. É um momento em que o jovem se torna vulnerável. Por isso, se o adolescente começa a ficar arredio, "desligado" demais, impaciente e sem disposição para o diálogo, algo vai mal.

Quando a isso se alia uma queda no desempenho escolar, as drogas podem estar por perto. Use de toda sua paciência e amor, mas de energia, para persuadi-lo dos EXTREMOS PREJUÍZOS QUE A DROGA PODE TRAZER.

III — MOTIVOS QUE LEVAM AO VICIO

a) curiosidade;
b) influência dos amigos;
c) prazer imediato que produzem;
d) fácil acesso e obtenção;
e) ilusão que elas resolverão todos os problemas;
f) mau relacionamento com os pais, e
g) falta de perspectivas.

A curiosidade, a busca do prazer, a atração do "barato" e o modismo são as causas principais para a primeira experiência. Eles vêem a "VIAGEM" como uma experiência agradável e positiva. Mas, sabemos, elas apenas ESCONDEM os problemas por um momento breve. Elas anestesiam, disfarçam as sensações desagradáveis. O consumo pode trazer graves conseqüências físicas e psicológicas ao ser humano. Ao se ver num estado depressivo, o viciado procura novamente o PRAZER ILUSÓRIO da droga e, assim, o vício prossegue indefinidamente.

IV — COMO A DROGA AGE

Drogas são substâncias naturais ou sintéticas que, ao penetrarem no organismo sob qualquer forma (oral, subcutânea, inaladas, etc.), vão para a corrente sangüínea Ao chegarem ao sistema nervoso central, alteram o equilíbrio, fazendo a pessoa sentir-se "diferente". Normalmente, o ser humano usa drogas como remédios, anestésicos, analgésicos, etc. Todavia, algumas delas fazem com que o paciente crie dependência, necessidade incontrolável de continuar consumindo a substância, mesmo sabendo dos efeitos nocivos que apresentam.

O certo é que o uso prolongado da droga faz com que seu consumo aumente, isto é, o indivíduo irá precisando cada vez mais de uma maior porção para obter o mesmo resultado. Alucinações, distúrbios físicos e mentais poderão ser ocasionados por superdosagem (OVERDOSES) que, geralmente, levam ao coma e à morte.
Conforme o efeito, as drogas podem ser SEDATIVAS, ANALGÉSICAS, NARCÓTICAS, ESTIMULANTES, ALUCINÓGENAS.

V — CARACTERISTICAS / SINTOMAS

MUDANÇA DE HUMOR E DE PERSONALIDADE, MENOR RESPONSABILIDADE.
Tristes num momento e, imediatamente, às vezes, felizes. Alternância de sentimentos anormais de pânico, ansiedade e medo. Ficam desconfiados, nervosos, dissimulados, mal humorados e pouco afetuosos. Não fazem os afazeres domésticos, chegam tarde, esquecem datas importantes e reuniões de família, deixam o quarto desarrumado.

MUDANÇA DE AMIGOS, PASSATEMPOS, INTERESSES, SOLICITAÇÃO DE MAIOR PRIVACIDADE, DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO.

Perdem o interesse pelos estudos, esportes e por outras coisas de que sempre gostaram. Mudam os hábitos, a linguagem, o corte de cabelo, o modo de se vestir, matam aulas, não fazem a lição de casa, recusam-se a discutir sobre seus amigos e atividades, ficam brigões, exploram as fraquezas dos adultos.

DETERIORAÇÃO FISICA E MENTAL.

Aumento dos sentidos do tato, paladar ou olfato, aumento do apetite, raciocínio ilógico e incoerente, perda de peso. Parecem doentes e cansados, sintomas de resfriado crônico, olhos vermelhos, nariz escorrendo, dores de cabeça, manchas roxas, sangramento das gengivas, fraqueza muscular, tremor nas mãos.

ODORES E OBJETOS ESTRANHOS.

Algumas vezes, costumam deixar sinais à volta e em seus quartos, tais como: cheiros estranhos, desodorantes para encobrir o cheiro da droga, incenso, cachimbos, papéis para enrolar "baseados", etc.

VI — EVITANDO AS DROGAS

1) Aprenda tudo o que puder sobre o assunto, pois assim você tomará consciência dos males que as drogas podem trazer. Quando elas não matam, arruinam a vida da pessoa, prejudicam-na na escola, nos relacionamentos, inclusive sexuais, tomando-a doente física, moral e psicologicamente.

2) Procure resistir à influência negativa dos "amigos" e colegas, trocando o círculo de amizades, praticando esportes, envolvendo-se em atividades moralmente elevadas, beneficentes, religiosas, filantrópicas, etc.

3) Dialogue aberta e francamente com os pais, com os mais velhos, com amigos mais esclarecidos, professores.

4) Imponha a você mesmo regras e limites claros quanto ao uso de álcool, do fumo, etc.

A MELHOR FORMA DE EVITAR ABORRECIMENTOS, É EVITAR A PRIMEIRA DOSE, O PRIMEIRO COPO, A PRIMEIRA TRAGADA. Você não sabe o seu grau de dependência e as conseqüências.

Aqui vão esclarecimentos sobre os tipos de drogas mais importantes.

COCAINA

E um pó químico, de cor branca, derivado das folhas secas da COCA, planta da América do Sul.

É consumida sob a forma de pó, que é aspirado, mas pode também ser fumada ou injetada no sangue.

Pode causar a morte por ataque cardíaco, crise respiratória ou convulsões. Causa a impressão de ânimo, excitação, extroversão, pois afeta o sistema nervoso central. Após sobrevêm os sintomas desagradáveis de depressão, ansiedade, alucinações, desconfiança.

Provoca rápida dependência, um "rombo" nas finanças devido ao seu alto custo, podendo levar as pessoas a atividades ilegais. Destrói a mucosa interna do nariz, causando muitas dores, escorrimento e hemorragias nasais.

ÁLCOOL

O álcool é a droga mais difundida atualmente. É depressivo do sistema nervoso e não estimulante, como muitos supõem. A maior parte dos alcoólatras começam a beber na adolescência. Seu uso prolongado torna a pessoa repulsiva, com mau hálito, olhos injetados, fala difícil. Perdem-se os valores morais, os hábitos de higiene. a memória e o juízo ficam afetados, o indivíduo indispõe com os familiares, com amigos. com o patrão. com a sociedade, o que o leva a perder o emprego, os amigos e, freqüentemente, a família, além de correr sério risco de começar a sofrer das faculdades mentais, dos nervos, do fígado, pâncreas, estômago, etc.

O alcoolismo leva à cirrose, à intoxicação, à morte, à invalidez, à impotência, a acidentes graves. Sua cura é bastante difícil. Mesmo curado, o ex-alcoólatra é um viciado em potencial.

SOLVENTES E AEROSSÓIS

Os assim chamados inalantes são substâncias voláteis, vendidas legalmente e utilizadas indevidamente como drogas, ao serem inaladas. Tais substâncias são encontradas em produtos de uso doméstico e industrial como aerosol, gasolina, cola de sapateiro, solvente de pintura, tintas, éter, clorofórmio, laquê, esmalte de unhas, etc.

Os inalantes interferem diretamente na respiração, podendo chegar a causar asfixia e morte súbita por parada cardíaca, ao privar o cérebro de oxigênio.

Usar inalantes pode causar uma sensação de estrangulamento, tomar irregulares os batimentos cardíacos, causar danos à visão e lesão às células do fígado e à capacidade de pensar com clareza.

A pessoa que utiliza inalantes pode vir a ter comportamento violento, causado por distúrbios orgânicos e alucinações que podem surgir. Os inalantes são as drogas mais danosas ao ser humano. Seu uso prolongado causa lesões cerebrais irreversíveis.

MACONHA

Ao contrário do que é difundido, a maconha não é inofensiva ao organismo, trazendo conseqüências danosas para o corpo e para a mente. Ela vem da planta ‘cannabis sativa" e sua fumaça contém mais elementos cancerígenos que a do tabaco, sendo atualmente 20 vezes mais forte que a usada nos anos 60. A sua resina mais concentrada é o HAXIXE. Pode ser fumada, comida, mascada ou aspirada.

A maconha reduz o tempo de reação dos reflexos, torna a pessoa distraída e esquecida, confunde a noção de tempo, dificulta o pensamento e a concentração, distorce as percepções e a realidade. O individuo apresenta dificuldade no aprendizado e queda de rendimento no trabalho. Os usuários sentem falta de motivação, fadiga e apatia, perdendo o interesse pela escola, pelo trabalho, por exercícios físicos, pela família e pelos amigos. A maconha reduz o impulso sexual e causa prejuízo às funções reprodutoras. Pode desenvolver tolerância e levar ao uso de drogas mais pesadas.

Para maiores esclarecimentos sobre o assunto, consultar as obras:

"SALVE QUEM VOCE PUDER" e "AMOR DROGA AMOR", do autor, Presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI), Capitão PAGAMISSE.

http://www.pilb.t5.com.br/drogas.htm

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

EDUCAÇÃO REFORMADA: ENSINADA OU APRENDIDA? por Dr. James W. Beeke

Assunto: O cristão e a educação cristã Reformada: aprendida ou ensinada?

Duração: 77 minutos.

Tamanho do arquivo: 8,81 MB

Ouça on-line ou faça o download:

Educação Reformada: Ensinada ou Aprendida? (versão em MP3 indisponível; adquira o CD!)

Dr. James W. Beeke, irmão do Dr. Joel Beeke, é Professor de Teologia Pastoral em Catecismos e Doutrinação. Ele é Mestre em Administração Educacional pela Western Michigan University, Kalamazoo, Michigan, bem como Bacharel de Artes em Educação pela mesma Universidade. Ele é atualmente Inspetor e Diretor das Escolas Independentes para o Ministério da Educação, na Columbia Britânica, Canadá.

EDUCAÇÃO REFORMADA: BASE E PROPÓSITO - por Dr. James W. Beeke

Assunto: A base e o propósito da Educação Cristã Reformada: glória a Deus.

Dr. James W. Beeke, irmão do Dr. Joel Beeke, é Professor de Teologia Pastoral em Catecismos e Doutrinação. Ele é Mestre em Administração Educacional pela Western Michigan University, Kalamazoo, Michigan, bem como Bacharel de Artes em Educação pela mesma Universidade. Ele é atualmente Inspetor e Diretor das Escolas Independentes para o Ministério da Educação, na Columbia Britânica, Canadá.

Duração: 58 minutos.

Tamanho do arquivo: 6,64 MB

OUÇA ON-LINE OU FAÇA O DOWNLOAD

Educação Reformada: Base e Propósito (versão em MP3 indisponível; adquira o CD!)

http://www.monergismo.com/

UMA GERAÇÃO CANDIDATA A OBJETO SEXUAL

FOTO: Matéria sobre a Exploração sexual de crianças e adolescentes na Praia de Iracema - Fortaleza CE Brasil no link: www.fafjr.blogspot.com/

Extraído do "Washington Post" - Por Patricia Dalton* - Psicóloga em Boston - Estados Unidos

Minha filha de 23 anos disse: "Vocês não vão acreditar como a Victoria's Secret está estranha: toda em vermelho e preto, com um monte de manequins que parecem estrelas pornô." Alguns vendedores ficaram tão ofendidos com a vitrine que ameaçaram boicotar a loja; outros somente torceram o nariz. Tenho escutado variações sobre esse mesmo tema cada vez mais freqüentemente no meu escritório. As mães se dizem incomodadas com as roupas ousadas que suas filhas adolescentes e pré-adolescentes estão usando, dentro e fora de casa. Na verdade, conflitos sobre a vestimenta é o que os leva a ir para a terapia familiar. As próprias filhas podem ser imperiosas ou mal-humoradas, mas quase todas empregam a desculpa de que "todo mundo faz isso". E realmente uma grande quantidade de meninas está fazendo isso. Antes, as mulheres reclamavam de serem reduzidas a objetos sexuais.

Hoje, suas filhas estão se candidatando a ser objetos sexuais. E apesar de os pais demonstrarem desaprovação, normalmente eles não conseguem tomar nenhuma atitude. Com isso, eles colocam inadvertidamente as mulheres em risco ao permitir que pulem a "meninice". Quando uma filha sai dessa fase diretamente para a fase mulher, ela está interpretando um papel em vez de aprender gradualmente a viver sua própria vida. Essas meninas podem parecer completas, mas não são. Muitas vezes, há uma menina perdida ali. Quem defende estilos provocativos de se vestir pegou carona na mensagem liberal dos anos 60 e a levou um pouco além. Eles vêem quem demonstra não gostar do sexualmente explícito como repressores e antiquados. Uma jovem mulher me disse: "É quase politicamente incorreto dizer que algo é inapropriado." Uma das visões mais irritantes hoje em dia é a de garotas com biquínis pequenos na piscina, ou andando por aí com calças de cintura baixa e tops, ou de salto e vestidos provocativos, às vezes completas com maquiagem e jóias. E isso não acontece só nos recitais de dança. Pode ser visto diariamente.

O tempo passou, hein? As Lennon Sisters e Gidget - grupos adolescentes americanos dos anos 60 - da nossa meninice estão a anos-luz das atuais Britney Spears e Lindsay Lohan, dois atuais ícones femininos da música e do cinema. A ponte entre essas duas gerações de estrelas foi Madonna - antes de ela ter filhos e dar um jeito nas suas apresentações. Em algum momento das décadas passadas, enquanto nós, adultos, não estávamos olhando, a classe sumiu e a vulgaridade assumiu. Volte algumas décadas atrás (se você tem idade o suficiente) até o surgimento da pílula, o primeiro método confiável de controle de natalidade. O que testemunhamos hoje em dia é o desmoronamento da subseqüente revolução sexual. Foi-se o medo da gravidez indesejada. Em conjunto, veio a assimilação de que problemas sexuais eram o resultado da repressão e que relaxar as restrições e a estrutura permitiria a todos viver em uma espécie de utopia sexual.

Bem, a chamada utopia está aqui e as mulheres mais velhas têm razões para ficar alarmadas com os perigos que as jovens mulheres estão trazendo para si mesmas. Essas garotas certamente são tratadas como objetos assim como em qualquer geração anterior. É um tratamento pré-liberação disfarçado de pós-liberação. "Voltem antes que seja muito tarde!", queremos alertá-la. Porque o que as espera com este comportamento não é o Príncipe Encantado. O mais provável é que se encontrem solitárias e arrependidas. Por alguma razão, no entanto, muitas mulheres adultas não conseguem seguir os instintos nos quais confiaram durante séculos para se protegerem e às filhas. Não há mais padrões comuns de vestimenta e comportamento que os pais, as escolas e a sociedade costumavam fortalecer em conjunto. Na minha faculdade, por exemplo, usávamos uniforme; a saia tinha que tocar no chão quando nos agachávamos - e os professores verificavam! Deixaram os pais sozinhos para discutir isso, da cabeça aos pés, com suas filhas adolescentes. As mães que vêm ao meu consultório muitas vezes expressam dúvida sobre seu próprio julgamento, sem saber onde colocar limite quando suas filhas se vestem de forma provocativa. Enquanto isso, as meninas admitem abertamente que apenas reproduzem o que vêem na mídia. Uma jovem me disse que adorava o seriado da televisão Sex and the City, mas sabia que ele "contribuía" para o problema. Outro seriado, Desperate Housewives, também.

Quando vejo crianças vestidas como "vamps", lembro das palavras da escritora Marie Winn no seu livro de 1981, Children Without Childhood (Crianças sem Infância): "A idade da proteção acabou". Ela descreveu a pesquisa do especialista austríaco em comportamento animal Konrad Lorenz sobre o que ele chamou de características neotênicas nos jovens de várias espécies e o objetivo a que servem. Nas crianças, essas características englobam cabeças e olhos desproporcionais e proporções corporais pequenas e arredondadas. Lorenz supõe, por hipótese, que essas características funcionam como "mecanismos de liberação" internos. Elas provocam ou nutrem respostas protetoras dos adultos. Os pais - às vezes, sem perceber - colocam suas filhas em risco quando camuflam essas características ao permitir que se vistam como adultos. Esse tipo de vestimenta leva a criança a imitar comportamentos da mulher adulta que ela ainda não entende. Isso pode causar um curto-circuito no desenvolvimento normal. Pode também encorajar crianças mais velhas e adultos a se relacionar com essas jovens como seres sexuais, às vezes, com conseqüências trágicas.

Fonte da Foto Menina e o caminhão: http://www.rainhadapaz.g1.br/projetos/musica/historia_musica/mpb/roteiro_apresentacao4.htm , foto usado no trabalho apresentado por alunos sobre o caos da prostituição infantil.


Fonte: http://sociedadeapostolado.blogspot.com/2008/05/moda-e-comportamento-entre-adolescentes.html

*

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS NA PÓS-MODERNIDADE

por Valmir Nascimento Milomem Santos

PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA ENSINAR A CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR

A Bíblia é muito clara sobre a origem e o propósito da família. Embora os evolucionista digam que ela seja “o resultado da aglomeração de indivíduos somente para se protegerem contra predadores”(1), as Sagradas Escrituras evidenciam que ela é um belo projeto divino.

Conforme escreve Esdras Costa Bentho, “Deus é quem decidiu criar a família. Esta foi formulada para ser um centro de comunhão e cooperação entre os cônjuges. Um núcleo por meio do qual as bênçãos fluiriam e se espalhariam sobre a terra (Gn. 1.28). Não era parte do projeto célico que o homem vivesse só, sem ninguém ao seu lado para compartilhar tudo o que era e tudo que recebeu da parte de Deus”.(2)

Por esse motivo, oportuna é a definição dada pelo Pr. Silvio Limeira de que a “família é a célula mater da sociedade”; a célula básica de toda civilização; o núcleo afetivo central de onde provém toda estrutura dos demais relacionamentos sociais. Ela é, sobretudo, uma entidade sagrada. Aliás, a única instituição que é ao mesmo tempo secular e sagrada (3). Uma família não cristã ou ateísta não é “menos família” do que um lar cristão. Contudo, é claro, o lar cristão é distinto do lar dos não-crentes: “A maldição do Senhor habita na casa do perverso, porém, a morada do justo ele abençoa” (Pv. 3.33).

“O lar cristão é a expressão mais básica do corpo de Cristo e, portanto, é uma instituição civil, arraigada na criação, e uma instituição sagrada, arraigada na redenção” Michael Horton.

Em sendo, portanto, a família a célula mater da sociedade, é imperioso admitir que quando ela vai mal, toda sociedade também irá. E, infelizmente, essa é a realidade nua e crua que a humanidade tem experimentado nessas últimas décadas: o declínio da família. Numerosos fatos comprovam essa prognóstico sombrio. Quase não há necessidade de citar estatísticas. Nesses últimos quarenta anos, desfilam continuamente diante de nós os sinais do colapso da família: divórcio, revolução sexual, aborto, esterilização, delinqüência, infidelidade, homossexualidade, feminismo radical, movimento dos “direitos das crianças”, ao lado da banalização dos lares de pais solteiros, do declínio da família nuclear e de outros sinais semelhantes. Assistimos ao entrelaçamento de uma intrincada corda que acabará por estrangular a família até a morte. (4)

Jornais e revistas diariamente nos deixam a par de crimes bárbaros envolvendo pais e filhos. Situações em que mães abandonam recém nascidos em caixas de sapato ou leitos dos rios. Pais que enforcam filhos, e filhos que maquinam contra seu genitores (lembremos do caso Richtofen). Acontecimentos aviltantes que deixam o público desconcertado. Descalabros que demonstram que verdadeiramente as famílias estão em conflitos internos. Mas não se tratam de briguinhas envolvendo discussões, debates e choros. Mais do que isso, são verdadeiras guerras travadas entre quatro paredes capazes de acabar com a vida e sonho de muitas pessoas. Batalhas evidenciadas dentro de lares que deixam marcas de terror na vida dos envolvidos.

Nas palavras de Cristo os conflitos familiares seriam um dos sinais da sua vinda: “Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão”( Mc 13:12).

À toda evidência, os valores propagados nesse inicio de século XXI romperam com tudo o que dantes havia sido registrado pelas linhas históricas da humanidade. A propagação distorcida da liberdade e a implantação cada vez mais acelerada da individualidade e autonomia dos indivíduos provocou no ambiente familiar um egocentrismo sem precedentes, resultando, portanto, no distanciamento afetivo entre os familiares.

Teoricamente, o período em que vivemos é chamado de pós-moderno, cujas características são:

Hedonismo - o prazer acima de tudo;
Relativismo - a verdade e a moral são relativas;
Pluralismo - tolerância a qualquer custo;
Pragmatismo - os fins justificam os meios;
Secularismo – Rejeição da religiosidade e da atuação da igreja na sociedade;
Liberalismo – liberdade sem limites;
Antropocentrismo - o homem, e não Deus, é o centro de todas as coisas.

Voddie Baucham Jr. escreve que “não há nenhuma dúvida de que a cultura contemporânea está em crise precipitando-se rumo à destruição. Questões que antes eram consideradas assuntos definidos agora vêm à tona. Há cem anos, seria dificil prever um debate genuíno sobre a natureza e a definição do casamento, a moralidade de matar-se uma criança em meio a um processo de parto, ou se um homem é “religioso de mais” para desempenhar uma cargo no serviço público. No entanto, estas questões não somente estão sendo debatidas, mas também praticadas. O casamento entre homossexuais está tendo lugar, o aborto é um procedimento comum, e o candidatos na política regularmente sujeitam as suas convicções religiosas ao comando daqueles que os manipulam” (5).

Assim, dentro desse cenário, a educação dos filhos segundo preceitos bíblicos apresenta-se não somente como uma necessidade, mas também com um enorme desafio aos pais; principalmente se consideramos que várias teorias apresentam-se hoje sobre como melhor educar nossos filhos. Vejamos.

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS NO TEMPO PRESENTE

Nos últimos tempos várias vozes tem se apresentado a fim de ensinar os pais sobre como educar seu filhos. Após o mercado editorial perceber que o tema deveria ser explorado em razão da demanda composta por pais apavorados em busca de receitas infalíveis para educação infantil familiar, uma boa quantidade de livros escritos por supostos especialistas no assunto foram lançados.

Para se ter uma idéia, já em 1997 matéria da Revista Veja revelava que os escritores da auto-ajuda haviam direcionado seus escritos para a área da educação infantil. “Depois de querer ensinar a vocês como ganhar dinheiro, fazer amigos, ficar magro, segurar o casamento, os escritores do gênero resolveram dar lições sobre como educar a criançada” (6), é o que dizia o início da matéria. A reportagem enfatizava ainda que tais obras vendem feito “pão quente porque, em geral, são escritas de olho num alvo fácil: a insegurança dos pais, que já não sabem mais o que fazer pelos filhos”. Afinal, eles trabalham fora, ficam pouco tempo em casa, carregam consigo um tremendo sentimento de culpa. Alguns tentam compensar a ausência entupindo os filhos de atividades, como natação, judô e aula de inglês. Outros buscam apoio na terapia, que custa dois ou três livros de auto-ajuda por semana e tem resultados demorados. Uma terceira leva cai na auto-ajuda.



De fato, depois de meados da década passada obras literárias direcionadas para a educação dos filhos tem crescido assustadoramente. Algumas, voltadas para a auto-ajuda, outras para técnicas psicológicas ou psico-pediátricas; sempre em tom pragmático, com dicas, receitas e planos sobre como a criança deve crescer e ter independência financeira, autonomia, segurança e sucesso na vida futura.

Nesse contexto, pais inseguros recorrem a esse tipo de expediente a fim de tentarem auxiliá-los na criação da prole. Muitos, inclusive, cristãos, que, em momento de desespero partem em busca de dicas ideais para a condução familiar. Obviamente que alguns desses livros tem muito a contribuir com os pais, porém, na grande maioria não passam de trabalhos improdutivos que nada têm a oferecer, cujos ensinamentos se resumem a receitas mal formuladas.

Não há duvidas de que a busca sobre como instruir as crianças seja legítima, afinal a primeira lição que os pais aprendem assim que as crianças nascem, é que filhos não vêm como manual. Mas, de qualquer forma, todos nós temos à disposição o Manual da Vida; aquele que é capaz de instruir o homem em todos os aspectos da sua vivência, da vida à morte: a Bíblia. isso porque “Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído em toda boa obra”. (II Tm. 3.16).

A única forma de salvar e resgatar as famílias que hoje estão em franca degeneralização é voltando às raízes da Palavra de Deus. A transformação do lar, e o relacionamento sadio entre pais e filhos somente é possível a partir da renovação proporcionada pela verdade da Escrituras.

PRINCÍPIOS BÍBLICOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL FAMILIAR

Obviamente que não consta na Bíblia, apesar da sua completude, todas as indicações pormenorizadas dos cuidados que os pais precisam ter com os filhos, com apontamentos específicos e detalhados que vão da infância até o período adulto; entretanto, ela apresenta princípios gerais que devem nortear a vida em família e a conduta dos pais perante seus filhos. Princípios são fundamentos que dão direcionamento às nossas vidas. São diretrizes nucleares capazes de indicar o caminho pelo qual devemos percorrer. Dicas são passageiras, mas princípios são imutáveis.

“O que precisamos é retornar aos princípios bíblicos para a educação de nossos filhos. Os pais não precisam de novos programas embalados em papel de presente de psicologia; eles precisam aplicar e obedecer a alguns poucos princípios que estão claramente expostos na Palavra de Deus para os pais” John MacArthur

Vejamos então alguns desses princípios, os quais julgamos fundamentais, sem prejuízo de outros que constam na Bíblia, que em virtude da falta de tempo não serão analisados aqui.

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE

Um dos terríveis males que assola a família hodierna é a tentativa dos pais em “terceirizar” a educação dos filhos, passando para outros a responsabilidade que compete somente a eles. Percebemos claramente a transferência da educação para o governo, escolas, creches, babás, avós, filhos maiores e até mesmo para a igreja. Alguns, pior ainda, jogam a responsabilidade para a “babá eletrônica”.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”. (Pv.22.6)

A busca moderna de repassar a responsabilidade para terceiros assemelha-se muito ao fato ocorrido no Éden após o episódio do pecado. Quando confrontado por Deus sobre sua desobediência Adão colocou a culpa na mulher. Eva rapidamente apontou o dedo para a serpente. Da mesma forma, no que se refere à educação dos filhos, temos hoje o pai que acusa a mãe. A mãe que acusa a escola. E a escola que culpa a igreja. É um notório jogo de empurra.

Sobre os estabelecimentos de ensino, o que percebemos é que hoje as crianças vão para a escola cada vez mais cedo, com 2 anos de idade em média. Algumas, pasmem, em menor idade ainda. Essa atitude é no mínimo irresponsável, já que queima etapas no que diz respeito à socialização da criança, colocando-a muito cedo em contato irrestrito com o ambiente externo, afinal, como explica Içami Tiba (7), os estudiosos do desenvolvimento infantil dividiram a socialização em três etapas:

Socialização elementar: até os 2 anos, quando a criança aprendia a reconhecer e a educar as necessidades fisiológicas (vontade de fazer xixi, sede, fome).

Socialização familiar: até 5 ou 6 anos, quando aprendia a conviver com o pai, a mãe, irmãos e demais membros da família.

Socialização comunitária:
a partir dos 6 anos, quando começava a vida escolar.

Com isso, o contato social acontece precocemente. Ainda sem completar a educação familiar, a criança já está na escola. O ambiente social invade o familiar não só pela escola mas também pela televisão, internet etc.

Como adverte Içami Tiba: “Esses pais cobram da escola o mau comportamento em casa: “O que vocês estão fazendo com o meu filho que ele me r espondeu mal?” Ou: “A escola não o ensinou a respeitar seus pais” Até parece que quem educa é a escola e cabe ao pai e à mãe uma posição recreativa”(8).

O escritor diz ainda que “para a escola, os alunos são apenas transeuntes psicopedagógicos. Passam por um período pedagógico e, com certeza, um dia vão embora. Mas a família não se escolhe e não há como mudar de sangue. As escolas mudam, mas os pais são eternos” (9).

É claro que cada um desses entes mencionados (escolas, creches, babás, avós e igreja) possui sua parcela de responsabilidade. Não há dúvidas disso. Porém, não passam de terceiros auxiliares, já que a responsabilidade primordial de instruir a criança no caminho em que deve andar é dos pais. Compete a eles, somente a eles, a formação moral dos seus filhos. São os genitores, e não outros, aqueles que possuem a competência do ensino das sagradas escrituras a fim de amoldarem suas personalidades em conformidade com a disciplina e admoestação do Senhor. Esse é o princípio da responsabilidade.

Como adverte John MacArthur, “… o próprio Deus deu aos pais a responsabilidade de educar os filhos – não aos professores, nem aos colegas, nem às babás, nem a ninguém que não pertença à família; portanto, é errado que os pais tentem livrar-se da sua responsabilidade ou transferir a culpa quando as coisas vão mal” (10).

MacArthur diz ainda que “os pais cristãos de nosso tempo precisam desesperadamente aceitar esse princípio simples. Ante o trono de Deus, nós seremos responsabilizados se tivermos deixado os nossos filhos sob outras influências que moldaram o seu caráter em caminhos ateus. Deus colocou em nossas mãos a responsabilidade de educar os nossos filhos na disciplina e na admoestação do Senhor, e nós prestaremos contas a ele pelo nosso cuidado para com esse maravilhoso presente. Se outros têm mais influência sobre nossos filhos do que nós, somos culpáveis e inescusáveis por isso” (11).

Pais, vocês têm tentando transferir a responsabilidade de vocês?

PRINCÍPIO DA AUTORIDADE

O esvaziamento do poder das autoridades devidamente constituídas é uma das claras características desses tempos pós-moderno. O que se vê são professores reféns de alunos; pastores com medo das ovelhas e pais subordinados aos seus próprios filhos. Crise de autoridade, esse é o nome. Até mesmo a Bíblia, que em dias passados exercia supremacia e influencia perante a sociedade, hoje já não é aceita como autoridade – senão religiosa, e olha lá. Ainda, o próprio Estado tem tido a sua interferência na vida dos cidadãos restringida, imperando-se o pensamento de que cada pessoa é responsável pelo sua própria vida, sem que ninguém precise dizer o que ela pode ou não fazer, sempre a pretexto da liberdade.

“VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra”. (Ef. 6.1-3)


De toda sorte, o apóstolo Paulo já havia “pintado” o cenário atual, denominado-o de tempos trabalhosos, afirmando que nos últimos dias haveriam homens desobedientes a pais e mães (2Tm. 3.2). É claro que a desobediência existe desde a primeira família; mas o que o apóstolo dos gentios pretendia dizer com isso, inspirado pelo Espírito Santo, é que a desobediência contra pais e mães seria uma característica predominante desse período, onde a rebeldia, o desrespeito e a insubordinação generalizada contra os pais seriam condutas normais dentro do cotidiano social. É o que constatamos.



Segundo a Bíblia, o pai é a legitima autoridade do lar. Ele é o cabeça da família. Aquele que detém a autoridade. Esse princípio deve ser entendido, praticado e defendido. Não se concebe que filhos se rebelem contra seu genitores, e isso seja considerado como uma prática normal.

Por outro lado, não se confunde autoridade com autoritarismo. Autoridade é legitima, o autoritarismo não. Este é o exercício ditatorial do poder dentro de casa, fazendo com que os filhos cresçam não com respeito, mas com medo de seus pais, pois tudo quanto fazem ou dizem são rapidamente censurados, corrigidos e castigados. A truculência, a tirania, e a imposição não fazem parte da verdadeira autoridade, afinal ao invés de contribuir para o crescimento e o fortalecimento da família, promove o distanciamento dos seus entes, os quais partem em busca do seu próprio espaço.

PRINCÍPIO DO ESTABELECIMENTO DOS LIMITES

Atender as necessidades dos filhos é obrigação dos pais. Porém, faz-se preciso distinguir entre o que é necessidade do que é apenas consumismo caprichoso. Assim, estabelecer limites para os filhos é necessário e saudável. Como escreveu alguém: “Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer. Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa. Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na importância de aprender a difícil arte de dizer não. Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.(12)

“Não remova os antigos limites que teus pais fizeram” (PV. 22.28).

PRINCÍPIO DA INFLUÊNCIA

Pela maneira como a família moderna caminha a impressão que temos é que os pais estão em desvantagem no que se refere à influência sobre seus filhos. Aparentemente, eles são mais influenciados pelos amigos e pela mídia (internet, cinema, televisão, astros etc), do que por seus próprios pais. E o problema é que grande parte dessa influência é negativa. A batalha parecer ter sido perdida. Mas, a Bíblia estabelece que a maior influência deveria partir dos pais. Eles são (ou deveriam ser) os mentores afetivos e morais dos filhos, de forma a incutir neles, por meio de testemunho pessoal e ensino constante, a vivência segundo os padrões bíblicos (Pv. 1.8).

“Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt. 6.6,7)

PRINCÍPIO DA FORMAÇÃO ESPIRITUAL

Os pais cristãos são responsáveis por fazer de seus filhos verdadeiros discípulos de Cristo. Instruí-los desde cedo sobre a leitura da Bíblia, oração, adoração e a participarem dos trabalhos da igreja, a fim de desenvolverem uma espiritualidade sadia e fortalecida, onde possam dizer: “Eu e minha servimos ao Senhor” ((Js. 24.1b).

Ore com (e por) eles;
Leiam a Bíblia juntos;
Louve juntamente com eles;
Vá para Igreja com eles;
Enfatize o valor e importância da Escola Dominical;
Ensine-lhes a santidade de Deus;
Explique sobre o pecado e as suas conseqüências;
Ensine sobre o arrependimento e o perdão;
Fale sobre a obra de Cristo;
Explique sobre seguir e confiar em Cristo.

Deus abençoe a tua família!

O presente ensaio foi usado como texto base em palestra ministrada em Cuiabá/MT

Notas
1) Revista Veja, número 2091, 17 de dezembro de 2008
2) BENTHO, Esdras Costa: A família no Antigo Testamento – História e sociologia. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 24.
3) HORTON, Michael Scott: O cristão e a cultura. [tradução Elizabeth Stowell Charles Gomes]. 2 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 36.
4) MACARTHUR JR., John: Como educar seus filhos segundo a Bíblia. 2 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007, p. 15
5) BAUCHAM JR, Voddie. In A Supremacia de Cristo em um mundo pós-moderno. Rio de Janeiro: CPAD, p. 53
6) Disponível em http://veja.abril.com.br/081097/p_084.html
7) TIBA, Içami. Quem ama, educa!. São Paulo: Editora Gente, 2002, p. 180.

Fonte:
http://comoviveremos.com/2008/12/21/a-educacao-dos-filhos-na-pos-modernidade/

domingo, 11 de janeiro de 2009

GRAMÁTICA - Dr. R. J. Rushdoony


O idioma e a gramática são expressões da história de um povo, de sua cultura e religião. Com freqüência ouvimos que a gramática é um tema artificial, e que está sujeita a mudanças e evoluções, enquanto os críticos da nova gramática são acusados de crer que nossa gramática tradicional é, de alguma maneira, uma revelação especial de Deus. Não é necessário (nem sensato) crer que a gramática é revelada por Deus com o objetivo de negar o relativismo radical da nova gramática. A gramática e o idioma são, de fato, relativos a uma cultura, porém, algum grau de relativismo não torna necessário (nem sensato) um relativismo radical. Nem o homem nem seu mundo são absolutos; eles são criação de Deus, de maneira que se relacionam, em primeiro lugar, com Deus, e, em segundo lugar, com o resto da Criação. Existe um grau de relatividade em toda a criação. Aquele que busca um absolutismo neste mundo ao afirmar um relativismo radical não passa de um humanista; ao reduzir todas as coisas em volta do homem e ao sujeitar o mundo do homem ao fluxo e à mudança, ele isola o homem como seu novo absoluto. O fato de que o idioma e a gramática são relativos à fé e história de um povo não significa que não exista um elemento de valor e verdade neles. Pelo contrário, necessitamos dizer que o idioma e a gramática de um povo são um produto de sua história e crença. De modo que o tipo de religião que um povo possui afetará com o tempo profundamente seu idioma e gramática. Além disso, as coisas terão um significado diferente para eles em razão da fé. É porque não entendemos isto que com freqüência reinterpretamos as obras de outra cultura em termos de nosso próprio mundo de significação.

Um exemplo clássico disto é Aristóteles, que jamais entenderia o que falam os escolásticos e modernos ao expor o pensamento aristotélico. Para ele, palavras como “causa”, “substância”, “lei”, “ética”, “natureza” e assim por diante, tinham um significado radicalmente diferente.

Outro fato significativo é que o idioma e a gramática refletem o sentido de tempo de um povo, sua fé religiosa com respeito ao significado do tempo. A civilização chinesa experimentou um relativismo de uns 2.000 anos ou mais, ou, com certeza, uns 1.500 anos da antiguidade. O resultado foi um idioma que em nada se pode comparar com nossa gramática e nosso sentido de tempo. Geralmente, quanto mais desenvolvido for o sentido de tempo de um povo, mais simples será seu idioma. O mandarim e vários idiomas dos índios americanos representam uma ampla divergência quanto à herança cultural, porém ambos têm em comum uma elevada complexidade. Há uma sutileza de expressão para os nuances do momento existencial aliada a uma maneira pouco elegante de tratar com o passado e o futuro. O pensamento(e os idiomas) africanos, nos diz o filósofo africano John Mbiti, carecem de uma categoria de futuro tal como a que se desenvolveu no pensamento ocidental (cristão). A consciência africana está interessada no passado, no presente e no futuro imediato, e qualquer coisa que não se ajuste a essas três categorias é um não-tempo. O conceito linear de tempo também é alheio ao pensamento africano. O tempo real é o presente e o passado. Se os eventos futuros são parte do ritmo constante, inevitável e necessário da natureza são considerados tempo potencial. De modo que o amanhã é, no geral, simplesmente aquilo que aconteceu ontem e hoje. Esta idéia de tempo também é comum a uma boa parte do mundo antigo, Ásia, e ao homem moderno tal como hoje o vemos.1

Ilustremos essa diferença quanto ao tempo citando duas declarações bastante similares com significados muito diferentes. De acordo com Plutarco, o templo de Ísis em Sais tinha esta inscrição: “Sou tudo o que chegou a ser, e o que é, e aquilo que será; e nenhum homem me levantou o véu”. Contraste isto com a declaração de nosso Senhor: “Sou o Alfa e o Ômega, princípio e fim, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap. 1:8). Ísis declara que ela mesma é o processo, o processamento do tempo e do ser. Tudo chegou a existir a partir dela e é idêntico a ela, o que é um conceito panteísta. Ela é o passado e o presente e tudo o que foi e é. Porém, não há aqui conhecimento do futuro: ele está velado e para além do conhecido. Ísis(do ponto de vista do amanhã) nem vê nem é vista. De modo que temos aqui um mundo de casualidades, não de predestinação.

Em contraste, Jesus Cristo, o Deus Todo-Poderoso, declara ser o Eterno, o criador de todas as coisas e a única fonte do significado de todas as coisas, seu Alfa e Ômega. Além disso, Ele é o ser absoluto que predestina todas as coisas e que deverá aparecer ou vir para jugá-las. Deste modo, as duas declarações “similares” são totalmente diferentes e opostas em significado. A declaração de Cristo reestruturou os idiomas e as gramáticas ocidentais, e, através da tradução da Bíblia, está reestruturando os idiomas dos povos ao redor do mundo. A tradução da Bíblia é uma tarefa árdua porque implica na reelaboração de um idioma com o objetivo de que carregue, de fato, o significado da Bíblia. Isto significa uma nova visão do mundo, de Deus, do tempo e da linguagem. Um missionário me disse certa vez que um nativo convertido que tinha porções da Bíblia na tradução de Wycliffe havia comentado: “Agora falamos uma nova língua”.

Todos os nossos idiomas ocidentais manifestam claramente as marcas da fé e da tradução da Bíblia. Eles foram se tornando cada vez mais próximos das categorias bíblicas de pensamento e significado. Nossas idéias de gramática, tempo, sintaxe e estrutura, de pensamento e significado possuem cicatrizes cristãs. Está muito claro que nosso idioma e gramática são relativos, mas relativos a uma herança da fé bíblica. A nova gramática é hostil a está fé e tradição: sua motivação é um humanismo existencialista. Qualquer compromisso com este humanismo implica numa entrega radical de muito mais do que formas de linguagem.

1 Ver Peter Berger, Brigitte Berger, Hansfried Kellner: The Homeless Mind, Modernization and Consciousness, p. 149-151. New York, N.Y.: Random House, 1973.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

Fonte: The Philosophy of the Christiam Curriculum, p. 48-50.

http://www.monergismo.com/textos/educacao/gramatica_Rushdoony.pdf

LÍNGUAS ESTRANGEIRAS - Dr. R. J. Rushdoony

Os Padrões Básicos de Ohio/EUA nos dão um resumo da filosofia humanista com referência ao estudo de língua estrangeiras:

Aprender uma língua estrangeira na escola primária contribui significativamente para o desenvolvimento dos talentos e interesses potenciais do estudante ao ampliar os conceitos da linguagem e aumentar a habilidade de comunicação. Ajuda a criar um maior apreço pela vida em outros rincões lingüísticos e culturais, dando ao estudante a possibilidade de participar mais efetivamente numa sociedade democrática moderna que mantém extensas relações políticas, econômicas e culturais com povos de muitos idiomas e culturas.1

Essa é uma boa declaração do ponto de vista humanista. O ponto central é o homem e a sociedade. Os idiomas estrangeiros se apresentam como vantajosos a partir de uma perspectiva humanista. Contudo, o estudo de idiomas estrangeiros caiu em importância há alguns anos, e a razão para isso é o desenvolvimento das formas pragmáticas e existenciais de humanismo. O humanista moderno não está interessado no humanismo grego, nem no Iluminismo; o humanismo mais recente foca na atualidade, no aqui e agora. Como resultado, mais e mais jovens simplesmente dizem: “Eu não tenho que obrigatoriamente saber um idioma estrangeiro”. E em termos práticos modernos, geralmente eles estão corretos.

Então, como justificaremos o estudo de línguas estrangeiras? Estudaremos latim porque ser tão importante no desenvolvimento do português? Então temos que dizer que o árabe e o tupi-guarani também merecem estudo, se concordarmos sobre a importância do papel histórico do latim. Estudaremos francês porque foi por muito tempo o idioma da diplomacia e dos assuntos internacionais? Foi assim também com o grego, especialmente quando esteve debaixo do domínio bizantino, por não menos que 80 anos. O alemão é o idioma da erudição, porém não tanto quanto o inglês.

O fundamento humanista que se oferece para valorizar os idiomas enfrenta muitos problemas. Primeiro: a tradição mais antiga e clássica sustentava que certos idiomas estrangeiros eram básicos para a vida da cultura. Este fundamento não é nosso.

Segundo: o humanismo recente foca somente em uma necessidade, que é de caráter contemporâneo, e busca sua justificativa apenas em termos do presente. Porém, existe um terceiro fator. O humanismo enfatiza aqueles idiomas que são mais básicos para a história do humanismo: o grego clássico, o latim, o francês, o alemão, e mais recentemente o russo, o chinês, o inglês e, para alguns, o espanhol. Todos estes idiomas compõem os esforços e os mais caros sonhos humanistas. Um laço religioso os une: a fé humanista.

Embora falando de idiomas estrangeiros, também devemos pensar de maneira religiosa. Isto significa que, em primeiro lugar, devemos dar prioridade aos idiomas bíblicos, o hebraico e grego. A educação americana colonial enfatizava estas duas línguas, e com freqüência ambas eram ensinados a crianças de cinco anos de idade. O ponto mais importante é que os Puritanos estavam educando seus filhos para a vida em uma comunidade cristã debaixo da autoridade de Deus. Eles sentiam, em conseqüência, que o conhecimento mais básico era o da Palavra de Deus, e de cada esfera da vida vista em termos da Palavra de Deus. De modo que o estudo da Escritura era algo básico para toda a educação humana. Para aqueles que tinham mais aptidões, os idiomas bíblicos eram uma necessidade.

O humanismo clássico insistia na necessidade do latim e do grego clássico. O humanismo moderno tende a ver os idiomas estrangeiros de maneira pragmática e geralmente como algo periférico. A educação cristã verá o hebraico e o grego do Novo Testamento como idiomas básicos. É digno de nota que algumas escolas cristãs secundárias estão considerando inserir este ponto.

Segundo: assim como Adão foi chamado para exercer domínio e subjugar a terra (Gn. 1:26-28), assim o homem redimido é enviado a todo o mundo com a mesma comissão debaixo da autoridade de Cristo (MT. 28:18-20). Isto requer que o cristão adquira renome e domínio em todos os âmbitos e que seja um promotor do império de Cristo, afirmando os direitos da coroa ostentados por Cristo, o Rei, em todas as áreas, contra as formas imperialistas, sejam elas nacionalistas ou internacionalistas.

Assim, não deve nos surpreender que o estudo de idiomas estrangeiros nunca foi sequer remotamente igual entre os povos não-cristãos ao que se deu na cristandade. O cristianismo fomentou o estudo dos idiomas estrangeiros por ver sua comissão como necessária para todo o mundo. De modo que interessa aos cristãos não apenas o grego e o hebraico, mas todos os idiomas estrangeiros modernos. As escolas cristãs, em geral, enfatizam o estudo de idiomas estrangeiros mais do que as escolas públicas.

Mas isto não é tudo. O trabalho de maior destaque no campo lingüístico, não comparável com a obra de nenhuma universidade ou centro de pós-graduação, se deu por conta dos Tradutores Bíblicos Wycliffe. Em nenhum outro campo os cristãos se acham mais claramente na vanguarda do que no campo da lingüística. Os cristãos são os únicos internacionalistas verdadeiros, porque seu vínculo com os demais povos se fundamenta no Criador e Redentor de todos.

Terceiro: nossa fé como cristãos é única na ênfase que põe sobre o idioma como o veículo e canal da revelação de Deus, e também porque nos fala da origem dos diversos idiomas na maldição de Babel. Ao longo dos séculos, foi atribuído a vários idiomas o papel de língua dos grandes temas internacionais, porém se deve dizer que nada operou mais pela produção de um idioma único do que a Bíblia. A Bíblia reestrutura todo idioma para o qual é traduzida, e deste modo o aproxima de todos os demais. As formas atuais dos idiomas da cristandade se devem mais a Bíblia do que a qualquer outro fator.

Os idiomas ocidentais, em seu desenvolvimento, experimentaram uma reestruturação teológica, e portanto, são diferentes de outros idiomas justamente por isto. Estes idiomas nos dão como resultado um mundo de pensamento com o qual nos vamos familiarizando: não somos totalmente estranhos para eles, como o seríamos para a língua de um povo não convertido. Toda língua expressa uma experiência e uma tradição teológica. A seu devido tempo, os eruditos cristãos produzirão notáveis estudos em lingüística, desenvolvendo precisamente este aspecto da linguagem.

1 Virignia M. Lloyd, editor: Minimum Standards for Ohio Elementary Schools, p. 45. Columbus, Ohio: Departamento de Educación Del Estado de Ohio, 1970.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

Fonte: The Philosophy of the Christiam Curriculum, p. 85-87.
http://www.monergismo.com/textos/educacao/linguas_estrangeiras_Rushdoony.pdf

A FILOSOFIA DA DISCIPLINA - Dr. R. J. Rushdoony


Antes de podermos discutir o significado de disciplina, é sumariamente necessário esclarecer que ela não deve ser confundida com castigo. Essas duas palavras necessitam de uma definição cuidadosa. Castigo provém do latim castus, puro, casto, e está relacionado com castidade. O castigo é corretivo e seu propósito envolve misericórdia. Seu significado está claramente descrito em Hebreus 12:5-11. O castigo se apresenta ali como evidência do amor e interesse do Pai por seus filhos ao corrigi-los.

Castigo sem disciplina é ineficaz. Muitos pais pensam que, ao castigar fisicamente seus filhos ou dar-lhes reprimendas intermináveis, vão discipliná-los de uma maneira efetiva. Mas a menos que alguém seja, antes de tudo, disciplinado, o castigo de nada servirá. Tudo que sobrará para ela é punição e juízo.

Disciplina é instrução e direção para um estilo de vida ordenado que chega a se tornar uma segunda natureza para a pessoa envolvida. A disciplina costumava definir-se nesses termos. Nos termos da antiga e hoje obsoleta disciplina do exército, um soldado era treinado e instruído até o ponto em que suas respostas a certas situações, ordens e problemas fossem automáticas. Era algo comum para os soldados bem treinados descrever como, em uma situação crítica, reagiram instantaneamente e fizeram todas as coisas corretas sem ter a oportunidade de refletir sobre elas. Os bons motoristas, os que são disciplinados, fazem o mesmo: em uma situação crítica reagem de forma instantânea e correta antes de se darem conta do que fizeram.

A disciplina cristã é similar. A criança é treinada sistematicamente na fé, no conhecimento da Bíblia e suas exigências, em toda área necessária de estudo, e é tão completamente imbuída nisto que chegar a ser parte de sua natureza. Ela age e raciocina nestes termos.

A disciplina cristã é uma parte necessária da santificação. É algo básico para a regeneração. O homem regenerado é o mais disciplinado, porque tem o fundamento, uma nova natureza, que está em plena harmonia com a disciplina que se requer dele. Quanto mais cresce em termos dessa disciplina, mais útil chega a ser para seu Senhor. Contudo, mesmo sem a regeneração, a disciplina cristã traz muitos benefícios.

Sabemos que em 1815 a idade média dos criminosos nos Estados Unidos era de 45 anos; demoravam-se alguns anos para que alguém, mesmo não regenerado, suprimisse a disciplina da então educação universal cristã. Por outro lado, os adultos que agora são convertidos mas que possuem um histórico de indisciplina na família e em sua vida escolar geralmente têm um obstáculo insuperável a vencer.

Um homem que apenas sabe ler e escrever, e cuja habilidade para organizar e ordenar sua vida é quase nula, chega a ser, ao converter-se, um filho redimido de Deus, porém um filho muito ineficiente. A disciplina cristã requer a cooperação da igreja, da família e da escola. A igreja é um ponto seriamente débil nesta situação. A disciplina da escola dominical geralmente é capenga, e carente de disciplina. Até mesmo os membros adultos da igreja são indisciplinados, e o que a igreja ensina é pouco para remediar a situação.

A santificação piedosa requer disciplina. Muitos pastores e igrejas preferem substituir a disciplina pelo entusiasmo, e isto agrava o problema, porque nada pode tomar o lugar da disciplina. No entusiasmo, eu sou soberano, não Deus; chego a me emocionar com algo, e respondo a isto: é uma decisão minha. Na disciplina cristã, eu sei que, devido a pertencer ao Senhor, é minha responsabilidade, privilégio e prazer fazer aquilo que Deus requer de mim. Ajo como um discípulo, não como um senhor.

É obrigação da igreja ensinar a disciplina e o discipulado. Os pais e os filhos necessitam ser instruídos sistematicamente no significado e exigências da disciplina. Hoje, em quase todas as igrejas, grande parte das crianças e dos jovens demonstram uma óbvia falta de disciplina.

A escola cristã deve animar cordialmente às igrejas para que ensinem e preguem sobre a disciplina. Há muitos textos excelentes na Escritura sobre o tema, especialmente em Deuteronômio e Provérbios. Considere Provérbios 22:6:“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Anualmente se deve enviar às igrejas listas de versículos, informações sobre a escola cristã, e uma nota sobre a necessidade de que a igreja, a família e a escola trabalhem juntas para ensinar a disciplina.

Os pais necessitam saber que não estão pagando à escola cristã para que ela assuma e resolva os problemas de educação e disciplina, mas para que ajude os pais nessa tarefa. A escola deve enviar a todos os pais declarações escritas, não somente didáticas, mas de cooperação. Os pais não gostam de ouvir sobre como devem lidar com seus próprios filhos, de modo que qualquer declaração requer tato e inteligência. Deve-se enfatizar que a disciplina requer a cooperação da igreja, da escola e da família. Cada um tem sua própria tarefa distinta e não pode infringir a tarefa do outro.

A escola, para cumprir sua própria responsabilidade com respeito à disciplina, deve ela mesma ser disciplinada. Isto também é algo que muitas vezes falta. As melhores escolas buscam continuamente crescer em sua capacidade de ensinar, em seu conhecimento das matérias, e em sua própria fé. Algumas escolas realizam reuniões anuais de mestres para trabalhar na melhoria do ensino; outras participam de conferências regionais. De uma forma ou outra a escola tem a obrigação de ser disciplinada. Escolas e professores indisciplinados não podem produzir estudantes disciplinados.

Além disso, a disciplina não é algo que se relaciona diretamente com a vida da família, da igreja ou da escola, mas sim com uma vida aos pés de Deus, aonde quer que estejamos. À luz da Escritura nos é dito que o propósito da educação hebraica é “educar a criança com o objetivo de prepará-la e equipá-la para ser um servo de Deus; é educação dos filhos para Deus.”1

A educação romana antiga, por outro lado, “não era a transmissão do conhecimento; era a transmissão da tradição.”2

Nossa disciplina é um fracasso se sua natureza essencial for a transmissão de uma tradição, presbiteriana, batista, episcopal, ou qualquer outra que se queira. Até pode ser uma boa tradição, porém o propósito da disciplina deve ser um objetivo maior: o discipulado em Cristo. Para esta disciplina, a igreja, a escola e a família têm, cada uma delas, sua contribuição distinta a fazer: preparar a criança para ser o mais competente possível na vida em cumprimento ao seu chamado aos pés de Deus.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Fonte: The Philosophy of the Christiam Curriculum, p. 121-123.
http://www.monergismo.com/textos/educacao/filosofia_disciplina_Rushdoony.pdf
1 William Barclay: Train Up a Child, Educational Ideals in the Ancient World, p. 48. Philadelphia, Pennsylvania:
Westminster Press, 1959.

2 Ibid., p. 159

O PROFESSOR COMO ESTUDANTE - R. J. Rushdoony

Os melhores professores não são os doutores; muitos doutores vêm a si mesmos como produtos acabados, sem necessidade de crescimento. Em meus próprios dias de estudante na Universidade de Berkeley, era raro um membro da faculdade que continuava seus estudos depois de se tornar professor em tempo integral. Muitos dos professores mais antigos utilizavam planos de aula preparados pela primeira vez durante os anos da Primeira Guerra Mundial, contavam as mesmas anedotas antigas e desgastadas, e estavam muito vagamente familiarizados com as pesquisas mais recentes em seu campo. Haviam deixado de ser estudantes e por isso se tornaram irrelevantes.

Poderia se argumentar que um professor de universidade ou curso necessita crescer, mas um professor de primário ou secundário não. Qual a necessidade de um professor de segundo grau se manter em dia e crescer como estudante?

A aprendizagem implica, entre outras coisas, disciplina, um desejo de aprender e comunicar. Não podemos incutir em outros o desejo de crescer se nós mesmos não o temos. A maioria dos bons mestres regozijasse no estudo. Um professor pode ensinar aos alunos como ler, porém o amor pela leitura vem, ao menos em parte, através de um mestre que tem a leitura em alta estima. Como alguém que sempre gostou de estudar História, posso recordar das grandes diferenças no ensino dessa matéria por parte de meus professores desde a escola primária até a universidade. Com alguns foi um “tédio mortal”; com outros foi uma emocionante descoberta de significado. Além disso, normalmente quanto maior é nosso domínio de uma disciplina, maior é nosso interesse por ela. No banquete anual de uma sociedade médica fiquei estupefato ao descobrir que as esposas de três médicos em minha mesa sabiam muito mais sobre esportes do que a maioria dos homens. Podiam citar estatísticas, lembrar de jogadas e fornecer currículos quase como se fossem repórteres profissionais.

Originalmente todas detestavam completamente esportes. Casando com médicos que tinham muitas emergências noturnas, se voltaram para a televisão e pouco a pouco foram se interessando por esportes, até se converterem em pessoas notavelmente informadas a respeito de várias modalidades. Na medida em que crescia seu conhecimento, seu interesse também cresceu. Da mesma forma, estas três mulheres tinham um conhecimento muito extenso das áreas de especialização médica de seus respectivos maridos e estavam interessadas nas novas idéias de seus campos profissionais.

O professor que não cresce em conhecimento de suas matérias, em sua metodologia e conteúdo, é um professor muito limitado, e seus estudantes são aprendizes “subprivilegiados”. A aprendizagem é em parte uma disciplina. Um professor indisciplinado é um fraco aprendiz e, geralmente, um fraco professor.

Quais são as características de uma pessoa indisciplinada? A pessoa indisciplinada, seja um professor, pastor, dona de casa ou homem de negócios tem, primeiro, uma grande quantidade de trabalho atrasado que nunca termina. É verdade que muitos de nós recebemos uma quantidade tão grande de trabalho que se torna impossível realizá-lo na quantidade de tempo de que dispomos, porém, com a pessoa indisciplinada, mesmo as tarefas básicas ficam por fazer.

Segundo, a pessoa indisciplinada acha suas obrigações desagradáveis porque se sente cada vez mais acossada por um triste sentimento de culpa devido a todas as obrigações não terminadas. Este sentimento de culpa conduz à ansiedade; também atrapalha o repouso, e mesmo que tire férias, o repousa lhe foge. De modo que a vida se acinzenta, e a paz se perde em razão das tarefas por concluir.

Terceiro, uma pessoa indisciplinada acha difícil iniciar uma tarefa. O tempo não é o apropriado, ou é muito pouco, ou se está muito cansado, e o trabalho se posterga. E quando inicia ocorrem todo tipo de pequenas interrupções: apontar os lápis, pegar um copo d’água, e assim por diante, supostamente para facilitar o trabalho, porém, na realidade, tudo isto serve para ir matando o tempo e deixando tudo para depois. Assim o trabalho só é feito no último minuto; ignorando as leituras necessárias, e tudo o mais.

Como podemos evitar este tipo de problema? Ou, melhor ainda, como o criamos? Nosso problema é este: deixamos por último o trabalho que menos nos agrada fazer, e então, já cansados, temos todo tipo de “boas” desculpas para não fazê-lo. A chave para uma boa disciplina de trabalho é fazer primeiro todas aquelas coisas que menos gostamos, ou que não gostamos de modo algum. Porque as faremos de cabeça fresca. Quando asterminamos, estamos livres para fazer as coisas que gostamos. Ao invés de trabalhar com um impertinente sentimento de culpa, trabalhamos em feliz liberdade.

Ademais, trabalhamos com maior eficiência, rendimento e concentração. Outro assunto que precisamos tratar é a comunicação. Em todo ensino, nos comunicamos com nossos estudantes. Um dos perigos de ser mestre ou pregador é que sempre estamos falando. Falar pode ser uma barreira para a aprendizagem e a comunicação, ou o médio mais
importante para elas. Podemos encher nosso discurso com todo tipo de informação que não vem ao caso e passar por cima do fundamental.

Outros tratam de demonstrar seu raciocínio com tantos textos prova e argumentos que ao fim já esquecemos o que era mesmo que se estava querendo provar!

Nosso ensino deve estar bem organizado e sistematizado; se nós mesmos não temos a inclinação por ordenar nosso pensamento, nosso ensino também não o terá. De modo que o verdadeiro professor está sempre disciplinando a si mesmo com vistas a transmitir uma aprendizagem disciplinada a seus alunos.

O professor como estudante é, antes de tudo, um estudante da palavra de Deus. Ser estudante significa avançar e crescer. Um pastor cujos filhos terminaram todos muito mal sempre dedicou um tempo de leitura da Bíblia pela manhã e à tarde antes das refeições. De modo que lia as Escrituras constantemente, na mesa, em seu escritório, e nos cultos. Porém, em sua pregação atual não há mais compreensão do significado de um texto do que havia vinte e cinco anos atrás: ele diz hoje as mesmas coisas que dizia antes, sem nenhum crescimento em seu conhecimento da Escritura. Em poucas palavras, ele lê como um ritual, e sem entendimento.

Também devemos acrescentar que lê sem o Espírito Santo, pois nosso Senhor nos disse muito claramente que o Espírito Santo, acima de todos, é nosso Mestre: “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas” (João 14:26). Também nos diz que o Espírito Santo é o fundamento de toda verdadeira aprendizagem: “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento” (1
João 2:20). Alguns outros textos que falam do Espírito Santo como mestre são: Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. (João 16:13)

Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou. (1 João 2:27)

Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro. (1 João 4:6) O Espírito Santo é o mestre de “toda verdade”. Somente aqueles que pelo Espírito conhecem a Cristo como Senhor de sua salvação podem conhecê-lo como o Criador, e o Senhor de todas as artes, ciências e da aprendizagem.

Nosso crescimento no ensino requer nosso crescimento por meio do Espírito Santo e debaixo de seu ensino. Devemos nos converter em bons estudantes como passo necessário para chegarmos a ser bons mestres. Nossa profissão recebe grande destaque na Escritura: nosso Senhor foi Mestre, e o Espírito Santo é nosso Mestre contínuo.

Não podemos atender a nosso chamado de forma medíocre, nem entristecer o Espírito Santo abusando de nosso chamado.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Fonte: The Philosophy of the Christiam Curriculum, p. 132-135.
http://www.monergismo.com/textos/educacao/professor_estudante_Rushdoony.pdf

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

GENOCÍDIO HOMOSSEXUAL?



A Folha de São Paulo, neste dia 09 de dezembro de 2008 traz uma carta, no “Painel do Leitor” discutindo notícias recentes sobre assassinatos de homossexuais em uma praça de São Paulo, que vêm sendo correntemente investigados pela polícia. Nela, o missivista fala de um “genocídio de homossexuais” que estaria ocorrendo no Brasil. Obviamente, como cristãos e cidadãos ordeiros dessa nação brasileira, somos contra qualquer assassinato. Acreditamos até que a punição corrente para esses crimes seja por demais suave, quando comparada com as determinações bíblicas que especificam a pena de morte para a retirada da vida de pessoas que são formadas à imagem e semelhança de Deus. No entanto, esse rótulo de “genocídio homossexual” é curioso, estranho e intrigante.

O autor da carta e da expressão é um militante da causa homossexual, de presença amiúde nas páginas dos jornais. Com um currículo impressionante, ele é Chefe do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia; membro da Comissão Nacional de Aids, do Ministério da Saúde (CNAIDS) e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação do Ministério da Justiça. Para que não paire a falsa idéia de que ele é prestigiado apenas pelo presente governo, o Sr. Luiz Mott foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Rio Branco pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ele é um dos principais promotores da chamada “lei contra a homofobia” (PLC 122/2006), que tramita no Senado Federal e que já foi alvo de alguns posts neste Blog (veja aqui, aqui e aqui). Promove, também, outras leis semelhantes que estão sendo aprovadas por municípios e estados desse nosso país. Uma das pérolas nauseabundas de sua lavra é um texto no qual coloca em dúvida a historicidade de Jesus, para, a seguir, afirmar que se há qualquer veracidade nos relatos bíblicos, o que sobressai é um Jesus que é sodomita ativo e um apóstolo João como um de seus amantes. Paro por aqui, sem entrar em detalhes mais obscuros e pornográficos de outros textos sua autoria e promoção. Informo, em adição, que o Luiz Mott tem contestado algumas acusações que tem recebido, em vários blogs, nesta sua página.

Interessa-me, na realidade, analisar a sua expressão e a divulgação freqüente de que atravessamos um “genocídio homossexual” em nosso país. Uma das estatísticas mais utilizadas (faça uma pesquisa no Google) é a de que “a cada três dias um homossexual é assassinado no Brasil” (veja, por exemplo, aqui e aqui). Essa tem sido a principal bandeira para promover o malfadado Projeto de Lei já mencionado, supostamente contra a homofobia. Recentemente, estive em um evento e ouvi um Ministro de Estado repetir essa mesma estatística, sem pestanejar, nem ponderar. A inferência desse número, é que isso retrataria uma brutalidade e ataque intenso aos homossexuais em nosso país. Os gays necessitariam, portanto, da proteção dessa lei contra tal intolerância. Para chegar a esses números, e afirmar que, no Brasil, “tivemos 122 mortes, neste ano, superando o México e os Estados Unidos”, Mott compilou os seus dados através do método duvidoso de referir-se às notícias dos jornais, por inexistência de “estatísticas oficiais”. Segundo Mott, o Brasil atravessa um “homocausto” (trocadilho que procura associar a morte de homossexuais ao Holocausto)!

Repetindo, acredito na lei de Deus e em seus princípios de justiça, bem como na dignidade humana. Repudio, portanto, qualquer tipo de assassinato ou crueldade contra qualquer pessoa. Sobre essas estatísticas e sobre a terminologia que está sendo utilizada, entretanto, pondero o seguinte:

1. Em primeiro lugar, a utilização da expressão “genocídio” é interessante, curiosa e contraditória. A palavra tem a sua origem com o trabalho do judeu polonês, Raphael Lemkin, que protestava as ações dos “atos bárbaros” da Alemanha nazista. Em 1944, ele cunhou o termo em seu livro “O Domínio do Eixo na Europa Ocupada”. Lemkim pegou a palavra grega “genos”, que significa “raça”, “tribo”, “grupo étnico”, unindo-a ao sufixo latino “cidium”, que significa “ato de matar”, “assassinato” - resultando na palavra genocídio, ou seja, o assassinato de uma raça ou de um grupo étnico. Quando um homossexual se refere a assassinatos de homossexuais como sendo “genocídio homossexual”, está atribuindo um determinismo genético ao homossexualismo (equacionando a prática com “raça”, “tribo”, “grupo étnico”). Ocorre que, curiosamente, eles próprios têm se posicionado contra a noção de que existe uma inclinação biológica ou genética à prática. Afinal, uma das grandes bandeiras do movimento gay é sobre “o direito de opção sexual”: ser-se aquilo que se quer ser, em vez de procurar ser aquilo que biologicamente são. Rebelam-se contra a noção de que Deus criou dois sexos, e não três ou quatro. Colocam na pessoa a definição de sua sexualidade, e não no Criador. Pois bem, ao clamar “genocídio”, contradizem-se em sua própria argumentação.

2. Segundo, alguma coisa está sendo perdida nessa estatística. A cada ano, 50.000 brasileiros são assassinados, o que dá 138 brasileiros por dia, ou 414 a cada três dias. Se a questão é que “um homossexual é assassinado a cada três dias”, isso dá 1 a cada 414 pessoas. Ou seja, 0,25% dos assassinatos totais.

3. Ocorre que “... o movimento gay declara que o número de homossexuais na população brasileira atinge o percentual de 10%...”. Juntando essas duas afirmações, se verídicas (procedem, ambas dos grupos gays) chega-se à conclusão que morrem menos homossexuais do que o restante da população (414 x 10% = 41). Isto é, morrem 40 vezes menos homossexuais do que heterossexuais. De acordo com essas estatísticas distorcidas, a melhor forma de escapar com vida, no Brasil, é virar gay.

4. A questão, que essa discussão evita, é que mata-se indiscriminadamente no Brasil e isso não é restrito a um segmento ou grupo em particular. É verdade que falar genericamente dos assassinatos, da falta de lei, da violência contra os cidadãos, não “dá mídia” nem impressiona tanto, quanto as estatísticas do Mott. Por exemplo, o movimento Rio de Paz fez recente manifestação nas praias cariocas apontando a cruel estatística de que somente nos últimos dois anos, na cidade do Rio, há o registro de 9.000 desaparecidos. Destes, 6.300 foram presumidamente assassinados e nunca retornarão aos lares. Vários desses foram mortos com requintes de crueldade, no chamado “micro-ondas”, onde as pessoas condenadas a morrer são colocadas em pneus nos quais toca-se fogo, carbonizando a vítima. Esse “crematório individual”, praticamente impede a identificação dos restos mortais. Isso é um arremedo tropicalizado, mais sofisticado e mais cruel, daquilo que a gang de Winnie Mandela, na África do Sul (conhecida como Mandela Football Club) praticava contra os desafetos (lá, era um pneu, só, em chamas, colocado ao redor do pescoço), nas décadas de 70/80. Antônio Carlos Costa (líder do Rio de Paz) aponta que se fez um escarcéu enorme com 138 ativistas políticos que desapareceram na época do regime militar, mas ninguém aparenta dar a mínima com esses desaparecidos e essa matança indiscriminada de agora.

5. É curioso, portanto, que um grupo específico, manipule dados e formule estatísticas enganosas. É intrigante, que na contabilidade do Sr. Mott, homossexuais só morrem – eles não matam. É surpreendente como realidades são ignoradas, como no caso desses assassinatos mencionados no início deste texto, no Parque dos Paturis, em Carapicuíba ninguém aponta que o principal suspeito, preso em 10 de dezembro de 2008, um ex-PM, aparenta ser igualmente homossexual. Ele procurava encontros naquela localidade (uma das testemunhas informou que esteve com ele em um motel, nas vizinhanças). A mídia Esquece que os “ativos” são igualmente homossexuais. E assim, com essas frases e “estatísticas” de efeito, contando com apoio e projeção governamental, os gays e simpatizantes procuram impor uma lei da mordaça heterofóbica, sob o suposto manto de uma pretensa proteção à violência social que impera em nossas plagas; quando a violência não enxerga cor, raça ou sexo. Pior, ainda, é que essa lei é voltada contra as convicções e liberdades religiosas; contra princípios de acato à instituição da família, em vez de contra criminosos de verdade e assassinos de fato.

A triste realidade é a de que o governo tem abdicado de suas responsabilidades de proteção à vida, como sendo a prioridade número um de suas funções. Sofrer violência não é característica de um grupo específico, mas é conseqüência da impunidade e da omissão do estado. Provavelmente deveríamos formar um grupo: os OHEB – Órfãos Heterossexuais do Estado Brasileiro. Quem sabe conseguimos promulgar uma lei que nos proteja?

SOLANO PORTELA
www.solanoportela.net

FONTE: http://tempora-mores.blogspot.com/2008/12/genocdio-homossexual.html
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008 - Genocídio Homossexual? - Postado por Solano Portela às 22:43

----------------------------------------

Foto: memorial das vítimas de Fidel Castro.

Economista defende mudanças na organização do sistema educacional

Ampliação do investimento público em Educação e a organização do sistema educacional foi o tema da entrevista desta sexta-feira com Samuel Pessoa, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O professor acredita que a valorização da carreira docente passa necessariamente por mudanças na atual organização do sistema educacional. Ele defende a ampliação do investimento destinado à área e também a manutenção do pagamento dos funcionários aposentados pela secretaria de Educação.

Leia a entrevista a abaixo:

Todos Pela Educação: Atualmente o investimento público total do Brasil em Educação é de 4,5% do PIB, sendo 3,7% em Educação Básica. Em sua opinião, o País precisa investir mais para alcançar a qualidade ou é apenas uma questão de gerir melhor os recursos disponíveis?
Samuel Pessoa: No meu entendimento, ainda é preciso aumentar o orçamento destinado à Educação. Por exemplo, aqui em São Paulo ainda existe o chamado “turno da fome”, mas o ideal é que as crianças fiquem no mínimo cinco horas na escola, o que resultaria em dois turnos: um pela manhã e outro à tarde, mas para isto é preciso dinheiro. É importante que haja a fonte desse recurso. Por outro lado, muitos estudos têm demonstrado que não há garantias de que o aumento dos investimentos implique necessariamente na qualidade do ensino. Sobretudo, dada a forma atual de organização do sistema educacional. Há casos como, por exemplo, São Paulo onde o custo aluno é maior do que Minas Gerais, mas na comparação entre os dois estados São Paulo tem desempenho menor nas avaliações.

TPE: Algumas redes pagam os professores aposentados (inativos) com o orçamento da Educação. Isso impacta na qualidade do ensino?
SP: Acredito que esta discussão é acessória, porque a questão principal é aumentar o gasto com a Educação. Tirar o pagamento do orçamento da secretaria é equivalente a aumentar o gasto com Educação, pois esse pagamento será feito de qualquer forma, mesmo que seja por outra secretaria. O salário do professor tem que sair da conta da Educação, porque a aula que o professor dá hoje gera uma obrigação para daqui a 20 anos, que vem a ser a aposentadoria desses profissionais. Isso é importante até para a sociedade avaliar qual é o custo social da Educação.

TPE: Qual a sua interpretação sobre a valorização da carreira do magistério e o seu impacto na qualidade do ensino?
SP: A valorização pode a longo prazo melhorar a qualidade atraindo bons profissionais para a carreira. Entretanto, não é possível falar em valorização do professor sem promover simultaneamente mudanças na estrutura da carreira. Porque da forma como ocorre hoje é difícil valorizar o bom profissional. A rede pública é atrativa, é preciso repensar a contratação por concurso público, a aposentadoria após 25 anos de exercício, a estabilidade, o número de faltas permitidas e a evolução da carreira apenas pela passagem do tempo, porque esse sistema não distingue o bom e o mau profissional.

TPE: O projeto que prevê o fim gradativo da DRU foi aprovado em julho pelo Senado e aguarda avaliação da Câmara dos Deputados. Qual o impacto dessa medida no trabalho dos secretários de Educação?
SP: Eu tenho dúvidas se ainda hoje a DRU tem grande impacto sobre o orçamento das secretarias. Por outro lado, ela contribuiu para manter o superávit primário, na compra de títulos da dívida pública, e foi importante para o País voltar a crescer. O importante hoje é determinarmos quanto queremos gastar com Educação.

TPE: Falta transparência nos gastos públicos com Educação?
SP: Acredito que não. Avançamos muito nos últimos 15 anos. Hoje, é possível consultar os sites das secretarias municipais, estaduais e até do Ministério da Educação e saber exatamente qual foi o orçamento da pasta e como os recursos foram utilizados.

TPE: É possível criar um indicador que cruze investimento e gestão dos recursos destinados à Educação?
SP: Particularmente, prefiro indicadores que avaliam a eficiência pelos resultados e não pelos insumos utilizados. E, hoje, nós já temos esses indicadores. O Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, por exemplo, é um bom indicador da qualidade.

TPE: Em sua opinião, a população acompanha esses indicadores?
SP: No Brasil ainda não há a cultura de acompanhar e cobrar resultados, sobretudo entre as classes menos favorecidas. Ainda hoje, há muitos pais com baixa escolaridade, que não têm como avaliar se a escola está cumprindo o papel dela ou não. Mas acredito que essa realidade está mudando. O próprio movimento Todos Pela Educação tem trabalhado para isso, é preciso ampliar o controle social sobre a qualidade da Educação.



Fonte: 10/10/2008 - www.todospelaeducacao.org.br

quinta-feira, 17 de julho de 2008

EDUCAÇÃO TEONÔMICA

EDUCAÇÃO TEONÔMICA
Reflexões para uma Filosofia Cristã da Educação

Prof. Guilherme Carvalho

O autor é Mestre em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, e professor na Faculdade Evangélica de Teologia de Belo Horizonte (FATE BH).

Introdução: O Problema da Dialética Heteronomia/Autonomia na Filosofia da Educação

Em sua "Filosofia da Educação", Henrique Nielsen faz logo nas primeiras páginas uma síntese geral das idéias educacionais: "Praticamente todas as doutrinas educacionais – do passado até hoje – já mereceram os mais diversos estudos e análises. Os resultados destes estudos analíticos permitem classificá-las em dois grandes grupos: educação progressista e educação tradicionalista ou conservadora". A educação progressista seria aquela na qual "... o indivíduo é estimulado a ser espontâneo, independente, e, por isso mesmo, criativo." Já a educação tradicionalista, denominada por ele "heterônoma" acredita que "... o educando deve assimilar o conjunto dos bens culturais da humanidade de forma absoluta."

Eu acredito que Nielsen está substancialmente correto, não somente quanto ao campo da educação, mas do pensamento filosófico como um todo. O dilema que ele apresentou é o reflexo de uma dialética mais ampla que permeia a atividade cultural ocidental, como veremos mais adiante: a tensão entre heteronomia (a lei ou o governo de outro) e a autonomia (a lei própria, ou autogoverno).

Os cristãos envolvidos com a educação conhecem bem essa tensão. Somos advertidos de todos os lados contra abordagens conservadoras – o próprio Nielsen apresentada a educação conservadora de forma bastante caricatural, postando-se ao lado das propostas "progressistas". Há um consenso de que o propósito da educação é formar o sujeito autônomo e críticas abundantes são feitas ao "autoritarismo" em sala de aula, bem como ao "conteudismo" dos professores. O aluno é o sujeito de sua educação, dizem. Entretanto, teimosamente pretendemos dar a nossos alunos uma educação cristã!

Como se sabe, as propostas educacionais cristãs são vistas por tal consenso como heteronômicas, tirânicas, opressoras e desinteressantes. E então o educador cristão se vê em dificuldades – para ser "progressista", não poderá inclinar os alunos à fé cristã, nem ensinar-lhes conteúdos morais absolutos. Ele conhece, no entanto, os efeitos prejudiciais das abordagens progressistas em educandos que se tornaram desinteressados, rebeldes e anti-sociais. Sente-se então tentado a rejeitar totalmente as abordagens progressistas, como o construtivismo, e praticar um tradicionalismo total.

O problema se torna particularmente difícil quando os conteúdos são claramente anticristãos. É o caso do professor de ciências cristão, por exemplo, que precisa apresentar a teoria evolucionista, mas a considera inaceitável. Sem entrar no mérito da questão: levar o aluno, a partir dos dogmas cristãos, a rejeitar uma teoria científica, não seria realmente uma forma de limitação do pensamento? Não seria uma prática destrutiva para o impulso investigativo dos alunos? Se isso for verdade – e essa é a crítica muitas vezes lançada contra o ensino cristão – a escola cristã seria uma instituição reacionária, antiintelectual e um prejuízo à vida intelectual e moral do aluno. Seria a epítome da heteronomia.

Eu não acredito, no entanto, que isso seja verdade. Não somente porquê a história nos dá muitos exemplos de como a perspectiva cristã trouxe benefícios para a educação e para a vida intelectual ocidental; a própria interpretação de Nielsen e de muitos outros é fundamentalmente errada em suas pressuposições básicas. O dualismo heteronomia/autonomia na educação é uma expressão da inconsistência própria da cosmovisão ociental, sendo essa, por sua vez, fruto de uma determinada orientação religiosa não cristã.

1. O Nomos e a Cosmovisão Ocidental

1.1.. O Problema do "Nomos"

A pergunta sobre a heteronomia e a autonomia é em primeiro lugar a pergunta sobre a fundação dos universais da realidade, e em segundo lugar, a pergunta sobre como o sujeito humano reconhece esses universais. O problema da relação entre os universais e os particulares é um dos problemas mais fundamentais da filosofia, encontrando expressão em todo tipo de formulação das questões teóricas, da arte à ciência, passando pela educação.

O problema dos universais e particulares pode ser descrito como a tensão entre o fato de que temos um sentido de realidades absolutas e imutáveis e por outro lado temos um sentido de realidades mutáveis e passageiras, sujeitas ao devir. O problema é: como nós, sujeitos ao devir, temos também o sentido do imutável? Por exemplo: por quê, apesar de vivermos situações éticas singulares e relativas, sempre temos a impressão de que há valores éticos absolutos que se aplicam a diversas situações?

O problema assume conotações existenciais se perguntamos: sou eu meramente um particular, um produto das condições históricas, absolutamente aprisionado ao devir, ou sou um ser livre, que transcende a história sendo parte dos universais? É óbvio que a resposta a essa pergunta tem amplas implicações espirituais e psicológicas.

Podemos chamar os universais de "nomos". Os universais são as leis que dão sentido à realidade, os absolutos que dão orientação e "forma" à realidade. A presença das leis é o que faz o imutável estar presente a despeito do devir. Mas de onde vêm o nomos da realidade?

1.2. Heteronomia

Uma solução para esse problema foi a identificação de certos aspectos da realidade como a origem do nomos. Isso aconteceu por exemplo no marxismo, que identificou o modo de produção como a base de toda a cultura humana. Assim, nos países que seguiram a teoria marxista, toda atividade humana é reduzida e interpretada a partir das relações econômicas.

Heteronomia significa "lei de outro" (heteros – nomos). Sistemas heteronômicos tendem a tratar o homem como totalmente condicionado pelas leis daquele aspecto preferido da realidade. No caso do marxismo, o homem é um produto histórico e econômico. Assim, o que se vê, é que o sujeito-homem é absorvido pelo objeto-economia. Qual é o efeito da absorção? A desumanização do homem e a tirania. O homem é aprisionado pelas leis econômicas e proibido de pensar e agir tendo outro ponto de partida. Como o estado nesse sistema domina a economia, o indivíduo é tiranizado pelo estado.

Outro exemplo de heteronomia foi a dominação da igreja católica na baixa idade média. Nesse período não se admitiu (embora isso não ocorresse em todos os círculos) que o pensamento científico se desenvolvesse livre das amarras da tradição eclesiástica. Aqui o sujeito é absorvido no objeto-teologia e temos a tirania da igreja (a instituição que lida com o objeto absolutizado).

1.3. Autonomia

Autonomia é a existência com leis próprias, (autos – nomos). Autonomia significa afirmar a liberdade do sujeito contra qualquer lei que não seja intrínseca a ele, e, mas específicamente, que não seja projetada pela própria razão autônoma. A idéia hoje comum nas ciências sociais de que a realidade é uma construção social é uma idéia autonomista. O ideal iluminista de só admitir como verdade aquilo que é justificado pela razão autônoma – o racionalismo – é uma construção autonomista. Todo sistema que não admite a existência de leis absolutas "fora" da consciência do sujeito é um sistema autonomista.

Desse modo, podemos ver que se a idade média representou um período de heteronomia, o racionalismo renascentista propôs uma autonomia. A atual pós-modernidade é a autonomia levada ao extremo: não há verdade absouta, e cada um "constrói" a verdade como quer.

1.4. Sujeito, Objeto e Nomos

As entidades da realidade estão em relação dinâmica, atuando e sofrendo atuação. Assim, uma forma de descrever a realidade é a partir das relações de suas entidades. Um ser que atua é um sujeito, e aquele que recebe a ação é o objeto da atividade do sujeito. Essa divisão simples da realidade nos ajuda bastante a entender o problema do nomos.

Sistemas heterônomos, ao identificar as leis da realidade com um objeto único, tornam o próprio homem um mero objeto associado, e o colocam sob a tirania daquele objeto único, ou da instituição social que lida diretamente com aquele objeto. O erro básico da heteronomia é não reconhecer a transcendência do sujeito e reduzir toda a realidade – inclusive o sujeito – a um objeto.

No outro extremo temos a autonomia. A autonomia surge como uma reação à heteronomia, quando o sujeito não pode mais suportar ser tiranizado e se liberta do objeto reivindicando transcendência em relação a ele – a liberdade. De acordo com a postura autonomista a origem do nomos encontra-se no próprio sujeito, não nos objetos. O sujeito cria as leis, ou projeta de si mesmo de algum modo os universais aplicando-os aos particulares, de modo que sua interpretação da realidade não é a realidade em si, mas sua percepção dela.

2. O Nomos e as Práticas Educacionais na História

Diferentes práticas educacionais tem diferentes orientações nômicas. A educação grega no período arcaico, quando da formação das polis gregas, era extremamente heteronômica, possivelmente devido às condições políticas tumultuadas em toda a região. Em Esparta, por exemplo, a educação era extremamente rígida e militarista, alimentando uma estrutura social classista e tradicional. A partir do século VII a.C. a educação deixa de ser tão militarista, mas continua sendo conservadora e interessada em manter a estrutura social vigente.

É somente quando entramos no período denominado "primeiro sofístico" que a educação grega tradicional é desafiada por uma proposta autonômica. Os filósofos sofistas desprezavam valores atenienses como a ginástica, e introduziram a heurística, um processo de ensino baseado "... no diálogo, no debate e na crítica. Questionando tudo, instauraram a dialética como método." Sócrates, que muitos consideram um tipo singular de sofista, apresentou a maiêutica, um método no qual se conduz o debatedor a encontrar a verdade por si mesmo. Ele foi executado por "corromper a juventude". Um conflito clássico de heteronomia e autonomia.

A proposta educacional de Platão, discípulo de Sócrates, era extremamente heteronômica; em sua concepção a formação dos indivíduos é totalmente controlada por um estado aristocrático. Para ele as histórias que as amas e mães poderiam contar aos filhos seriam determinados pelas autoridades da república, e os governantes do estado democrático seriam educados fora da influência de seus pais, sob a égide do estado; 0 Em reação, a proposta de Aristóteles equilibrava autonomia e heteronomia ao postular ser "... a família a responsável principal pela ação educativa."

O desabamento do império Romano sob o seu próprio peso foi acompanhado de uma crise intelectual e educacional. O longo período de decadência chega ao clímax em 529, com o fechamento por Justiniano da última escola de filosofia existente, em Atenas. Durante a idade média o cristianismo controlou o pensamento e a educação em boa parte do mediterrâneo e na europa, num longo período heteronômico. Com o domínio absoluto da teologia, e as outras ciências foram obrigadas a sujeitar-se. No princípio da baixa idade média surgiu o escolasticismo, que manifestava interesse real pela ciência, praticando um tipo de harmonização da filosofia pagã com o dogma da igreja. Nesse período surgem as primeiras universidades, sob o controle da igreja. A atitude escolástica busca contrabalançar a heteronomia do dogma religioso com uma autonomia relativa na investigação filosófica. Tomás de Aquino introduziu o dualismo natureza/graça para expressar esse balanceamento: a razão pode chegar à verdade sozinha, demonstrando-se assim, por ela, verdades da fé.

A autonomia que Tomás de Aquino concedeu à razão tornou-se o ponto de partida para uma gigantesca reação autonômica à heteronomia medieval. A liberdade dada à filosofia abriu o espaço para a autonomia total da natureza que, na linguagem de Francis Schaeffer, passou a "devorar a graça". É assim que, no humanismo renascentista, encontramos uma autonomia em todos os âmbitos: filosofia, arte, educação, religião, moral – nesse período "Houve um dilúvio de obras pornográficas".

Nesse ambiente ocorre a Reforma Protestante, um movimento de caráter singular. Os reformadores claramente se opunham à heteronomia católico-romana advogando a liberdade de consciência, o livre exame das Escrituras, e estimulando a pesquisa científica. A Academia de Genebra fundada por Calvino é um exemplo eloquente do interesse reformado pela educação. Calvino, especificamente, não admitia que a religião pudesse se limitar às práticas eclesiais. Para ele todas as atividades humanas deveriam ser para a glória de Deus, mesmo que não fossem "sacras". Uma posição nem autonômica, nem heteronômica, mas teonômica. Nesse período surgiu a Didactica Magna de Commenius, que levava a queda em consideração e dava à educação um papel redentivo.

A teonomia reformada durou pouco. O impulso renascentista de autonomia continuou seu curso até o iluminismo, no que significou uma inversão total na inclinação nômica da cultura ocidental. Filosofias educacionais surgidas nesse período tem inclinações autonomistas. É o caso da educação liberal de Locke, Adam Smith e Rousseau. A educação liberal "... opõe-se a toda forma de controle educacional, condena toda forma de ensino baseado em princípios religiosos e políticos." Rousseau, especialmente, ensina que o homem em seu estado natural não é mau nem bom, sendo que toda corrupção é produto da sociedade. A implicação disso é que o educando pode ser visto como potencialmente bom, e que melhor será a sociedade quanto menos fizer imposições sobre o sujeito.

O positivismo prossegue na busca de uma educação livre de todo controle externo; na prática, começa a se constituir num tipo de heteronomia cientificista levantando um grande combate contra a religião e uma tentativa de substituí-a pela "religião da natureza". Seu surgimento revela o caráter paradoxal de toda autonomia: ela acaba se degenerando em uma variedade de heteronomia.

Uma nova etapa importante da inclinação autonômica na educação foi o pragmatismo de John Dewey. Dewey acreditava que o valor de uma idéia estava na sua utilidade prática. Assim a tarefa mais alta da escola não seria a formação de uma certa mentalidade; seria antes a preparação do educando para interagir com a realidade, adquirir seu próprio processo de viver e tornar-se um sujeito criativo. A educação pragmatista é altamente experimental, valorizando a atividade física, a técnica e as questões práticas. Nota-se uma perda do interesse em preservar ou manter qualquer tipo de tradição; a ênfase agora é o sujeito autônomo.

Toda a série de propostas educacionais autonomistas que bebiam do poço liberal encontraram reação no marxismo, uma filosofia profundamente heteronômica nascida em meio à crise da razão moderna no final do século XIX. Em consonância com a diluição do indivíduo na coletividade, própria do marxismo, as concepções educacionais marxistas propunham a persuasão do educando a viver pelos interesses coletivos sacrificando seus interesses individuais. Na doutrina marxista-leninista posterior o estado, que controla os meios de produção em nome dos trabalhadores, torna-se o bem máximo dispondo dos indivíduos e manipulando de forma violentamente opressiva o pensamento e a educação. Marxistas heterodoxos posteriores como Louis Althusser e Gramsci criticaram a escola liberal como um mecanismo de dominação, mas suas propostas educacionais não eram tão heteronômicas.

O século XX viu uma série de propostas autonômicas. Segundo a concepção da Escola Nova, "... a prática escolar deve estar centrada no aluno – pedocentrismo – e não no professor, como na escola tradicional." O aluno é estimulado a rejeitar o pensamento acabado, e o professor a desistir de "ensinar" para criar um ambiente propício à educação. A orientação religiosa deve ser banida do processo educacional. Segundo Henrique Nielsen, as raízes da Escola Nova estão no empirismo, do qual ela recebeu a ênfase nas experiência ao invés do saber intelectual, e no otimismo de Rousseau em relação à natureza humana, com o qual justificou o pedocentrismo.

Também baseadas em Rousseau são as teorias educacionais libertárias, entre as quais se encontram os famosos e fracassados projetos escolares de Yasnaia Poliana, de Leon Tolstói, e de Summerhill, de A.S. Neill, nos quais as crianças freqüentavam as aulas quando queriam. Os projetos libertários partem do pressuposto de que qualquer autoridade é nociva ao educando; a verdadeira educação busca formar o sujeito autônomo.

Paulo Freire, no entanto, deve ser posto à parte. Embora também comprometido com a libertação, não parece tão marcado pela reação à tradição e rejeita abertamente o subjetivismo. Freire acredita que a educação precisa levar em consideração a situação sócio-política do indivíduo, e deve ter como alvo libertá-lo da opressão. Mas "... só os próprios oprimidos é que devem implementar essa ação libertadora." Assim, a "pedagogia do oprimido" é um método de conscientização no qual homem "chega a ser sujeito" refletindo sobre sua realidade histórica e articulando sua libertação. A despeito de sua inclinação autonômica, não é irrecuperavelmente autonomista.

Talvez a mais influente teoria educacional autonômica seja o construtivismo, ou cognitivismo, cuja figura principal é Jean Piaget. Na proposta construtivista o objetivo da educação "... não consistirá na transmissão de verdades, informações, demonstrações, modelos, etc., e sim em que o aluno aprenda, por si próprio, a conquistar essas verdades ..." A finalidade da educação é conduzir o aluno à autonomia intelectual, e as estratégias de ensino devem focalizar a experiência e a resolução de problemas por parte do próprio aluno. O professor funciona como um facilitador ocupando-se mais do desenvolvimento da inteligência do que da transmissão de fatos. Assim, por exemplo, Piaget acreditava que o direcionamento ético equivaleria à coação moral; o juízo moral da criança deveria ser construído de forma autônoma, por meio de experiências sociais.

O construtivismo tem sido criticado por pensadores cristãos como incompatível com o cristianismo devido à seu relativismo intrínseco e às suas consequências pedagógicas. A aplicação no Brasil dos ideais da Escola Nova e depois, do construtivismo originaram uma prática educacional marcadamente autonomista e produziram toda uma geração de indivíduos de grande pobreza ética e perspectivas relativistas. Discussões sobre valores morais, especialmente se de inspiração cristã foram banidas das salas de aula, e só nos últimos anos voltaram a ser uma preocupação dos educadores.

Embora seja perceptível na história uma tensão constante entre heteronomia e autonomia, podemos dizer que a teoria educacional na atualidade inclina-se para a autonomia desde a renascença e, principalmente, do iluminismo, seguindo a inclinação da filosofia moderna. No século vinte a degeneração da racionalidade em relativismo penetrou nas teorias educacionais, de modo que desenvolveu-se uma atitude negativa em relação à autoridade do professor e à idéia de transmissão de conteúdos. Podemos sumarizar a orientação das práticas educacionais na atualidade em poucas palavras: o educando deve ser o sujeito de sua própria educação.


3. A Teonomia como Ideal de Civilização

3.1. A Falha Ontológica do Esquema Heteronomia/Autonomia

Tanto a heteronomia como a autonomia expressam uma falha ontológica fundamental: a dificuldade de relacionar adequadamente sujeito e objeto, sendo um absorvido no outro, sempre. A causa dessa falha ontológica deve ser encontrada na forma de considerar a origem do nomos, os universais. Ao identificar as leis da realidade com o sujeito ou com o objeto, torna-se difícil relacionar um e outro, pois um deles passa a funcionar como "divindade", como explicação final do outro. Isso faz com que um seja sempre absorvido no outro.

Assim na heteronomia encontramos uma "inflação" do objeto. A inflação do objeto cria interpretações reducionistas da realidade, como se ela fosse uma variedade de manifestações de uma única essência. O naturalismo filosófico promove essa inflação/redução ao considerar realidades diversas como as leis físicas, a vida biológica, a consciência e a religião como meros produtos da matéria + tempo + acaso.

O contrário encontramos na autonomia, quando há uma "inflação" do sujeito e uma redução do objeto. A inflação do sujeito inclui a tendência de compreender a realidade de forma subjetivista, como se a ordem encontrada em nossa percepção fosse meramente um produto da própria mente (Kant), ou das convenções da linguagem. Não haveria assim uma percepção da realidade "em si". A inflação do sujeito conduz à destruição do impulso de síntese teórica e a interpretações fragmentárias da realidade. Esse quadro é exatamente o que encontramos hoje na pós-modernidade.

O subjetivismo é também, em última instância, reducionista, mas a redução é praticada em sentido inverso. Os objetos e o próprio sujeito são reduzidos a determinada função temporal do sujeito. Assim, no racionalismo iluminista, a função racional era o ponto de partida da redução, e no século XIX, a historicidade do sujeito. No desconstrucionismo, ao mesmo tempo em que se defende a liberdade do indivíduo, se dilúi este indivíduo em interpretações materialistas e psicanalíticas reducionistas.

O que o objetivismo e o sujetivismo tem em comum é uma determinada perspectiva a respeito do fundamento da realidade. Os ocidentais tem pensado, desde os gregos, que o fundamento último da realidade é o "Ser". Criou-se assim a metafísica do ser, na qual se acredita que as entidades tem essências que lhes dão seu caráter singular e determinam seu comportamento. No pensamento essencialista o nomos tem sua origem nas entidades, sendo o sentido, portanto, dependente do modo de existir das coisas.

3.2. Teonomia

Partindo de uma perspectiva cristã da realidade somos levados a uma ontologia bastante diferente. Admitimos que o fundamento último das coisas não é a existência, o "ser", mas o significado. O mundo nasceu do propósito e decreto de Deus, de modo que o ser é possibilitado pela lei de Deus. Dizemos então que o lado ôntico da realidade depende do seu lado nômico. Ora, tanto o sujeito como o objeto são entidades, e ambos funcionam a partir do nomos.

A solução cristã do dualismo objetivismo/subjetivismo é negar que os universais sejam originados do sujeito ou do objeto. Considera-se assim que o objeto não é a fonte das leis que o governam; e o sujeito, embora sendo sujeito, é também objeto não sendo fonte de nenhuma lei. Todos, sujeitos e objetos estão sob as leis, e nenhum deles é a fonte de qualquer lei.

As implicações disso são imediatas. Não sendo o sujeito a fonte das leis, ele deve descobrí-las, não construí-las. Isso torna possível que o empreendimento científico seja uma atividade comunitária e rigorosa, fundando-se na esperança de que o cosmo apresenta uma ordem fundamental que pode ser atingida pelo sujeito coletivo.

Mas desde que nenhum objeto é a fonte das leis, o homem não precisa ser reduzido a nenhum objeto da realidade; e mais: nenhuma tirania é permitida, porque o sujeito e os objetos não podem ser diminuídos e forçados dentro de um único aspecto da realidade, nem tiranizados por uma instituição social específica.

A essa nova condição denominamos Teonomia – uma situação tal em que não se admite que qualquer realidade no cosmo, humana ou não humana, seja considerada o fundamento da realidade e do sentido das coisas. Na atitude teonômica, nada é deus, para que Deus seja tudo, e tudo seja o que realmente é.

Pode-se perceber que a heteronomia e a autonomia são na realidade modalidades de religião. O problema ontológico esconde na verdade um problema mais profundo, de origem religiosa: a tentativa de encontrar o fundamento do cosmo no próprio cosmo, elegendo uma entidade temporal como ponto de transcendência e fonte do sentido final. Como diz Clouser: "... tanto o objetivismo como o subjetivismo são inaceitáveis desde que cada um pressupõe uma variedade de religião pagã por atribuir a uma parte da criação o papel de doador da lei ..." A abordagem teonômica é assumidamente religiosa, quando busca o fundamento do cosmo fora do cosmo, em Deus, apresentando o mérito de solucionar o problema filosófico da relação sujeito-objeto.

3.3. A Teonomia de Paul Tillich e a Teonomia Reformada

Precisamos aqui diferenciar nossa concepção daquela do grande teólogo da cultura, Paul Tillich. Tillich afirmou que a origem da tensão autonomia/heteronomia tinha raízes nas estruturas da própria razão, na tensão entre seu fundamento último (equivalendo ao nosso "universal") e suas estruturas próprias. Como fica claro, tanto a causa como a solução do problema estariam no próprio sujeito. Assim, a solução para a tensão – a teonomia – seria encontrada numa sujeição ao Espírito de Deus expressa numa firme orientação para a finalidade última (o sentido de auto-transcendência), mantendo-se a autonomia dos processos racionais.

O que se pode perceber é que Tillich pretende construir um ideal teonômico sem abrir mão da autonomia. Ele admite que a heteronomia é uma expressão distorcida do interesse pela preocupação última, mas não parece admitir claramente que a autonomia seja em si a distorção de alguma coisa, aceitando uma "boa" e uma "má" autonomia. Aparentemente, para ele, a heteronomia é sempre má, mas a autonomia não.

Ou seja, em Tillich a lei que o sujeito deve seguir nunca é externa; mesmo que ele seja guiado pela preocupação última, deverá sê-lo a partir de sua lei intrínseca, seu princípio racional. Esse princípio não pode sofrer nenhum tipo de limitação. É assim que, discutindo o uso do termo "heteronomia", Tillich diz que essa palavra deve ser usada "... para uma situação em que é imposta uma lei de fora, uma lei estranha (heteros nomos), a qual destrói a autonomia da atividade cultural, sua autós nomos, sua lei intrínseca. Da relação entre teonomia e heteronomia, fica óbvio que a idéia de cultura teônoma não implica em qualquer imposição a partir de fora." Evidentemente, a teonomia Tillichiana é uma variedade espiritualizada de autonomia.

Coerentemente com sua posição Tillich diviniza o sujeito, e passa à crítica do que chama de "ruptura" sujeito-objeto. Para ele a teonomia traz a libertação da "... prisão ao esquema sujeito-objeto". O que temos aqui? A tendência própria das expressões não-teonômicas de fundir o sujeito no objeto.

Falando específicamente da filosofia, mas de uma forma simples e aplicável a outras funções culturais, Tillich diz que "Uma filosofia é teônoma quando é livre de interferências externas e quando é efetivo o impacto da Presença Espiritual nos processos atuais de pensamento." Uma definição de teonomia na perspectiva reformacional seria substancialmente diferente: uma filosofia ou expressão cultural qualquer é teônoma quando é sujeita a todas as soberanias externas e livre da tirania idolátrica de uma única soberania sob o impacto da Presença Espiritual. Na situação teonômica, nunca há fusão de sujeito e objeto, mas o reconhecimento humilde do sujeito de que ele é também um objeto com os outros, e compreensão das leis de Deus que regem todos os objetos.

Essa sujeição a todas as "soberanias externas" obviamente choca-se frontalmente com Tillich e com o humanismo moderno, porque na mentalidade humanista a liberdade do homem é atingida por meio de uma superação de toda normatividade. Por essa razão, na cultura autonômica, a dinâmica religiosa profunda é expressa numa espécie de luxúria libertária, na qual a revolução e ruptura das tradições, dos valores aceitos, das estruturas contemporâneas são vistas como as portas da realização humana. Essa religião da revolução sempre em escravidão. Na posição reformacional ou teonômica, a liberdade não vem de uma superação das leis externas, mas de uma relação eugênica com essas leis. O que caracteriza a heteronomia é a relação patogênica, doentia, na qual uma lei se apodera do sujeito e impede nele a operação das outras leis.

3.4. O Ideal Teonômico de Civilização

O principal objetivo da educação cristã é contribuir para a construção de uma civilização cristã, uma expressão da Civitas Dei. Essa construção é necessária, dada a concepção bíblica do homem e de sua tarefa no mundo. O homem não é uma coleção de funções justapostas, como se cada uma pudesse existir separadamente da outra: pensamento, arte, religião, sexo; é antes um coração que tem diversas funções temporais mas que transcende a todas elas em direção a Deus. Não se pode, portanto, ser cristão em uma única dimensão da vida – a igreja – e não o ser na política, na educação, no pensamento, na arte, na cultura enfim. O homem só pode ser cristão em seu núcleo, e se assim o for, assim o será em todas as suas funções temporais. Isso coloca, obviamente, o cristianismo bíblico numa situação antitética em relação à cultura ocidental, pois ao contrário do que esta hoje acredita sobre a religião – que ela deve ser uma questão de "foro íntimo" – o cristão se torna autêntico quando se torna um formador de cultura, quando molda seu meio para operar nele de forma que Deus seja glorificado; enfim, quando escuta de novo o mandamento de Deus no Éden: "enchei a terra, e sujeitai-a".

Ou seja, o cristianismo não pode existir somente como uma igreja institucional, ou como um sistema doutrinário, ou como uma experiência mística, mas como um Weltanschauung, um "sistema de vida", segundo expôs Abraham Kuyper, o qual está hoje em combate mortal com paganismo ocidental, e cujo princípio deve ser erguido antitéticamente contra o princípio pagão: "... no Modernismo, a imensa energia de um abrangente sistema de vida nos ataca; depois também, deve ser entendido que temos de assumir nossa posição em um sistema de vida de poder, igualmente abrangente e estenso." Ou seja, precisamos edificar a Civitas Dei, a cultura teonômica.

Mas como o homem grego nascia de uma educação voltada para a participação e construção da polis, os cristãos edificarão a sua polis formando o indivíduo para ser um determinado tipo de homem. Esse homem não é nem o hebreu nem o grego, mas o Novo Homem, o kainòs ánthropos. É verdade que tal homem é criado por Deus, em Cristo (Ef 4.24; Cl 2.10,11); mas sua expressão histórica é mediada pelo discipulado cristão, de modo que o indicativo divino se realiza em e por meio da obediência ao imperativo "revesti-vos do novo homem", imperativo este dado no processo educacional (cf. Ef 4.20-24).

O homem cristão é um homem-sinal, não sendo mais o velho homem, mas também não sendo ainda totalmente novo; ele vive entre os tempos, participando simultaneamente da velha e da nova criação, mas sinalizando historicamente a aproximação irreversível do novo. Desse modo o projeto de uma cultura teonômica não é um projeto utópico, pois só Deus introduzirá de forma definitiva o reino. Trata-se de um projeto histórico, de um modo de existir antitético dentro da história, no meio desse mundo velho, canalizando os benefícios da graça para esse mundo de uma forma integral, mas mantendo-se em luta renhida e sem descanso. Trata-se simplesmente de ser cristão de forma coerente, integral e corporal.

4. O Ideal Teonômico e a Educação Cristã

4.1. Consequências Pedagógicas da Heteronomia e da Autonomia

No balanço final, tanto a heteronomia como a autonomia conduzem à destruição do espírito investigativo. A heteronomia produz esse efeito pela depressão do juízo crítico. Nessa depressão a capacidade de diferenciação é minada e a diakrisis impedida pela redução dogmática de toda a realidade a um único aspecto da realidade. Os professores cristãos conhecem bem a dificuldade de raciocinar de forma "aberta" ou "multi-aspectual" encontrada em jovens de formação naturalística; estes manifestam a tendência dar explicações simplistas para todos os fatos humanos que encontram – morais, religiosos, sociais -, geralmente supondo que tal abordagem dogmática e unilateral é científica. Esse é um estado evidente de tiranização da consciência. O mesmo efeito é encontrado em alunos com rígida formação religiosa fundamentalista, que foram ensinados a converter explicações teológicas da realidade em explicações científicas.

A autonomia, ao contrário do que se pensa, não favorece realmente o espírito científico. Ela mina a investigação pela inflamação do juízo crítico. A inflamação ocorre quando educando ergue sua razão ilegitimamente a um ponto de transcendência e leva a diakrisis à situação patológica de não admitir nenhum nomos exterior a si mesmo. Nesse momento ocorre uma ruptura do sujeito com a realidade e uma perda da confiança em suas possibilidades de encontrar explicações globais e verdadeiras da realidade. Essa perda da confiança pode não ser imediata; o racionalismo do século XVII era otimista sobre os efeitos da autonomia da razão; os pensadores do iluminismo, ainda mais. Entretanto, hoje estamos colhendo os frutos da modernidade: ceticismo, relativismo, niilismo. Aparentemente os jovens de hoje, ao atingir esse ponto crítico passam rapidamente da confiança na razão para um ceticismo radical, muitas vezes com desinteresse intelectual.

O ponto é que a realidade é tanto complexa como simples, una e múltipla. A heteronomia não é capaz de lidar com a realidade múltipla porque busca uma unidade essencial de forma reducionista, manifestando assim um fechamento para a complexidade, e a autonomia não é capaz de lidar com a unidade da realidade, porque não pode reconhecer a existência objetiva de universais fora de sua própria razão, manifestando um fechamento para a unidade e uma tendência de fragmentação.

A autonomia e a heteronomia também produzem consequências éticas. A heteronomia desfavorece a maturidade moral e torna o indivíduo legalista, na medida em que a internalização da lei pelo sujeito não é essencial. A autonomia desestimula a transmissão de valores e relativiza a concepção cristã do homem. F. Solano Portela criticou de forma precisa e esclarecedora o construtivismo, dando um enfoque especial ao seu relativismo moral.

Consequências sócio-políticas também acontecem. De um modo geral, a educação autonômica tende a enfatizar a liberdade do sujeito em relação aos mecanismos educacionais de alienação Assim, na educação liberal o indivíduo é ensinado a resistir a toda e qualquer negação de sua liberdade individual; essa ênfase unilateral na autonomia gera o individualismo e favorece o estado liberal não intervencionista e o capitalismo laisses-faire. A crítica de Althusser ao reprodutivismo e os insights das pedagogias libertárias mostram que a escola não existe em isolamento; ela faz parte de uma estrutura e seu programa educacional é o programa das elites. Na pedagogia de Paulo Freire, o indivíduo oprimido é conscientizado para se tornar um agente da própria libertação histórica.

Na educação heteronômica a consciência política pode não estar totalmente ausente, mas em existindo, será marcada pela devoção dogmática a uma determinada instituição programa utópico. A política marxista é assim coletivista e absolutista, e o indivíduo fica totalmente submerso nos interesses do estado.

4.2. Teonomia e Construção do Sujeito

Uma perspectiva importante do pensamento reformacional é a idéia de que, entre si, e em relação a Deus, todas as entidades são tanto sujeitos como objetos. Existir, então, é ser sujeito, no sentido de ser sujeito da ação e também de ser sujeito à ação. O que capacita uma entidade a funcionar como sujeito ou objeto é sempre o nomos.

Pensando a atividade educacional dessa forma, percebemos que todo o debate da autonomia contra a heteronomia está desencaminhado porque se ignora um fato básico: o educando não é somente o sujeito de sua própria educação, mas também um objeto ou um "sujeito-a" na educação. Isso porque a educação é uma atividade civilizatória. A educação é, sempre, uma ação de certa comunidade sobre seus novos membros, não havendo educação que não pressuponha um projeto civilizatório. Essa é uma contribuição importante de Durkheim: a função da educação é socializar o indivíduo inculcando-lhe os valores sociais e fortalecendo a integração cultural. Mesmo a tentativa de criar uma autonomia plena no educando não pode passar de ser uma tentativa de impôr um ideal de civilização sobre os indivíduos – e nesse momento, negar que o indivíduo está sendo tratado como objeto torna-se uma tolice.

Para os autonomistas, falar do indivíduo como "sujeito-a" pode parecer absolutamente assustador – não obstante, é a realidade. Mas não se deve ver isso como um problema. Não há sujeito humano sem cultura e comunidade. Não pode haver sujeito livre sem civilização. O funcionamento do indivíduo como sujeito depende totalmente de sua operação adequada como objeto, porque é a própria sociedade quem toma o indivíduo-objeto para criar nele o sujeito. Dessa forma, o indivíduo nunca é sozinho o sujeito de sua educação; ele é sujeito na medida em que é objeto de uma atividade pedagógica comunitária.

Não faz sentido, portanto, tentar formar por meio do processo educacional indivíduos de consciência autonômica ou heteronômica. O indivíduo de consciência autonômica é um fator de ruptura, de revolução, e a revolução é sempre destrutiva para a civilização, porque sempre envolve uma condenação absoluta das estruturas culturais. Essa condenação absoluta não faz jus ao fato de que há normas divinas que determinam, em maior ou menor grau, a organização de determinada cultura, e trata a sociedade erroneamente, como ela se fosse meramente um produto arbitrário da vontade humana. A transformação de um educando em um autonômico é o rompimento do processo educacional e a introdução de uma anomia social. O projeto autonômico pode gerar apenas rupturas sociais e fragmentação cultural.

Quanto à consciência heteronômica, esta torna a cultura estagnada, destruindo seus fatores internos de renovação e purificação, que são os sujeitos livres. Além disso a heteronomia sempre acaba produzindo, em reação, a autonomia. A consciência teonômica não é conservadorista; embora reconheça as leis divinas estruturando a vida humana, reconhece também a influência pervasiva do pecado em toda a ordem criada. Assim, ela exige a reforma de toda a existência a partir do evangelho.

4.3. Teonomia e Educação

A abordagem teonômica é a abordagem apropriada a uma educação cristã porque não é nem reprodutivista nem de ruptura. Essa abordagem é capaz de manter o valor básico da heteronomia – a exigência de manter o sujeito como um objeto, alguém que nunca tem liberdade absoluta devendo se sujeitar a todas as leis que regem os objetos. Essa atitude traz ao sujeito o respeito pela tradição, pela pesquisa científica, e um interesse por toda a realidade, uma verdadeira abertura para a complexidade. Essa atitude (1) protege o educando de cair no subjetivismo relativista, na medida em que inculca nele a consciência das leis que regem a realidade; (2) instila o respeito por essas leis como fatos da realidade que precisam ser entendidos e respeitados, não invenções sociais; (3) protege o educando da anarquia tornando-o útil e bem integrado à sociedade.

Por outro lado, o valor básico da autonomia também é mantido: é somente funcionando como sujeito que transcende os objetos que o homem poderá de fato compreender os objetos. O reconhecimento da unidade profunda da realidade mantém no educando a abertura à unidade, e conseqüentemente o guarda da fragmentação relativista da realidade. O sujeito teonômico está atento à toda a realidade, respeitando a multiplicidade das coisas, reconhecendo todas as instituições sociais, mas recusando-se resolutamente a ser tiranizado por um aspecto da realidade, ou ser reduzido a um único aspecto da realidade. Enquanto o autonômico é "livre" recusando toda a autoridade, o teonômico é livre recusando a tirania de uma única autoridade.

Isso dá ao educando uma atitude crítica. Ele é formado para discernir todo dogmatismo idólatra, não meramente em sua caracterização teológica, mas em suas múltiplas manifestações. Por exemplo, na perspectiva do conhecimento e da política: De que forma essa leitura da realidade está distorcendo a realidade a favor de uma única perspectiva? De que forma essa leitura da realidade está favorecendo um projeto tirânico?

Mas o ponto fundamental é que o educando mantém sua atitude funcional como sujeito não autônomo e objeto não heterônomo adorando ao Deus vivo e reconhecendo nele a fonte de toda a realidade, de toda lei e de todo sentido. A adoração a Deus é a força que mantém em equilíbrio a atitude crítica em relação à heteronomia e a atitude positiva em relação às leis que Deus instituiu.

Continua...

http://www.aecep.org.br/artigos/artigos_detalhes.asp?id=7

*

sexta-feira, 21 de março de 2008

ENCONTRO DE EDUCADORES



Quarta-feira, 12 de Março de 2008
Postado por Mauro Meister às 20:19

Já há algum tempo estamos envolvidos com a Educação Cristã Escolar e com vários eventos que reúnem educadores cristãos de nosso país. Quero apresentar aos leitores do Tempora a ACSI (Associação Internacional de Escolas Cristãs - Association of Christian Schools International) e o 7º Encontro Nacional da associação que será no próximo mês de maio, dias 01 e 02.


A ACSI foi fundada há quase 30 anos e dai em diante espalhou-se por mais de 100 países, 5000 escolas associadas e mais de 1.200.000 alunos. No Brasil ainda estamos nos 'humildes começos'. Temos cerca de 70 escolas associadas que atendem cerca de 18.000 alunos. Buscamos dar apoio aos educadores cristãos através da publicação de materiais de fundamentos filosóficos, práticos e didáticos para professores, além de eventos para diretores, professores e alunos, como olimpíadas de matemática e concursos de conhecimentos gerais, Bíblia, geografia e outros.

No dia 30 de abril teremos o Encontro para Diretores de escolas cristãs quando serão discutidos temas relevantes da administração escolar e o tempo é usado para compartilhar caminhos, dificuldades e soluções encontradas nas diferentes realidades das escolas brasileiras.

Dia 01 e 02 receberemos cerca de 400 educadores vindos de todas as partes do Brasil para dois dias de intensas atividades entre plenárias, oficinas e grupos de interesse. Confirmados para este ano já temos David Wilcox (Diretor de Assuntos Internacionais da ACSI Internacional), Estuardo Salazar (Diretor Regional da ACSI na América Latina), Fernando Capovilla (Professor da USP e autor), Solano Portela (Presidente do Conselho da ACSI-Brasil), Anita Gordon (Editora de Materiais Didáticos da ACSI Internacional), Augustus Nicodemus Lopes (Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie), Marta Franco Dias da Silva (Vice-Diretora da ACSI-Brasil e diretora da PACA),Steve Babbit (Diretor do Departamento de Publicações da ACSI Internacional), Paulo França e Helder Cardin (Professores do Seminário Bíblico Palavra da Vida), Cássio Miranda (Vice-Presidente do Conselho da ACSI-Brasil), Paulo Debs (autor e Ilustrador de literatura infantil), Débora Muniz,(Diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie - SP) e outros ainda estão por confirmar.

O tema geral do Congresso este ano é Ensinando para Transformar: Cultivando Potenciais em Cristo e as atividades serão no Campus do Mackenzie em São Paulo. Para conhecer mais sobre a associação e o congresso, você pode entrar em contato pelo site ou por email.

Materias publicados pela ACSI no Brasil:
Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Educação
Fundamentos da Psicologia da Educação
Fundamentos Pedagógicos da Educação
Enciclopédia das Verdades Bíblicas - Fundamentação para o Currículo Escolar Cristão
100 Idéias que Funcionam (Disciplina na sala de aula)
Sala de Aula, Disciplina e Gestão
Como desenvolver um modelo de ensino para a integração da cosmovisão



Para 2009: Série Ciências - Projeto Inteligente - livros didáticos para 2º e 3º do ensino Fundamental I e a continuidade das séries nos próximos anos, uma pareceria entre a área de publicações da ACSI e o Sistema Mackenzie de Ensino.

Creio que a Educação Cristã escolar é uma resposta de Deus a um chamado urgente na nossa nação, que é ensinar jovens e crianças com uma visão cristã de mundo, envolvendo, é claro, todas as áreas do conhecimento. Particularmente, conto com suas orações, apoio e divulgação.

Mauro Meister
Marcadores: ACSI, Educação Cristã
Fonte do Artigo

Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

Ainda sobre Darwin...



Ainda sobre Darwin...
Postado por Augustus Nicodemus Lopes às 12:04

A entrevista abaixo foi concedida ao jornal Brasil Presbiteriano. Trata da realização em abril do Simpósio "Darwinismo Hoje," assunto de post anterior nesse blog.

BP: O senhor foi o idealizador do simpósio sobre Darwinismo? De quem partiu a idéia inicial de propor essa discussão no Mackenzie?

AUGUSTUS: "A idéia de propor essa discussão no Mackenzie partiu da Chancelaria mesmo. Ela nasceu da constatação de que sendo a Universidade o lugar apropriado para o debate dos contraditórios, precisamos refletir isto na prática. Mas o que acontece na realidade é que antigos paradigmas acabam por dominar o cenário acadêmico e não abrem espaço para este debate. É o caso com o Darwinismo, que como teoria científica e filosófica mais aceita acaba dominando o pensamento nas várias áreas da Academia, com pouco ou nenhum espaço para que se ouça o que cientistas que esposam outras teorias têm a dizer. Daí, a idéia de um Simpósio onde se possa ouvir o outro lado."

BP: O senhor imagina que, pelo Mackenzie ser uma instituição de caráter confessional, haverá, quanto a isso, alguma polêmica (além da que o assunto do simpósio, por si só, irá gerar)? Algo como o Mackenzie estar realizando um evento dessa natureza para promover o ponto de vista cristão a respeito da criação do mundo e das espécies?

AUGUSTUS: "É possível que surja alguma polêmica. Todavia, o Mackenzie está perfeitamente dentro do seu direito, pois como instituição de ensino superior confessional ela atende a uma ideologia específica, um direito que é garantido pelo Artigo 20 da Lei de Diretrizes e Bases: 'As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas'. Esse artigo dá ao Mackenzie o direito de ser uma universidade cristã. Como tal, dentro desse direito, a universidade pode apresentar alternativas ao modelo evolucionista, que por sinal, já anda bem desgastado."

BP: O pouco que sei sobre a Teoria do Design Inteligente é que defende que a natureza foi planejada, projetada, e que se deve empreender uma investigação prática sobre a origem desse projeto ou desse design: se ele é fruto de uma organização proposital, talvez de uma mente criadora, superior, ou fruto do acaso ou de leis naturais. O senhor poderia explicar melhor essa teoria e o que pensa a respeito dela?

AUGUSTUS: "Na verdade, o Design Inteligente não pretende postular uma teoria das origens. Boa parte dos teóricos do Design Inteligente nem religiosos são. O que eles pretendem é chamar a atenção do mundo científico para o fato de que o Darwinismo com sua teoria da evolução das espécies não consegue explicar de maneira satisfatória determinados mecanismos e processos naturais descobertos pela bioquímica e outras ciências. Tais mecanismos, como o motorzinho das células, são por demais completos e complexos, sendo praticamente impossível considerá-los como fruto de um processo evolutivo movido ao acaso. A evidência, segundo os teóricos do Design Inteligente, aponta para um design, um propósito por detrás do desenvolvimento desses processos e mecanismos. Eles não chegam a postular que o designer desse processo é Deus, pois não querem levar o debate para a área religiosa, mas mantê-lo dentro do escopo científico."

BP: Quanto ao darwinismo ou neodarwinismo, como alguns chamam, muitos cristãos tendem a rejeitar essa teoria sem conhecê-la ao menos um pouco, dizendo até que Darwin afirmou que os humanos descendem dos macacos, o que não é exato. Outros, por outro lado, tentam descobrir pontos em que o darwinismo e o criacionismo poderiam se encontrar e não se contradizer, dizendo que talvez a forma como Darwin descreve a evolução das espécies tenha sido a forma como Deus trabalhou na criação do Universo e do homem. O que o senhor pensa sobre o darwinismo e essas formas de muitos cristãos o encararem?

AUGUSTUS: "É verdade que muitos cristãos tomam conhecimento da teoria da evolução através da versão oficial triunfante e sem nenhum questionamento, o que é deplorável. Eu pessoalmente creio que não há problemas em aceitar o que se chama de micro-evolução, ou seja, que os organismos de uma mesma espécie, com o tempo, se adaptaram e se desenvolveram, sobrevivendo os mais aptos por meio de um processo natural de seleção embutido na própria natureza desde a sua criação por Deus. Creio que existe abundante evidência desse fato, que em nada contradiz o pensamento cristão. Não creio que os cristãos tenham problemas quanto à micro-evolução. A dificuldade maior é quanto à macro-evolução, que postula o surgimento de espécies novas a partir de outras, como o surgimento do homem a partir de espécies inferiores. É verdade que Darwin não defendeu diretamente que o homem descende do macaco. Ele não mencionou a evolução humana no “Origem das Espécies”. Todavia, na sua teoria de descendência comum defendida em seu outro livro The Descent of Man [“A Origem do Homem”] Darwin ensina que o homem traz na sua estrutura corporal traços nítidos de sua descendência de formas inferiores. Ele diz que seu objetivo é mostrar que não existe diferença fundamental entre o homem e os animais superiores nas suas faculdades mentais, e que a diferença na mente entre o homem e os animais superiores é de grau, e não de tipo. Logo, Darwin disse, ainda que indiretamente, que o homem descende do macaco.

Muitos têm procurado uma conciliação entre Moisés e Darwin, os chamados evolucionistas teístas, que geralmente consideram Moisés como poesia e mito e Darwin como a expressão correta da realidade. O fato é que existe uma incompatibilidade radical entre os dois. A teoria da seleção natural de Darwin rejeita uma causa sobrenatural para esse processo. Asa Gray, um botânico americano, cristão, foi um dos primeiros a sugerir um “plano divino” dentro da teoria da evolução. Darwin protestou veementemente, numa carta a Lyell. O processo de evolução darwinista é mecanicista e a seleção natural é um processo cego, aleatório, e sem nenhuma intenção. Isso contraria a posição criacionista onde Deus é a fonte e o sustento de toda a sua criação.

Além disso, considerar os capítulos iniciais de Gênesis como lenda e mito cria um problema enorme para os cristãos, pois coloca como mito não somente as origens do mundo e do homem, mas também outros fatos como a queda do homem, tirando as bases históricas e teológicas para a antropologia e a soteriologia bíblicas. Dessa forma, se abre a porta para considerar como mito todo o restante da chamada "pré-história" de Gênesis, que são os capítulos de 1 a 12. Muitos evolucionistas teístas acham que Adão, Abraão, Moisés, etc. são figuras mitológicas, criadas pela imaginação religiosa dos judeus. Na hora que abrirmos a porteira em Gênesis 1-3, ela estará aberta para considerarmos como mito o resto da Bíblia."

BP: Sobre o criacionismo, os que nele acreditam são muitas vezes chamados de ingênuos ou crédulos, pois não há, até onde eu sei, suficientes evidências científicas que o comprovem. Há até entre os cristãos pessoas que defendem que a descrição da criação do mundo e do ser humano em Gênesis é uma figura ou faz parte de uma mitologia encontrada também em outras religiões antigas. O que o senhor acha dessa forma de pensar e qual é sua opinião sobre a origem do mundo e do homem?

AUGUSTUS: "Existem diferentes linhas criacionistas. Entre elas, existe o chamado criacionismo científico que tenta provar cientificamente que o mundo foi criado por Deus conforme relatado em Gênesis 1-2. Todavia, a linha criacionista predominante é que as origens do universo não podem ser descobertas por meio dos métodos empíricos da ciência moderna, e são mais uma questão filosófica e teológica. Dessa forma, os cientistas deveriam se ocupar em entender como o mundo funciona, deixando a questão das origens para filósofos e teólogos. Quanto à existência de relatos da criação do mundo na literatura religiosa de outras religiões, isso pode ser explicado pela necessidade fundamental que o homem tem de buscar as origens; seu espírito idólatra o leva a conceber a criação no âmbito da imaginação mitológica. Ainda que existam centenas de 'mitos da criação', em quase todas as culturas, nenhum se aproxima do relato bíblico. Não há evidência alguma de que Moisés teria copiado relatos babilônicos ou egípcios da criação do mundo, mesmo que vários deles sejam anteriores ao relato mosaico."

Fonte do artigo

Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

Em São Paulo, ensino integral não melhora nota de alunos

21/03/2008 - 02h30
Em São Paulo, ensino integral não melhora nota de alunos

da Folha Online

Mais tempo na escola não resultou em melhores notas dos estudantes na rede estadual de São Paulo, de acordo com reportagem de FÁBIO TAKAHASHI publicada na edição desta sexta-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL).

Levantamento realizado pela Folha com base nos dados do Saresp 2007 (exame aplicado pelo governo paulista) mostra que, das 60 escolas com período integral na capital, apenas quatro tiveram notas superiores às médias das demais unidades de suas regiões.

Esses resultados referem-se à prova de matemática de 4ª e 8ª séries. O panorama foi semelhante em língua portuguesa. Clique aqui para ver a comparação entre as notas.

Conforme a reportagem, o programa Escola de Tempo Integral foi lançado no início de 2006 pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e elevou a jornada diária de cinco para nove horas. Ele é elogiado pelos educadores, porém é criticado pela forma como foi implementado. A principal reclamação é a de que não houve planejamento para as atividades extras nem uma melhoria da estrutura física das escolas.

"Esse resultado no Saresp não é uma surpresa. Os alunos ficam mais tempo nas escolas, mas sem atividades articuladas com as disciplinas", disse o presidente da Udemo (sindicato dos especialistas da rede estadual), Luiz Gonzaga Pinto. Já para o presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Carlos Ramiro de Castro, as dificuldades refletem problemas da rede. "Há, por exemplo, falta de recursos humanos. Além disso, 70% das bibliotecas estão fechadas. Como deixar as crianças na escola o dia todo nessas condições?" disse.

Fonte

Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

domingo, 2 de março de 2008

ENTREVISTA COM SOLANO PORTELA, UM EDUCADOR REFORMADO E CALVINISTA


Educação - Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?

Analisando friamente os números, a educação básica vive, nos últimos sete anos, um período de retração. Por exemplo, no ensino fundamental (1ª a 8ª série), a rede pública, gratuita, mantém a quantidade de alunos (32 milhões - MEC-Inep), enquanto a rede particular tem progressivamente encolhido (15%). Isso ocorreu exatamente quando houve ampliação da capacidade nas escolas. As escolas sentem diretamente o reflexo do empobrecimento geral da classe média e da decrescente taxa de natalidade dos últimos anos. A escola particular, pressionada financeiramente pelo descompasso entre investimento e recrutamento, tem a tendência de sacrificar a qualidade de ensino exatamente quando os indicadores internacionais mostram a necessidade de elevarmos qualitativamente o nível dos nossos alunos.

Na formação dos professores, atravessamos décadas de um ensino meio utópico e idealista, no qual a ênfase na liberdade de quaisquer diretrizes, a concentração quase exclusiva no método e a retirada do mérito, como incentivo e forma de aferição, diluíram consideravelmente a qualidade do ensino. Os alunos deixaram de ser preparados para o mundo real, competitivo, no qual importa, sim, o que você sabe. Conteúdo virou termo pejorativo nos círculos pedagógicos. Atravessamos uma situação semelhante à descrita por um educador norte-americano (J. Gresham Machen) quando, comentando sobre a ênfase desmedida no método sem a importância necessária ao conteúdo, escreveu: "Fizemos uma grande descoberta pedagógica - que é possível pensar com uma mente completamente vazia!" Felizmente, parece que décadas de resultados desastrosos começam a acordar os nossos educadores, que passam a dar mais importância a valores, princípios, diretrizes, disciplina e, também, conteúdo - sem descartar ou negligenciar as melhores metodologias.

Educação - Quais foram as grandes mudanças pelas quais o ensino passou nos últimos tempos? O que é necessário para ser um bom colégio atualmente?

Com certeza a grande mudança metodológica é na tecnologia de informação. Hoje não se pode conceber o ensino que não utilize o computador com a tranqüilidade e facilidade com que papel e lápis têm sido utilizados.

Na área social, observamos o enfraquecimento da esfera da família. Isso tem profundos reflexos no conceito da escola, que passa a ter de trabalhar situações que antes eram abrigadas no seio familiar. Em paralelo, observamos conseqüentes tentativas de transferência de responsabilidades da família para a escola, forçando uma redefinição das áreas e dos limites. Por incrível que pareça, o colégio vê-se, freqüentemente, na qualidade de instrutor dos pais.

Para ser um bom colégio, atualmente, o ensino encontrado nele deve ser firmado em valores e princípios, de tal forma que esse ambiente e contexto permeie todas as disciplinas. A sociedade está cansada de uma educação amorfa e permissiva. Existe um anseio pelos valores de uma tradição bem firmada que dê aos alunos igual ênfase à modernidade e à visão do futuro. Não podemos simplesmente educar para o presente (e muito menos para o passado). Os colégios precisam equipar os alunos para que enfrentem os desafios do futuro com pleno conhecimento e habilidades que se enquadrem na época em que viverão a qual ainda não foi atravessada. Em um bom colégio, portanto, tanto a escola como as professoras e os professores têm que ser um pouco visionários. Não podem ser refratários a métodos contemporâneos à ampla utilização da informática. Devem dominar e equipar seus alunos a controlar o fluxo desmedido de informação no qual estão submersos.

Na esfera moral, esse controle, obviamente, parte pela adoção de valores éticos, principalmente porque vivemos em uma era onde é incentivada a sexualidade precoce e onde se jogam as crianças e os adolescentes em interações para as quais não possuem ainda a necessária maturidade. Em vez de policiamento ostensivo, o colégio deve promover, sobretudo, o desenvolvimento de autocontrole, considerando que as portas de acesso de idéias destrutivas e contaminadoras do progresso pessoal e de uma vida responsável estão escancaradas no lar, na rua e na escola. Perdemos o progresso suave que ia da inocência à maturidade responsável e temos de resgatar esses estágios, possibilitando que crianças sejam crianças e não adultos prematuros, maldosos e cheios de segundas intenções, sob a cobertura de uma falsa e enganosa "liberdade de expressão". Programas governamentais que incentivam promiscuidade, sob a falsa capa de transmissão de informações sexuais, devem ser veementemente resistidos e denunciados.

A escola que se rende à dissolução moral, adotando a linguagem e os métodos rasteiros da sociedade, com o argumento de que é assim mesmo e não se consegue mudar, é assumir a falência do sistema educacional e se entregar à derrota, como pedagogos. Os educadores devem se empenhar a fundo em uma reorientação da forma de educar e no fornecimento de ferramentas comportamentais e de controles aos jovens colocados sob seus cuidados. Isso não é possível sem âncoras metafísicas de valores e princípios; sem um fio de prumo que mostre se o edifício que se pretende erguer caminha para o desastre final, por terem sido utilizados materiais duvidosos, construção inadequada e métodos falhos.

Educação - Quais são os grandes desafios atuais para um bom professor? Que concepções mudaram em relação ao professor do passado?

Já está sedimentado que o professor discursivo não é eficiente, mas demos uma guinada demasiada encorajando professores passivos. A autonomia desmedida nas salas de aula, a quebra da autoridade do professor, a falta de respaldo ao respeito devido nas salas de aula são elementos prejudiciais a uma boa educação e à dignidade da profissão.

O grande desafio é, portanto, o professor ser produtivamente interativo, metodologicamente atualizado, informaticamente alfabetizado e que faça parte de uma escola que tenha filosofias e valores definidos, os quais abrace e defenda e com os quais comungue.

Fonte:
http://tempora-mores.blogspot.com/2008/02/entrevista-revista-educao.html

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

INCLUSÃO DUVIDOSA

Agência FAPESP – As políticas de inclusão digital, que estimulam o uso de computadores nas escolas, podem estar gravemente equivocadas, de acordo com um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa mostra que o uso de computadores para fazer tarefas escolares está relacionado ao pior desempenho dos alunos – principalmente entre os mais pobres e mais jovens.

O trabalho, publicado na revista Educação e Sociedade, foi coordenado por Jacques Wainer, do Instituto de Computação, e por Tom Dwyer, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. A equipe utilizou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2004.

“Existe hoje uma posição dominante favorável ao uso do computador nas escolas, como se ele estivesse associado a uma melhoria uniforme no desempenho do aluno. Mas constatamos que ocorre o contrário: entre alunos da mesma classe social os que sempre usam têm pior desempenho”, disse Wainer à Agência FAPESP.

Do ponto de vista de políticas públicas, o estudo aponta que é preciso entender melhor o fenômeno do impacto dos computadores nas notas dos alunos antes de defender a inclusão digital baseada na distribuição de tais equipamentos.

“Idéias como a de dar um laptop para cada criança parecem péssima opção, principalmente considerando que ele piora o desempenho escolar entre as crianças mais pobres. Corremos o risco de transformar a inclusão digital em uma exclusão educacional”, afirmou Wainer.

Segundo ele, a pesquisa foi derivada do Mapa da Exclusão Digital, publicado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro em 2003. O documento apontava um melhor desempenho no Saeb entre os estudantes que tinham computador em casa.

“O documento dava um argumento favorável às políticas de inclusão digital. Mas havia problemas metodológicos: em geral quem tem computador em casa são os alunos mais ricos, que normalmente têm melhor desempenho. Para eliminar esse viés resolvemos considerar a classe social e focar no uso para tarefas escolares”, explicou.

O Saeb de 2004, segundo Wainer, prestava-se ao propósito, uma vez que incluía uma pergunta sobre a freqüência com que os alunos utilizavam o computador para tarefas escolares: nunca, raramente, de vez em quando e sempre.

“Usamos esses dados sobre alunos de 4ª e 8ª série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio e pudemos avaliar a variação do desempenho nas provas de matemática e português de acordo com a classe econômica, dividida em sete estratos”, explicou o professor do Instituto de Computação da Unicamp.


Sem solução mágica

Os resultados mostraram que, na 4ª série, os estudantes de classe alta que usaram raramente o computador para as tarefas tiveram, em média, 15 pontos a menos do que os que nunca o fizeram – tanto em português quanto em matemática.

Dentre os mais pobres os que usaram o computador, mesmo raramente, tiveram nota pior do que os que nunca usaram, com uma diferença média de 25 pontos em português e 15 pontos em matemática. “O resultado mais importante, no entanto, surgiu quando os estudantes disseram sempre usar o computador. Entre esses, não importou a classe social ou disciplina, o desempenho foi sempre pior do que entre os que nunca usaram”, disse Wainer.

Entre os alunos da 8ª série, o quadro foi semelhante, mas houve uma melhora na prova de português entre os alunos que usaram raramente o computador. Em matemática, a diferença não foi significativa. “Mesmo assim, na 8ª série os mais pobres que usaram raramente ainda se saíram pior do que os que nunca usaram. Entre os mais ricos, os alunos que usaram raramente estiveram um pouco melhor do que os que não usaram”, contou.

Em matemática, para a maioria das classes sociais da 8ª série, os alunos que usaram raramente o computador se saíram melhor do que os que nunca o fizeram. “Por outro lado, quem usou sempre teve desempenho pior do que os que nunca usaram, em todos os casos”, destacou Wainer. Todos os dados passaram por teste de significância estatística, para eliminar o chamado ruído estatístico.

Segundo Wainer, a pesquisa constata apenas estatisticamente que os alunos que sempre usam o computador para suas tarefas têm pior desempenho. Mas não há dados para explicar por que o uso intenso piora as notas e por que o efeito é mais grave entre crianças de classes sociais mais baixas.

“Só podemos especular sobre os motivos. Para conhecê-los será preciso que outros especialistas utilizem ferramentas diferentes para realizar estudos qualitativos. O importante é destacar que os resultados são coerentes com outros estudos internacionais”, afirmou.

O pesquisador destaca que a avaliação de que o computador é uma ferramenta neutra é equivocada. “Como o computador é bom para nós, professores, por exemplo, tendemos a achar que ele é útil para todos. Mas ele não é uma solução mágica para a educação”, disse.

Para ler o artigo Desvendando mitos: os computadores e o desempenho no sistema escolar, de Jacques Wainer e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

13/02/2008 - Por Fábio de Castro - Fonte: Clique Aqui.

Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

I ENCONTRO DE PROFESSORES DE OSASCO E REGIÃO...

TEMA: A CONTRIBUIÇÃO DO PENSAMENTO REFORMADO PARA A TRANSFORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
Comunidade no Orkut...

Sábado: 15/Março/2008 – Das 8 h às 13 h

Ciência e Fé... se Misturam?
Prof. Msc. Adauto Lourenço - (Pesquisador/Fapesp)/Apresentação em Vídeo/DVD

Uma Avaliação Teológica Preliminar de Jean Piaget e do Construtivismo
Escritor e Prof. Msc. Solano Portela – (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

A Essência e a Relevância de Comenius, o Pai da Pedagogia para a Educação Atual?
Escritor e Prof. Dr. Edson Pereira Lopes – (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

O Professor Reformado – Uma Introdução
Prof. Mestrando Luis Cavalcante – (Instituto de Educação e Cultura Reformada)

Debate e Reação

Realização:
Instituto de Educação e Cultura Reformada

Local:
Igreja Presbiteriana de Osasco
Rua Rev. Paulo Lício Rizzo, 207 - Osasco - SP - Telefone: 3682-3075 (Ao lado da Câmara Municipal de Osasco)

Entrada: Um Kilo de Alimento Não Perecível

VAGAS LIMITADAS E COM CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO!

Fone: (11) 9675-4019
Inscrição pelo e-mail: prof.luiscavalcante@bol.com.br ou cavalcante@icavalcante.net

Comunidade no Orkut...

*
Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

I Simpósio Internacional – DARWINISMO HOJE - UPM nos dias 08 a 10 de abril 2008

I Simpósio Internacional – DARWINISMO HOJE - UMP nos dias 08 a 10 de abril 2008 LEIA MAIS

O I Simpósio Internacional – DARWINISMO HOJE é uma iniciativa da Universidade Presbiteriana Mackenzie e reúne pesquisadores no campo das diferentes áreas do saber, com a finalidade de integrar esforços para promover um amplo debate sobre as interpretações do Darwinismo, Criacionismo e Design Inteligente.

Sendo a Academia o lugar propício para o debate, é imprescindível que se apresente o contraditório e, por isso, embora o Darwinismo tenha se tornado um paradigma científico, outras interpretações, movidas por diferentes cosmovisões são aceitas e difundidas e defendidas cientificamente.

O tema está dividido em três grandes eixos:

* Darwinismo
* Criacionismo
* Design Inteligente

Visando à integração de um processo de aprimoramento científico, é imperioso que a Universidade Presbiteriana Mackenzie se abra para o estudo do paradigmático ao contraditório, do Evolucionismo ao Criacionismo.

O evento realizar-se-á nos dias 08 a 10 de abril 2008
Maiores Informações no link: INSCRIÇÃO...

COMUNIDADE NO ORKUT...

Sobre os Palestrantes

Dr. Aldo Mellender de Araújo
Possui graduação em História Natural (1967) e doutorado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1973). Realizou estágios na University of Liverpool (1975) e na Cornell University (1976), sobre história da genética e evolução. Atualmente é professor titular do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IB - UFRS), atuando na área de história e epistemologia das idéias sobre evolução biológica.

Dr. Paul Nelson

Paul Nelson é filósofo da Biologia, especializado em biologia do desenvolvimento. Tem um PhD em Filosofia pela Universidade de Chicago. Sua tese, publicada sob a forma de livro pela Universidade de Chicago, oferece uma crítica a aspectos da teoria da macroevolução à luz dos desenvolvimentos mais recentes na embriologia e da biologia do desenvolvimento. Nelson é membro da International Society for Complexity, Information and Design [Sociedade Internacional para a Complexidade, Informação e Design] e do Centro de Ciências e Cultura do Discovery Institute. Autor de vários artigos científicos em revistas especializadas.

Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira
Engenheiro Mecânico-Eletricista pela USP, Livre-Docente e Catedrático de Mecânica dos Fluidos na EESC-USP. Tem vários livros e artigos científicos publicados. É Presidente e Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira.

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A SUPERIORIDADE MORAL DOS ATEUS, CÉTICOS E RELATIVISTAS



Este texto eu escrevi em 22 de julho de 2002 e publiquei no meu jornalzinho que divulgava na UFPa. Fala sobre a pretensa superioridade moral e intelectual do ateísmo e ceticismo militante, em particular, do materialismo como pensamento ideológico nos meios ditos "letrados". Algumas pessoas achavam que era uma crítica à religião, já que é normal que os acadêmicos universitários, tendo banido Deus das discussões filosóficas, presumem-se os suprasumos da moralidade e da inteligência. O título do texto, por si só, não deixa de ser irônico.

Nos centros intelectuais, é modismo dos militantes da intelectualidade e da inteligentsia, o posicionamento do ceticismo, do relativismo e do ateísmo como sinônimos de inteligência abençoada contra a ignorância congênita da fé religiosa e da moral cristã. O pressuposto intelectual do relativismo, do ceticismo e do ateísmo em certos intelectuais é de que seu posicionamento ideológico pressupõe um certo grau de santidade, ou de superioridade moral sobre os religiosos ou moralistas. “A religião é o ópio do povo”, reverberam esses iluminados intelectuais. Ou pérolas como “a religião só trouxe violência, sangue e intolerância”. Malgrado a crítica contra a fé, contra Deus, contra a Cristandade e toda a natureza de chavões a fim de chocar pobres beatas, os céticos, relativistas e ateus citam toda a sorte de malefícios da fé religiosa: inquisição, perseguições em massa, fogueiras santas, violações da liberdade de consciência, superstições, fanatismo, etc. Esses intelectuais, filhotes da prepotência típica do materialismo e do niilismo do século XIX, misturada à fé sacrossanta na ciência, esquecem das conseqüências que suas crenças causaram no século XX. A “razão”, a “dialética”, a “biologia das raças”, a “ciência natural” e toda essa credulidade associada às convicções políticas nos legaram mais sofrimento, mais violência, mais perversões morais e filosóficas do que a religião em mais de dois mil anos de história!

Não há nada intrinsecamente mal em ser ateu, cético ou relativista. Existem pessoas movidas pelo bom senso que não se viciam pelo aval de suas aparentes descrenças. Contentam-se apenas em desacreditar e não incomodar o resto. Não há nada que os comprometam moralmente, embora haja uma aparente contradição: um cético ou um relativista, ou mesmo um ateu, por mais que seja um niilista filosófico, a sua forma de valorizar, praticar ou crer na moralidade é uma posição que contradiz seus postulados ideológicos. Podemos dizer que alguns deles, sob determinados aspectos, são moralmente mias religiosos do que muitos crentes em Deus. Todavia, tampouco há algo que os incline a serem melhores ou mais moralistas do que os religiosos e ascetas. Nem mesmo se pode afirmar que o cético tenha algum pressuposto maior de tolerância do que o religioso. E é neste sentido que o relativismo, o ateísmo e todos os materialistas não estão isentos dos crimes tão ou mais cruentos quanto os crimes atribuídos à religião. Pelo contrário, a relativização de tudo encontrou terreno muito maior na intolerância e no despotismo do que a mera crença moral ou religiosa. Por uma razão muito simples: a descrença em todo tipo de verdade e todo tipo de princípio moral acabou levando às pessoas a não justificarem suas crenças, mas sim impô-las, sobrepujando a tendência racional de justificar uma verdade, pela persuasão arbitrária. Na prática, sem os critérios básicos de referência entre verdade e erro, as idéias acabam por se tornar a imposição da “verdade” contra a “verdade” de outro. Se não há pressupostos morais e éticos que imponham referências ou limites à imposição e ao poder, logo, para todos os efeitos, tudo é permitido, inclusive a violência, em razão de um interesse, que não se acredita verdadeiro, porém, conveniente. Se na visão cética, a busca da verdade se presume uma total alienação dogmática da realidade, a descrença total na verdade levou a uma espécie muito mais perversa de alienação e dogma, embasada na desmotivação, na indiferença e na negação de tudo o que o homem até então havia criado. A contradição intrínseca do ceticismo, do relativismo e de muitos ateus é a de que a afirmação categórica da inexistência da verdade acabou por se tornar um dogma do século XX, uma verdade absoluta.

Se o ceticismo, relativismo e o ateísmo se tornam dogmas, logo, para se “provar” o dogma, cabe destruir tudo que seja contrário a ela. E aí entra o papel dos intelectuais, como substitutos da moral religiosa e da ética política. Se a religião desenvolveu um conjunto de doutrinas morais e filosóficas de explicação do mundo, os intelectuais modernos inventaram outra forma de religião camuflada: a ideologia. A ideologia pouco difere da religião, em sua construção lógica. O destaque para a diferença é que a ideologia assume uma espécie de religiosidade caricatural, doentia e vazia. Ela possui todos os ingredientes de uma fé sectária: premissas absolutistas e uma lógica que explica toda a realidade por si mesma. Ou seja, a ideologia constrói uma lógica coerente, embora suas premissas dogmáticas fujam da realidade. Na verdade, como já diziam alguns filósofos, a ideologia é um novo ocultismo gnóstico, cuja demência presume sacrificar a realidade pela idéia. O que era antes a metodologia na construção de um pensamento, no caso a lógica ou a dialética, acaba por se tornar um fim em si mesmo. A ideologia, antes de apresentar contradições intrínsecas à realidade, dentro da dialética como princípio lógico, acaba por justificá-la como “síntese”, ao invés de negá-la. O procedimento dialético não se torna apenas um método; é a explicação mesma da realidade. Mais precisamente, a dialética possui um subterfúgio que a omite de seu próprio auto-engano: se tudo é relação de contrários, logo, a premissa que contradiz o que é dialético está dentro de sua redoma dialética, portanto, afirmando sua própria gênese de movimento. Contudo, há uma grave contradição: se “tudo é dialético”, logo, a dialética se contradiz em seu contrário anti-dialético, que por sua vez, acaba por afirmar que nem tudo é dialético. No final, a dialética como razão de tudo acaba num completo absurdo lógico.

Se a ideologia cumpre seu papel lógico de justificativa de tudo, ainda que não preste contas à verdade, a relativização de tudo implica afirmar que toda a ideologia não se torna um pressuposto de verdade, e sim de instrumento de movimento, seja da política, das massas ou da história. Por mais que tais ideologias pressuponham explicar noções abstratas e acima dos homens, elas mesmas se assumem como mentirosas, na essência, já que o postulado da verdade não existe. O mantra do “tudo é relativo” é tão condizente com o “tudo é dialético”, pois ambas entram em surto lógico. Haja porque se “tudo é relativo”, até o relativo se relativiza e a premissa se auto-nega. Se muitos intelectuais relativistas e céticos se pautavam na negação da toda verdade absoluta, por outro lado, negando todas as verdades, acabaram por impor na marra as suas “verdades”, com os instrumentos da manipulação ou mesmo da coerção. Em particular, usaram os mecanismos despóticos de poder político: o Estado totalitário e o Partido único onipotente. O “intelectual orgânico” de Gramsci, a “consciência de classe” marxista-leninista, e “revolução cultural” de Mao Tse Tung, tal como a força da “vontade política” de Karl Schmidt, foram os instrumentos de molde ideológicos que os intelectuais e engenheiros sociais de laboratório inventaram para domesticar o homem. A função do “intelectual orgânico” de Gramsci não é mais a clássica busca da verdade e do conhecimento e sim o zelo pela “pureza ideológica” do Partido, expandindo-a a ponto de transformar a cultura humana mesma na extensão da ideologia partidária. A “consciência de classe” tão alardeada por Marx e Lênin é uma casta de “eleitos” pela história, que se preza a dominar toda uma sociedade, em nome da tirania da maioria. A “revolução cultural”, produto preparado por Gramsci e aplicado fielmente pelos regimes comunistas, entre os quais o chinês, foi o método estatal ditatorial expurgar quaisquer tipos de pessoas ou idéias “indesejáveis” ou “contra-revolucionárias”, através de uma completa lavagem cerebral na consciência particular dos cidadãos. A “vontade política” nazista de Schmidt é o pressuposto da força e da violência como fator determinante ao zelo mais alto da legitimidade política, pouco importando o bom senso ou a felicidade dos governados. Enfim, as ideologias materialistas de grande parte dos intelectuais modernos conspiram contra a liberdade humana, no intento de revolucionar o homem. Tais pensamentos visam homogeneizá-lo, “totalizá-lo”. O materialismo como crença pressupõe que os indivíduos sejam seres previsíveis, domesticáveis por alguma ordem mecânica, alguma “lei” com que possa ser lapidar e manipular a humanidade como uma raça amestrada pelo meio. Tais filosofias negam a importância das escolhas autônomas da pessoa humana e supõe como absoluto a “sociedade”, o “coletivo”, em algo compacto e uniforme, anulando qualquer forma de diferença.

O “homem ideal”, o “novo homem socialista”, tão idealizado pelos intelectuais materialistas fanáticos e por revolucionários sanguinolentos, não passa de um homem artificial, criado pelo imaginário da inteligentsia. No aval de derrubar o poder de Deus no céu, eles querem usurpar-lhe o lugar. Porém, a militância intelectual contemporânea, em suas várias facetas ideológicas, não somente construiu seu pensamento no niilismo filosófico, como também foram precursoras dos sistemas mais tirânicos que a humanidade já escreveu na história. Ao contrário do que se pensa, o totalitarismo nazista e comunista não foi mero produto de um irracionalismo amalucado de militantes profissionais e desajustados. Ele encontrou acolhida em grande parte dos intelectuais, que via nestes movimentos políticos, a causa matriz de suas próprias ideologias de luta de classe, de raças, etc. Antes da ralé nazista e bolchevista tomar o poder, as ideologias de violência e de revolução ocupavam os meios intelectuais e universitários como a expressão da mais alta cultura.

Os campos de concentração, o extermínio em massa de dissidentes, de judeus, de religiosos e de toda a natureza de indesejáveis foram conseqüências da idéia de que os movimentos totalitários cumpriam um ciclo racional da “luta das raças” ou da “dialética histórica da luta de classes”. A crença relativista acabou por consagrar que toda a história é “filha de seu tempo”, que não há nada atemporal que pudesse julgar os crimes que estavam sendo cometidos em nome de pensamentos tresloucados. Os religiosos, como contestadores dessa nova idolatria, foram condenados, vilipendiados, rotulados como “ignorantes”, “fanáticos”, “supérfluos”, “anti-científicos”, quando o século XX suscitou mais perseguições religiosas e crimes do que as piores perseguições ministradas por religiosos. Os judeus e cristãos pagaram tanto mais com suas vidas, como qualquer outra vitima de perseguição a hereges e ateus. Aliás, perseguições muitas vezes patrocinadas pela intelectualidade niilistas, que ao negar toda a verdade absoluta, a moral e a religião, endossava a matança de milhões de pessoas, em nome do fanatismo da descrença total. Toda sua relativização ideológica acabou se transformando numa isenção completa de consciência moral, pressupondo forjar e moldar a humanidade à sua imagem e semelhança.

O século XX foi povoado de ateus, céticos e relativistas cínicos, sanguinários e desumanos, cuja descrença (ou crença) no nada, cujo desprezo niilista pela humanidade se compactuou perfeitamente com a falta de perspectiva e confiança no homem. Qual o pressuposto moral superior dos ateus, céticos e relativistas com relação aos religiosos? A resposta é nenhum. Ambos são capazes, em nome da fé, da religião, da política, da ideologia ou até mesmo em razão da crença ou descrença absoluta, de patrocinarem tantas atrocidades possíveis. Da mesma forma que o amor à Deus não significa dizer que o fiel ame os homens, o mesmo se poderia dizer dos intelectuais materialistas que querem “transformar” o homem através da “revolução”. Ambos na prática, talvez só amem seus próprios egos e suas vaidades. Pelo menos, o que consola na religião é o princípio que implica a esperança, na continuidade e na eternidade, além da referencia moral que os ocidentais herdaram do Cristianismo e Judaísmo. Neste aspecto, tanto melhor isso do que a filosofia de desespero do niilismo intelectual.

Fonte: http://www.cavaleiroconde.blogspot.com/

Postado pelo Prof. Luis Cavalcante

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

HERMAN DOOYEWEERD, PIONEIRO DA FILOSOFIA CALVINÍSTICA - "O filósofo mais profundo, inovador e penetrante desde Kant"

Apresentação por John Witte Jr., na introdução de "Uma Teoria Cristã de Instituições Sociais" (Herman Dooyeweerd, trad. Magnus Verbrugge. 1986, Fundação Herman Dooyeweerd.) Traduzido do Inglês com permissão por Guilherme Carvalho.



Herman Dooyeweerd nasceu em Amsterdã em 1894, filho de pais Calvinistas. Em 1912 ele se matriculou como um estudante de direito na Universidade Livre de Amsterdã, uma instituição Cristã fundada em 1880. Cinco anos mais tarde obteve o doutorado em direito. [A Dissertação de Dooyeweerd, De Ministerraad em Nederlandsche Staatsrecht (O Parlamento na Lei Constitucional holandesa) foi escrita sob a supervisão de D.P.D. Fabius, um teorista constitucional.] De 1918 até 1921 Dooyeweerd trabalhou no Departamento holandês do Trabalho como um escrivão legislativo. Do final de 1921 até à metade de 1926 serviu como diretor assistente da recentemente organizada Fundação Dr. Abraham Kuyper, um órgão de pesquisa e ação política do Partido Anti-Revolucionário dos Países Baixos (ver "O Legado de Kuyper," abaixo). Lá ele foi responsável não só pelo encaminhamento dos assuntos imediatos de política que surgiam diante do Partido Anti-Revolucionário, mas também pela elaboração dos princípios Calvinistas de lei, política, e sociedade sobre os quais Partido tinha sido estabelecido cerca de 80 anos antes. Foi ao se desincumbir desta responsabilidade - uma responsabilidade em que ele mesmo insistiu - que Dooyeweerd começou (1) a estudar sistematicamente as teorias Calvinistas tradicionais do direito, política, e sociedade; (2) a explorar as estruturas e organização de várias sociedades históricas; e (3) se empenhar criticamente numa grande variedade de teorias presentes e passadas de lei, política, e sociedade. Seu trabalho nestes quatro anos culminou em cinco artigos principais, incluindo um tratado de quinze partes, "Na Luta por uma Política Cristã" [Herman Dooyeweerd, "In den strijd om een Christelijke Staatkunde. de Proeve een fundeering der Calvinistische levens- en wereldbeschouwing in hare Wetsidee," I Antirevolutionaire Staatkunde (daqui em diante A.R.S.) 7-25 62- 79, 104-118, 161-173, 189-200, 228-244, 309-324, 433-460, 489-504, 528- 542 581-598, 617-634, (1924-5); 2 A.R.S. 244-65, 425-445 (1926). A.R.S. era o jornal mensal da Fundação Dr. Abraham Kuyper, que Dooyeweerd editou por vários anos. Este trabalho aparecerá como o volume B5 das Obras Completas de Dooyeweerd.] e uma importante monografia sobre “O Calvinismo e Lei Natural” (contido no volume B1 das Obras Completas de Dooyeweerd).



Em 1926 Dooyeweerd retornou à sua alma mater como um professor de filosofia do direito, história do direito holandês, e enciclopédia de leis. Ele reteve esta posição até sua aposentadoria em 1965. Nos primeiros cinco ou seis anos de sua docência, ele mudou o enfoque de sua pesquisa e publicações dos assuntos mais gerais de teoria política e social Calvinista para perguntas complicadas de doutrina e filosofia do direito. Em uma série de brilhantes artigos, ele analisou, historicamente e filosoficamente, as questões complicadas da causalidade jurídica, culpa, responsabilidade, propriedade, e fontes da lei. Desde o princípio, porém, ele insistiu em ver estas questões legais, como também questões de política e sociedade, no contexto de uma teoria mais ampla da natureza e destino do homem (antropologia), do ser e da ordem (ontologia), e do conhecimento e suas fontes (epistemologia). Nos anos 30 Dooyeweerd começou a elaborar sistematicamente e em detalhes estes três campos filosóficos para mostrar a sua importância na definição e solução de assuntos de lei, ciência política, sociologia, e muitas outras ciências. Primeiramente ele articulou suas visões em “A Crise de Teoria Política Humanística à Luz da Cosmologia e Epistemologia Calvinista (1931) (De Crisis der Humanistischen Staatsleer in het Licht eener Calvinistische Kosmologie en Kennistheorie [Amsterdã: 1931)]. Mas esse trabalho foi rapidamente eclipsado por sua revolucionária obra em três volumes, “A Filosofia da Idéia Cosmonômica” (1935-1936) [De Wijsbegeerte der Wetsidee (Amsterdã: 1935-36)]. Enquanto seus artigos de uma década antes tinham feito avanços apenas rudimentares nos ensinos Calvinistas tradicionais, as idéias e análises apresentadas nestes volumes posteriores eram contribuições profundas e originais, arraigadas no pensamento Calvinista. Eles permaneceram no centro de sistema filosófico do Dooyeweerd para o resto de sua vida. Sua obra nos quarenta anos seguintes era, em muitos aspectos, uma amplificação e aplicação das idéias seminais desenvolvidas neste período formativo. Ele ampliou sua antropologia e sua crítica de teorias tradicionais em uma série de artigos e revisões, e então em uma obra em três volumes, “Reforma e Escolasticismo em Filosofia” [volumes A5, A6 A7 das Obras Completas de Dooyeweerd]. Ele ampliou sua ontologia e epistemologia em vários artigos subseqüentes e em edições e traduções posteriores de sua “Filosofia da Idéia Cosmonômica”. Ao mesmo tempo, ele retomou seu tratamento detalhado das perguntas de lei, política, e sociedade com que ele começou sua carreira. Sistematizou muitos de seus conceitos de direito e política e “afiou” sua análise antiga da história de teoria legal e política em seu trabalho de dois volumes, “Enciclopédia de Ciência do Direito” [Encyclopacdie der Rechtswetenschap – a aparecer como volumes A8 - A12 das Obras completas de Dooyeweerd]. Ele elaborou também sua teoria social em vários artigos e revisões nos anos 40 e 50. Um dos mais importantes dentre estes trabalhos é a obra “Dez Conferências de Sociologia”, que é traduzida no volume mencionado acima nas Fontes - será republicado no B-Série do Obras completas de Dooyeweerd.



Dooyeweerd permaneceu um estudioso profundo e prolífico até à sua morte em 1977. No curso de sua vida, ele publicou mais de 200 livros e artigos, presidiu numerosas sociedades legais, filosóficas e simpósios, editou uma variedade de publicações acadêmicas e populares, e ensinou extensamente na Europa e América do Norte. Embora a novidade de suas idéias, e a acuidade de suas críticas outros pensadores tenha freqüentemente tornado o seu trabalho um objeto de controvérsia, Dooyeweerd angariou o respeito e o louvor tanto de aderentes como de antagonistas. Ele foi um líder Cristão polivalente ganhando a atenção dos estudiosos em cada disciplina na qual buscou integrar fé e conhecimento.

O legado de Kuyper

A Fundação Abraham Kuyper foi estabelecida com a morte de Kuyper (1837- 1920), um brilhante teólogo Calvinista, pastor, jornalista, e político. Como teólogo e pastor, Kuyper articulou uma teologia Calvinista sistemática rica, revitalizou as raízes do calvinismo nos Países Baixos, e liderou em 1886 a separação (Scheiding) das novas igrejas reformadas (Gereformeerde Kerken) da igreja reformada antiga (Hervormde Kerk). Como um político e jornalista, ele reorganizou o Partido Político Anti-revolucionário e o trouxe ao poder, servindo como Primeiro-Ministro dos Países Baixos de 1901 a 1905. Ao longo de sua carreira, Kuyper permaneceu comprometido com a aplicação de reformas a todas as veredas da vida. Nesse espírito, ele fundou a Universidade Livre de Amsterdã em 1880, exigindo na Constituição da Universidade que todas as esferas de erudição fossem imbuídas de princípios Calvinistas. Nesse espírito, ele apresentou também suas “Palestras sobre o Calvinismo” (em português; cf. "bibliografia comentada", na página principal) na Universidade de Princeton em 1898, articulando os princípios Calvinistas básicos de religião, política, lei, ciência, e arte. Nesse espírito também, seguidores de Kuyper (Colijn e Idenburg) articularam quando de sua morte a Fundação Dr. Abraham Kuyper, cuja missão é fornecer um foro para articular princípios Calvinistas de lei, política, sociedade e economia, em busca de soluções para assuntos específicos de política.

Apreciação de outros estudiosos

Em conclusão, três apreciações são mencionadas:
1. Dr. P.B. Cliteur, presidente da Liga Humanista dos Países Baixos e professor de filosofia na Universidade Técnica de Delft escreveu em 8 de outubro de 1994: "Herman Dooyeweerd é indubitavelmente o filósofo holandês mais formidável do século 20. ... Como um humanista eu sempre olhei para a minha própria tradição em busca de exemplos semelhantes. Eles simplesmente não existem. Claro, humanistas escreveram muitos livros importantes, mas no caso de Herman Dooyeweerd nós estamos justificados em falar sobre um filósofo de reputação internacional."
2. Na ocasião da comemoração do 70° aniversário de Dooyeweerd um artigo apareceu no Jornal holandês ‘Trouw' (6 de outubro, 1964). Foi escrito pelo prof. G.E. Langemeijer, um jurista da Universidade de Leiden, procurador geral da suprema corte holandesa e presidente da Academia Real Holandesa de Ciências. Ele explicitamente mencionou que vem de "uma visão de mundo totalmente diferente" e continuou observando que Dooyeweerd pode ser chamado "o filósofo mais original que a Holanda já produziu, incluindo Spinoza."
3. Giorgio Delvecchio, o grande filósofo Italiano Neo-Kantiano, considerou Dooyeweerd "o filósofo mais profundo, inovador, e penetrante desde Kant."

FONTE:

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

"O FILÓSOFO MAIS PROFUNDO, INOVADOR E PENETRANTE DESTE KANT"

"O filósofo mais profundo, inovador e penetrante desde Kant"
Giorgio Delvecchio



Herman Dooyeweerd, pioneiro da filosofia calvinística

Sumário da Filosofia Cosmonômica
Uma Introdução na Perspectiva da Tecnologia da Informação

Por Andrew Basden
Traduzido com permissão por Guilherme Carvalho

Este sumário foi elaborado originalmente com relevância especial para a Tecnologia da Informação. Atualmente está sendo reescrito para ser um resumo mais geral.

Um Resumo das Principais Idéias de Dooyeweerd

Todos nós fazemos suposições sobre a natureza de coisas; alguns chamam isso de "cosmovisão" ('Weltanschauung'). Nossa cosmovisão nasce das mais profundas pressuposições que nós mantemos sobre a natureza de realidade em si, pressuposições que juntas denominamos "motivo-base" (Ground-Motive). Boa parte do pensamento, da ação, e do modo de vida Ocidental moderno como um todo se apoia no motivo-base “Determinismo/Liberdade”, ou “natureza/liberdade”: as coisas são vistas, ou como determinadas ou como livres, nunca como ambas ao mesmo tempo. Tal motivo-base é dualístico em natureza: ele lança uma realidade contra a outra como se fossem opostos irreconciliáveis. Em tecnologia da informação, por exemplo, este dualismo gerou dois campos principais: os racionalistas e o interpretivistas.

Obviamente, na vida real, nós encontramos tanto fenômenos determinísticos como fenômenos não determinísticos; assim eles não podem ser completamente irreconciliáveis. Esse fato perturbou o filósofo da metade do século XX, Herman Dooyeweerd, e ele se determinou a chegar até o fundo da questão. Retornou assim às raízes de nosso pensamento, e à diferença entre os pensamentos grego e hebreu.

Dooyeweerd chegou à conclusão de que o pensamento grego era inescapavelmente dualístico, ainda que alguns filósofos gregos não o fossem; as suposições mais básicas que eles sustentavam inevitavelmente conduziram sua cultura a dualismos e a cavar um abismo na realidade. Uma destas suposições era a de que a Existência ou o “Ser” é a propriedade primária de qualquer coisa que nós experimentamos, suposição que, por seu turno, parte da idéia de que a realidade experimentada por nós é auto-dependente; até mesmo os deuses seriam meramente parte dessa realidade auto-dependente.

Já o pensamento hebreu via a realidade que nós experimentamos como criada por Deus, que está fora dela ainda que interagindo com ela. Isto significou que a propriedade primária de tudo que nós experimentamos é o “Significado”, não “o Ser”. Esta nova interpretação, argumentou Dooyeweerd, mantém todas as coisas integradas sem qualquer dualismo.

Essa abordagem não é bem conhecida, mas é certamente interessante - e não só do ponto de vista teórico. Tendo examinado esse sistema por uma década, pareceu-me possível aplicá-lo à tecnologia de informações e sistemas em muitos pontos, bem como aos problemas de sustentabilidade ambiental. Provavelmente, ele poderia ser aplicado a muitas outras coisas. O presente texto é uma breve avaliação do sistema filosófico de Dooyeweerd, do ponto de vista dos Sistemas de Informação.

Para uma descrição geral, veja Clouser (1991), e para tratamento teórico completo, Dooyeweerd (1955) e Hart (1984). O sistema foi aplicado ao projeto de Sistemas de Informação por deRaadt (1991, 1994) e Grahn e Bergvall, (1994). A exposição mais clara de sua relevância para o projeto de sistemas é de deRaadt (1994), e a discussão seguinte fará copiosas referências à essa exposição (para maiores informações sobre estes autores, o leitor pode consultar o site de Andrew Basden. Ele pode ser encontrado em “Links”, neste site).

Duas dimensões
Existem dois 'lados' na realidade como nós a conhecemos:

Lado de Lei
Lado de Entidade


O Lado de Entidade envolve as coisas, sistemas, e de fato tudo o consideramos como uma “coisa” existente: por exemplo você, eu, a calota polar, uma rosa, um governo, uma sinfonia, um programa de computador. O Lado de Lei envolve as modalidades em que as entidades operam. Por exemplo: a modalidade física, a social, a biótica, a ética, a técnica, a estética. Os dois lados podem ser vistos como ortogonais: uma única entidade cruza várias modalidades, e uma única modalidade cruza várias entidades. Dooyeweerd traçou uma distinção clara entre os dois lados e definiu as relações entre eles.

Imediatamente nós vemos aqui um abandono do pensamento grego, que nós tendemos a sustentar até hoje, e que deu prioridade ao o Lado de Entidade. O pensamento centrado nas entidades postula que as leis são meramente resultados de entidades (caso elas de fato existam!), e que não pode haver nenhuma lei sem entidades. Ou seja, as “regularidades” ou “universais” que percebemos nas entidades são “propriedades” dessas entidades. Para ilustrar: de onde vêm as leis e normas sociais? Resposta: eles surgem meramente da operação, propriedades e necessidades das entidades que formam o grupo, sob as pressões de seu meio ambiente, ao longo das enormes escalas de tempo evolucionárias. Em um ambiente diferente, ou com tipos diferentes de entidades, as leis sociais poderiam ter se formado diferentemente.

Dooyeweerd põe isso tudo de cabeça para baixo: as leis não são meros resultados das entidades, mas permanecem distintas das entidades não podendo haver nenhuma entidade sem leis. Uma diferença confusa? Talvez, mas com significado enorme, embora sutil. De onde vêm as leis sociais? Resposta: elas são dadas externamente, devendo ser descobertas. Outras normas e leis sociais poderiam ter surgido em outros contextos ou com tipos diferentes de entidades? Não necessariamente, embora o aspecto social em si possa ser 'parametrizado' conforme o contexto.

Dooyeweerd não nega a importância das entidades; somente afirma que existe uma diferença entre o pensamento comum e o pensamento científico no que se relaciona aos dois lados. No pensamento comum as entidades permanecem em evidência, como elas são, enquanto que o Lado de Lei fica ao fundo, implícito; já na ciência o Lado de Lei fica em evidência enquanto as entidades retrocedem. Isto é, quando nós analisamos cientificamente a realidade nós estudamos o Lado de Lei, não o comportamento das entidades. É o Lado de Lei que expressa o Significado fundamental, e é o Lado de Lei que habilita entidades a “existir”. O pensamento centrado em entidades assume que as entidades devem ser focalizadas tanto no pensamento comum como no pensamento científico, supondo que ciência deve necessariamente ter o mesmo ponto de partida do pensamento comum, da vida diária.

Significado e Existência

Como foi mencionado acima, o enfoque em modalidades reflete uma mudança radical no pensamento de Dooyeweerd, substituindo a suposição de 2,000 anos de idade de que a Existência é a propriedade fundamental das coisas, por uma que toma o Significado como a propriedade fundamental. Dessa noção aparentemente abstrata nascem importantes considerações.

Coisas, Entidades e Sistemas

Porém, a Existência não está sendo negada. Antes, é vista como essencialmente dependente e limitada pelo sentido. Dooyeweerd fala de 'estruturas de individualidade' que operam dentro da estrutura maior ("framework") de Significado das modalidades; essas estruturas podem ser vistas como 'coisas ' ou 'entidades '. de Raadt aplica este pensamento ao desenvolvimento de Sistemas de Informações, e compara o 'sistema' com a 'estrutura de individualidade' de Dooyeweerd. Ele distingue entre sistemas naturais (coisas) como pedras, plantas, animais e seres humanos, e sistemas projetados (coisas) como hospitais ou famílias. Há também entidades passageiras (coisas) que são, como nós veremos, o resultado de seres humanos fazendo distinções e traçando limites. O ambiente e sociedade não são entidades da mesma maneira, exceto no último sentido.

Entidades (sistemas, coisas) podem funcionar de diferentes modos; se a entidade é uma pessoa, seu funcionamento pode incluir conhecimento, ação, crença, amor, comunicação, adoração, etc.

A Relação Sujeito-Objeto

Entidades funcionam como sujeitos e também como objetos. Um sujeito é um originador da ação enquanto um objeto é um recipiente da ação; um é ativo e o outro é passivo, se você preferir (embora essa explicação possa ser um pouco enganosa).

Tome o planejamento urbano, por exemplo; nós temos o ambiente urbano, pessoas que vivem nele, pessoas que trabalham nele, planejadores, animais, plantas, etc. Qual é o sujeito ativo e o objeto (passivo)? Hart (1984), em sua elaboração da abordagem inovadora de Dooyeweerd ao assunto, diferencia entre dois significados possíveis de 'sujeito' (ou 'subjetivo'): ser sujeito a leis e normas, e ser um centro de ação e volição (como é o caso do sujeito de um verbo numa oração). A tendência comum de opôr sentimentos 'subjetivos' e valores a fatos 'objetivos' vem do segundo significado de sujeito (centro de ação) quando ele é divorciado do primeiro (ser sujeito a leis).

Mas, como Hart mostra, os dois significados de 'sujeito' estão inseparavelmente ligados em Dooyeweerd. Um sujeito age porque ele (seja pessoa ou coisa) é sujeito a leis e normas, não apesar delas. (A concepção do Dooyeweerd de leis ou normas não é de um constrangimento rígido nem de generalização abstrata, como geralmente encontramos no pensamento convencional, mas de algo que habilita a ação e orienta à ação. São estas leis que fazem qualquer ação possível; daí o termo 'Cosmonômica' que ele escolheu para sua filosofia. Esta é uma área em que o pensamento de Dooyeweerd é ortogonal em relação debate tradicional, mas nós não exploraremos isto aqui.).

Dado um certo sujeito conhecedor e agente, existe também um objeto conhecido e sofredor da ação, e ainda um conhecer e um agir. Na elaboração de um projeto ambiental o objeto é o próprio ambiente construído, incluindo as edificações, tráfego, economia, populações, etc. E os sujeitos? Os sujeitos são os projetistas, as pessoas que vivem no ambiente construído, as pessoas que trabalham lá, etc (notem a diferença entre população como um objeto e as pessoas que agem e os sujeitos do conhecimento). Eles são sujeitos às leis de vários aspectos, discutidos abaixo. Também os animais, plantas, edifícios, etc. são sujeitos, mas operam como tais dentro de conjuntos de leis mais limitados.

É visível que muitos dos problemas de sustentabilidade que nós enfrentamos emanam diretamente da separação artificial (embora desde há muito louvada) entre sujeito e objeto. Dois veios principais de pensamento filosófico nos últimos 500 anos - realismo e nominalismo- tem enfatizado um ou o outro, e estes dois estão dentro de um período mais longo (3000 anos) na análise do pensamento teórico de Dooyeweerd.
(Temos aqui talvez sombras da naturphilosophie de Goethe: nós somos parte de natureza, não observadores separados.)

Modalidades (Aspectos)

As modalidades podem ser vistas como a estrutura básica de Significado na qual todos os sistemas operam e recebem seu significado individual. Elas são freqüentemente chamadas de Aspectos ou Esferas Modais. Quinze modalidades foram identificadas: numérica, espacial, cinemática, física, biótica, sensitiva, analítica, histórica, linguística, social, econômica, estética, jurídica, ética e credal. Cada modalidade tem um núcleo que a torna significante e fornece seu “raio”, como se pode ver na tabela 1.

Os nomes das modalidades e seus os núcleos têm um significado um pouco especializado, e alguns deles são elucidados em de Raadt (1994). De interesse particular para o trabalho em Sistemas de Informação são as modalidades analítica, histórica e linguística. A modalidade analítica incorpora a lógica e a representação. A modalidade formativa foi chamada 'histórica', 'cultural ' ou 'técnica ' em vários momentos por Dooyeweerd, e envolve a atividade tecnológica e cultural, mas nós nos referiremos para ela como a modalidade formativa. Desde que muitas vezes em Sistemas de Informação se exige a interpretação de símbolos, a modalidade linguística está fortemente envolvida nessa atividade; por estas razões, de Raadt denomina esta como a modalidade 'informatória'.

Aspecto /Núcleo
Numérico /Quantidade Discreta
Espacial /Extensão Contínua
Cinemático /Movimento
Físico /Energia e Matéria
Biótico /Vida e Vitalidade
Sensitivo /Sensações
Analítico /Distinção
Formativo /Poder Formativo
Linguístico /Representação Simbólica
Social /Intercurso Social
Econômico /Frugalidade
Estético /Harmonia
Jurídico /O que deve ser feito
Ético Amor /(auto-doação)
Credal /Fé e Visão
Elevação de um Aspecto

A humanidade tende a elevar certos aspectos, um em uma era e cultura, outro em outra. Essa elevação conduz a distorções, como nós podemos ver abaixo. Dooyeweerd chamou isto de absolutização; trata-se de uma forma extrema de elevação que implica, se não o diz explicitamente, que o aspecto escolhido é o único que realmente importa, ou realmente existe. Isso leva a diferentes tipos de reducionismo.
Dooyeweerd investigou a elevação de dois aspectos em particular - analíticos e formativos. A absolutização do aspecto analítico deu a nós o racionalismo. Crucialmente, o aspecto analítico é central para a ciência e todo pensamento teórico; nós fazemos distinções para classificar, clarificar e para discutir. Para fazer estas coisas nós devemos fazer uma distinção clara entre o aspecto de interesse e todos os outros, isolando este e suas leis próprias dos outros. Por exemplo: em um tubo de ensaio só leis físicas estão sendo estudadas, e as econômicas, sociais, éticas etc. são filtradas (elas devem é claro ser examinadas uma vez nós tenhamos descoberto as leis físicas). A razão tem também uma distinção em seu centro. A razão e ciência se provaram muito poderosas, não tanto porque eles removeram o interesse pessoal da cena. Mas algumas pessoas viram nela uma salvação da religião corrupta e do feudalismo e começaram a elevá-la. Então este aspecto se tornou absolutizado, levando ao racionalismo. O todo de realidade deve então ser sujeito à e à Razão e Ciência; se não, não é nenhuma realidade. Desde que fatores humanos pessoais são removidos, a realidade é vista através de óculos de racionalismo se torna despersonalizada e dura. Toda verdade é racional na natureza.
A absolutização do aspecto formativo (Dooyeweerd nesse ponto chama o aspecto de Histórico ou Cultural) dá a nós os vários tipos de historicismo, do qual construtivismo é uma manifestação. O historicismo pode ser visto como uma antítese do racionalismo despersonalizado; ele enfatiza a criatividade humana e a construção. Não existe nenhuma verdade; toda verdade é construída.
Mas outros aspectos também podem ser elevados ou absolutizados.

Leis modais

Cada modalidade é governada por seu próprio conjunto de leis, sua própria ordem. Deste modo nós temos as leis do aspecto quantitativo, que constituem boa parte (não tudo) da matemática. Nós temos leis do aspecto físico, que são físicas e químicas. As leis do aspecto analítico incluem aqueles que nos habilitam a fazer distinções e raciocinar. As leis do aspecto linguístico são aquelas da boa comunicação.
Nota: a ênfase no Lado de Lei do cosmo explica o bastante desajeitado nome 'Cosmonômica' que foi dado a este sistema de filosofia. De fato, a lei é vista como o limite entre Deus e o Cosmos.

Descrições Aspectuais

Cada cultura humana tem conceitos distintos, focaliza os aspectos que acha importante e desenvolve vocabulários e linguagens para eles; quanto mais importante é o aspecto, mais rico é esse 'vocabulário' (com algumas culturas sendo multi-aspectuais). Assim cada aspecto pode nos fornecer um modo distinto de descrever uma entidade ou situação. Por exemplo, eu posso ser descrito bioticamente como um corpo com funções vitais, psico-sensitivamente como um processador de informações, analiticamente como um raciocinador, formativamente como orientado para um propósito, juridicamente em termos de direitos e responsabilidades, eticamente como alguém que precisa amar e ser amado, e assim por diante, até um total de quinze tipos possíveis de descrição da entidade. Cada descrição pode fazer sentido de forma completa e independente, sem qualquer necessidade de se reportar a outras.

Paradoxo e Antinomia

Porque os aspectos são irredutíveis um ao outro, assuntos e conceitos de um aspecto não podem ser descritos significativamente do ponto de vista de outro aspecto. Tentar fazer isso leva freqüentemente ao paradoxo. Reciprocamente, quando nós encontrarmos um paradoxo, isso é uma indicação clara de que nós estamos tentando falar em termos do aspecto errado. Por exemplo: "o investimento em tecnologia de informações continuamente aumenta, mas o retorno real destes investimentos permanece baixo." A declaração anterior foi feita em conceitos e terminologia do aspecto econômico, e parece ser um paradoxo. Mas se nós pensarmos sobre o "investimento" como um compromisso pístico à Tecnologia da Informação, o paradoxo desaparece. Para um exemplo no qual nós analisamos cinco paradoxos deste modo, veja minha carta a Leslie Willcocks.

A antinomia é até mais profunda que o paradoxo, uma coisa que nem mesmo pode ser explicada pelo pensamento teórico. Dooyeweerd estava particularmente interessado na antinomia, e sustentou que este seria um meio de distinguir os aspectos uns dos outros, e determinar se um aspecto 'candidato' é um aspecto verdadeiro ou não. A antinomia surge quando nós conflacionamos dois aspectos, isto é tentamos fundi-los. O exemplo famoso é a história da Lebre e da Tartaruga.

Ontologia Irredutível

As leis destas quinze modalidades são irredutíveis uma à outra. Isto é, o núcleo e as leis de uma modalidade não podem ser completamente explicados em termos daqueles de outras modalidades; deste modo a aproximação multi-modal não é reducionista. Dooyeweerd chama isso de 'soberania de esfera '. As leis de uma modalidade não são propriedades emergentes, e em particular não são 'socialmente construídas ' (embora o conhecimento dessas leis o possa ser). Isso dá à abordagem multi-aspectual, no campo dos Sistemas de Informação, um sabor completamente diferente daquelas abordagens interpretivistas como as de Hirscheim e Klein (1989), Vickers (1983), embora ela concorde com eles em que a interpretação e a construção humana são fatores reais e importantes.

Dependência Inter-Aspectual

Porém, os aspectos não são um conjunto mas uma lista: existe uma ordem definida entre eles. As leis dos aspectos mais posteriores dependem de, e fazem uso das leis dos aspectos anteriores. Por exemplo, leis físicas exigem e pressupõem leis espaciais. Leis bióticas pressupõem as leis físicas. E assim por diante. É parte de gênio de Dooyeweerd a descoberta desta ordenação e dependência.

Analogia inter-aspectual

Há um outro tipo de relação entre os aspectos: a analogia. Cada aspecto traz dentro de si ecos de todos o outros. Por exemplo, o sentimento é próprio do aspecto sensível, mas alguém pode ter um sentimento de justiça, um sentimento de amor, um sentimento pela correção lógica, e assim por diante. Igualmente, a causalidade é própria do aspecto físico, mas nós encontramos ecos dela em outros aspectos, como os vínculos lógicos ou o ato de retribuição em casos de justiça ou injustiça.
É esta relação analógica que faz metáfora possível. Nossa habilidade de ver semelhanças e comunicá-las não é devida meramente ao emparelhamento forçado de certo padrão indefinido a um algoritmo prévio do cérebro; antes a atividade de tal algoritmo (caso ele seja mesmo um algoritmo) apóia-se em e pressupõe essa relação analógica entre os aspectos.

As relações analógicas podem acontecer tanto para aspectos mais posteriores como para os mais anteriores, e são chamadas 'retrocipações ' e 'antecipações '. Por exemplo, o tema da conotação social em pragmática lingüística antecipa o aspecto social.

Normatividade e Determinatividade

No entanto as leis não são todas do mesmo tipo. Aquelas dos aspectos anteriores (numéricos, espaciais, etc.) são principalmente determinativas em natureza, mas aquelas de aspectos mais posteriores são largamente normativas. Existe uma progressão de determinativas até leis normativas como nós movemos para as modalidades mais velhas (ético, credal).

As leis normativas podem ser transgredidas; nós podemos decidir ser rudes para com as pessoas ou falar tolices, ou recusar a justiça. Mas elas não podem nunca ser postas de lado. Isto é, elas sempre valem, ainda que nós as ignoremos ou as rejeitemos; e os resultados se seguirão. Essa é a base de abordagem de Dooyeweerd ao sucesso e fracasso.

Temos uma página onde discutimos a normatividade com mais detalhes.
Voltemos às entidades: a função das entidades em e através dos aspectos/modalidades. Por exemplo, enquanto estou escrevendo este texto eu estou funcionando:

linguisticamente, mas também:

analiticamente, tentando decidir o que dizer e o que omitir,
formativamente, formando o texto,
socialmente, tentando ser cortês em lugar de rude em minha escrita,
economicamente, tentando (malogradamente?) para evitar a prolixidade,
juridicamente, tentando dar a você o que é devido em uma comunicação deste tipo,
e assim por diante.


Eu estou funcionando também:

bioticamente, em minhas funções vitais que operam à medida que eu escrevo,
fisicamente, pressionando as teclas,
e espacialmente, posicionando-me próximo ao computador.

A proposta de Dooyeweerd sobre entidades é de que em tudo o que nós fazemos na vida real nós funcionamos através de todos os aspectos do Lado-de Lei da realidade. Kalsbeek (1975) mostrou como exemplo que um vôo espacial tripulado envolve todos os aspectos. Clouser (1992) esboçou três tipos de funcionamento - comum (pré- teorético ou 'ingênuo'), baixa abstração, e alta abstração. A última é central para a ciência.
Para uma explicação desse ponto e uma discussão mais profunda desses assuntos, veja a página sobre "Funcionamento".

Nós funcionamos tanto como sujeito ou como objeto em cada aspecto. Isto é, eu posso empurrar algo (atuando como sujeito no aspecto físico) ou ser empurrado (como um objeto no aspecto físico). Eu posso fazer um orçamento (sujeito no aspecto econômico) e eu posso ser parte de um orçamento (objeto no aspecto econômico).

Mais sobre a Relação Sujeito-Objeto

A relação sujeito-objeto é muito importante no pensamento de Dooyeweerd, e assume um sabor incomum por ser arraigado no Lado de Lei em lugar de meramente no Lado de Entidade.

Isso coloca juntos os três significados aparentemente separados na língua portuguesa do termo 'sujeito':

Sujeito-1, como sujeito a certas leis, condições ou autoridade,
Sujeito-2, como o agente de um verbo em uma oração,
Subjetivo, como pessoal, privado, arbitrário.

No esquema de Dooyeweerd, eles se fundem. O sujeito-1 é o conceito fundamental: Eu, uma entidade, sou sujeito às leis dos aspectos. Mas, diferentemente do pensamento Ocidental, em que leis e condições são vistas como constrangendo nossa liberdade, no esquema de Dooyeweerd, as leis nos habilitam para funcionar. Então, quando eu sou sujeito às leis físicas eu posso agir como sujeito físico-2; Eu posso empurrar. Deste modo o funcionamento como sujeito-2 em um aspecto é tornado possível sendo sujeito-1 para suas leis. Agora, dado que em aspectos posteriores algumas das leis são normativas em lugar de determinativas, se eu funciono como sujeito-2 em um aspecto, sendo sujeito-1 para as leis daquele aspecto, e aquele aspecto é normativo, então minha resposta àquelas leis é pessoal, única para mim mesmo. Isto é, nós podemos chamar isto uma resposta subjetiva. Assim, para resumir:

leis aspectuais habilitam em lugar de constranger.

Ser sujeito-1 para determinadas leis aspectuais torna possível funcionar como sujeito-2. Ao fazer assim eu respondo àquelas aquelas leis.

Em aspectos normativos, minha resposta não é determinada mas é pessoal para mim; conseqüentemente é subjetiva.

Nós retornaremos à relação sujeito-objeto mais tarde, quando nós discutirmos as diferenças entre realismo e nominalismo.

Reinos de Entidades

Algumas entidades podem funcionar como sujeitos somente em algum dos aspectos anteriores. Por exemplo, uma ovelha pode ser um sujeito biótico, mas somente pode ser objeto no aspecto econômico. O aspecto mais posterior em que uma entidade pode funcionar como sujeito é útil para classificar entidades em quatro reino principais: inertes, plantas, animais, humanos - embora os limites sejam provavelmente incertos.

Tudo é Interconectado

O pensamento Ocidental tradicional, baseado em idéias gregas, enfatiza a entidade, como independente em sua existência. Já o pensamento Oriental nega a entidade, buscando ver tudo como uma gota em um oceano, sem qualquer existência separada. Dooyeweerd enfatiza os relacionamentos e as interconexões. Ele reconhece (alguns tipos de) entidades como seres separados, mas enfatiza sua dependência em lugar de sua independência.

Pensamento Ocidental
Entidades independentes
Competição

Pensamento Oriental
Negação de entidades
Inatividade

Pensamento de Dooyeweerd
Entidades em relação
Ação Responsável

A dependência última está em Deus, o Criador que é também Amante e Redentor, e isto é fundamental. Esse Divino é tão fundamental que Ele o inscreveu no tecido de sua Criação em termos de inter-dependência ou, como muitos agora chamam isto, de interconectividade. Nós todos estamos presos dentro da rede de Significado que são os aspectos modais em que funcionamos. Nós não somente existimos; nós nos relacionamos.

Existem dois tipos de relação. Existe o tipo que nós formamos por nossa própria vontade - por exemplo; eu estou me comunicando com você enquanto você lê isto - mas estes relacionamentos são passageiros e contingentes. Existe ainda o tipo de relacionamento que é necessário, necessário para a existência inteira e completa - por exemplo, um caracol e sua concha; nem um é completo sem o outro.
Dooyeweerd estava intensamente interessado nos tipos de relação necessária. Por exemplo, existem as relações sujeito-objeto que nós discutimos, e existem relações parte-todo (meu braço é parte de mim). Mas existe também um terceiro tipo que parece ser especial para o pensamento Dooyeweerdiano: a enkapsis.

Relações Enkápticas

Considere uma estátua feita a partir de um bloco de mármore, e pondere as perguntas seguintes: Desde que o escultor começa a esculpir o mármore, em que ponto o objeto cessa de ser um bloco de mármore e se torna uma estátua? Se a estátua final é tanto o mármore como a estátua, qual é a relação entre o mármore e a estátua? - não parece totalmente correto dizer que o mármore é parte da estátua.
A teoria de Dooyeweerd, especialmente o de modalidade principal, permite que nós pensemos no mármore e na estátua como duas coisas distintas, mas necessaria e intimamente ligadas pela enkapse. O mármore é ainda mármore, qualificado pelo aspecto físico; a estátua é estátua, qualificada pelo aspecto estético. Duas estruturas de individualidade distintas, mas com uma relação enkáptica entre eles. 'Enkapse' era um termo que Dooyeweerd tirou de um biólogo suíço e modificou ligeiramente. Dooyeweerd discute vários tipos de enkapse:

Enkapse Fundamental (mármore - estátua)
Enkapse Sujeito-Objeto (caracol - concha)
Enkapse Simbiótica ( trevo - bactéria fixadora de nitrogênio)
Enkapse Correlativa (comunidade - pessoa)
Enkapse Territorial (cidade - sua universidade)

Para alguns as relações acima poderiam parecer relações parte-todo, mas Dooyeweerd destaca que essas relações ocorrem quando a parte não tem nenhum significado separadamente de seu inteiro (como com meu braço), enquanto nas relações enkápticas existe um grau de independência significante. Em tecnologia de informações o computador e seu programa tem uma relação enkáptica - realmente, mais de uma.
A idéia de enkapse é tão estranha para o pensamento normal que pode ser difícil a princípio ver seu significado, mas ele é umas idéias que 'crescem em você ', e eventualmente você fica pensando em como pôde alguma vez trabalhar sem isto.
Uma boa explicação da enkapse pode ser achada em capítulos 35-37 do livro de Kalsbeek.

A Ciência e o Desenvolvimento do Pensamento

A Abertura Modal

Cada modalidade tem um potencial que deve ser 'aberto ' pela exploração humana das ordens modais. Em sociedades primitivas, por exemplo, tais modalidades como as legais estão ainda fechadas e deste modo existem ainda de uma forma indiferenciada. Um exemplo do processo de abertura pode ser visto nas modalidades física e biótica durante a atividade científica ds últimos séculos. O desenvolvimento dos Sistemas de Informação parece ser um outro caminho de abertura.

A ciência e o funcionamento comum

Um de interesses de Dooyeweerd era a relação entre o pensamento teorético e o pensamento e funcionamento comum, 'pré-teorético'. Uma importante contribuição sua foi mostrar como os dois cooperam, reunindo assim dois mil anos de separação. Baseando-se em Dooyeweerd, Clouser (1991) faz uma distinção entre três tipos de funcionamento humano. Na vida diária nós funcionamos em todas as modalidades, sem pensar sobre elas explicitamente (aqui há ligações com o conhecimento tácito como discutido por Polanyi, 1967). Às vezes, porém, nós focamos nossa atenção em uma modalidade única de nosso funcionamento, como a física da bola que nós estamos lançando; Clouser denomina isto baixa abstração. Quanto à atividade científica, ele a denomina alta abstração. Na alta abstração nós não só focamos uma modalidade única mas isolamos essa modalidade de todas as outras para que possamos estudá-la e descobrir suas leis. Assim, cada modalidade tem sua própria ciência e metodologia.
Temos uma discussão sobre ciência que faz referência particular ao trabalho de Thomas Kuhn.

Pesquisa sobre Aplicações Práticas

Tem sido freqüentemente assumido que a pesquisa em sistemas de informação tem como fim o aperfeiçoamento tecnológico, e que questões de aplicação são meras 'praticalidades'. Foram realizadas pesquisas sobre metodologias de desenvolvimento, e sobre aspectos psicológicos e sociológico do uso, mas pouca pesquisa sobre a aplicação como tal, em toda sua riqueza. Assim aqueles envolvidos com a aplicação prática mas com pouca orientação que seja baseada em boas teorias de bons pesquisadores - e seus fundos de pesquisa cuidadosamente reconsiderados! - não vêem temas de aplicação prática como dignos de pesquisa. Esta é uma situação infeliz. A crítica de Dooyeweerd capacita-nos a atribuir valor real à pesquisa de aplicações, mas adverte que ela é de um tipo diferente: multi-modal, empregando no máximo a baixa abstração, em lugar de uni-modal. Isto confirma teoricamente o que está sendo visto na prática: essa pesquisa da ação concreta é um método de pesquisa válido.

Ligando o Desenvolvimento à Aplicação

Ao ver o trabalho científico como o isolamento de uma modalidade, nós começamos a entender mais claramente a relação entre a tecnologia e sua aplicação. A exploração e definição de uma certa tecnologia - como a tecnologia da informação - depende do isolamento de uma modalidade: o funcionamento uni-modal. Já o uso de um artefato tecnológico, como um Sistema de Informação específico por exemplo, é uma atividade comum e deste modo depende de um funcionamento multi-modal. E é o desenvolvimento do artefato (o sistema de informação) que liga os dois. Assim, o desenvolvimento e o uso não são vistos como processos essencialmente separados, mas como ligados ao longo do conjunto de modalidades.

Tristemente, o desenvolvimento de sistemas de informação vem sendo visto como uma atividade fundamentalmente técnica; deste modo os projetistas tendem a isolar uma modalidade única (deliberadamente ou não), e o resultado é algo totalmente centrado na tecnologia. Mas se o Sistema de Informação é projetado para o uso, o desenvolvimento deve ser multi-modal.

A Vida Bem sucedida

Todo funcionamento humano (e o de todas as coisas) é guiado por leis aspectuais, algumas das quais são normativas. Isso significa que nós temos liberdade para ser contrários àquelas leis - mas nunca para pô-las de lado. Todo o nosso funcionamento tem seus resultados. A proposta de Dooyeweerd, baseada na valorização do Lado de Lei, é que se nosso funcionamento é alinhado com as leis aspectuais, o resultado será uma vida saudável, rica, sustentável, mas se nós formos contrários às leis aspectuais, nossas vidas serão doentes e insustentáveis (esta diferença está na essência da palavra hebraica shalom).

Note que os resultados de nosso funcionamento - com ou contra as leis, shalomico ou doente - não afetam somente nós, individualmente, mas também outras entidades ao redor nós. O efeito pode não ser imediato; de fato parece que quanto mais posterior é o aspecto na escala, mais distante está o efeito. Por exemplo, o Comunismo é um declaração pística sobre a natureza das coisas, a humanidade como um todo levou quase um século para reconhecer seus efeitos prejudiciais: só depois de um século podemos dizer em base em experiências que o Comunismo é contrário às leis do aspecto pístico.

Um importante caminho no qual uma cultura (ou um gerente de alguma coisa ou até cada um de nós) atua contrariamente a um aspecto é ignorando o aspecto inteiro – simplesmente omitindo-o. Seja não compreendendo sua importância, ou semi-deliberadamente negando sua importância ("Oh, isso é para pés-de-chinelo!"), ou elevando um outro aspecto. O aspecto ignorado continua valendo, porém, e problemas eventualmente emergem da sua omisão. Isto será discutido um pouco mais detalhadamente abaixo.

Esta visão de sucesso, “shalom”, ou saúde, é uma parte da abordagem de Dooyeweerd para o sucesso e o fracasso aplicável à tecnologia de informações. Também à sustentabilidade ambiental. Veja Lombardi e Basden (1997). É particularmente útil quando lidamos com uma situação interdisciplinar, como as duas citadas acima.

Necessidade modal

Uma doutrina chave da abordagem de Dooyeweerd à shalom é a necessidade modal. A necessidade modal é um corolário da irredutibilidade entre as leis de aspectos diferentes. Se as leis do aspecto social, por exemplo, são reduzidas às do aspecto físico, então não haveria necessidade para as primeiras serem explicitamente declaradas. Elas poderiam ser derivadas das posteriores quando fossem necessárias. Mas desde que as leis do aspecto social não são deriváveis daquelas do aspecto físico, se nós atentarmos somente para as leis do aspecto físico iremos transgredir as leis do aspecto social (embora inconscientemente), e deste modo nosso empreendimento será desastroso (um argumento similar se aplica a qualquer par de aspectos).

Assim, uma proposição importante da abordagem multi-modal é que se qualquer modalidade é ignorada durante qualquer funcionamento (por exemplo o desenvolvimento e uso de um sistema; como o planejamento de uso da terra e a subsequente ocupação) então a sustentabilidade e sucesso do sistema será arriscado, seja porque o projeto é arquivado antes do que deveria ou porque ele conduz a efeitos danosos imprevistos. Como de Raadt e outros assinalaram, o projeto de sistemas é um processo contínuo, sem um ponto final fixo, porque o uso de um sistema alimenta seu próprio desenvolvimento contínuo.

As leis de uma modalidade não são propriedades de emergentes, e em particular não são 'socialmente construídas' (embora o conhecimento sobre suas leis possa ser). Isto dá à aproximação multi-modal ao desenvolvimento de sistemas um sabor completamente diferente de outras como a “Soft Sistems Methodology” de Checkland (1981) e a “MultiView Methodology” de Avison e Wood-Harper (1990).

Levando tudo em Consideração

Um corolário disto é que os aspectos (modalidades) são apresentados como uma ontologia suficiente e necessária para guiar o desenvolvimento de sistemas. Isto é, uma declaração corajosa é feita: estas modalidades, se corretamente entendidas, são as únicas que precisam ser consideradas quando predizemos, planejamos, avaliamos os benefícios, etc. de um sistema. Como nós discutiremos abaixo, isso nos dá uma lista muito útil (e muito rica) para usar ao longo de projetos, desenvolvimento e aplicações.

(Agora, esta declaração corajosa deve ser qualificada. Não se pensa que o retrato aqui apresentado é final. As modalidades precisam ser exploradas, e pode acontecer, depois do estudo e consideração necessária, de se chegar a dezessete ou vinte e cinco modalidades em lugar de quinze. Mas o número provavelmente não deve ser muito diferente de quinze. Até que o estudo apropriado seja realizado, os quinze propostos por Dooyeweerd parecem pelo menos ser um bom ponto de partida.)

O Uso de Dooyeweerd por De Raadt para o Projeto de Sistemas de Informação

O Prof. Donald de Raadt (Universidade de Luleå, Suécia) aplicou as idéias de Dooyeweerd para o projeto de sistemas de informação. Algumas das idéias do de Raadt divergem daquelas de Dooyeweerd, mas elas ilustram uma forma de aplicação das idéias de Dooyeweerd.

O Projeto de Sistemas como Transdução

Uma terceira reivindicação da abordagem multi-modal é que enquanto as modalidades são irredutíveis uma à outra, elas são também fundamentalmente inter-relacionadas. Dooyeweerd chama isto 'universalidade das esferas'. Existe uma correspondência entre as ordens de modalidades diferentes (esferas), e isso permite a uma modalidade ser usada como uma representação metafórica de outra.

De Raadt vê isto em termos de um homomorfismo entre as modalidades, formando relações circulares entre elas. Sociedades industrializadas, segundo ele, tem desconsiderado os vínculos circulares entre problemas sociais e sistemas econômicos e tecnológicos. Tal homomorfismo torna possível uma transdução de certa ordem de uma modalidade para outra. Deste modo, por exemplo, um sistema de informações médicas é o resultado da transdução de uma ordem própria da modalidade biótica para a modalidade informatória (linguística).

Libertando-se da Dicotomia Ordem-Desordem

Um dos principais ataques da crítica Dooyeweerdiana do pensamento teórico se dirige contra o fato dele ter se baseado em falsas dicotomias, em “ground-motives” dualísticos. Essas dicotomias forçam os pensadores a entrar em mecanismos dialéticos ao gerar suas visões de mundo. Uma antiga variante dessas dicotomias é o motivo ordem/desordem (ou caos e liberdade). De Raadt aplica isso ao projeto de sistemas de informação, sugerindo que a abordagem evolucionária do desenvolvimento de sistemas, de Dell e Goolishian (1981), está ligada ao pólo da ordem, enquanto que a abordagem de engenharia, que assume que a criatividade está completamente sob o controle do projetista individual, está ligada ao pólo da desordem (note que nós estamos falando aqui sobre a ordem que é imposta à equipe de projetos, em lugar de imposta por ela). Depois de notar o fato paradoxal de que ambas as abordagens tendem à tirania, e afirmando com Dooyeweerd que a ordem/desordem é uma falsa dicotomia, De Raadt sugere que "A abordagem multi-modal ... pode nos permitir para aumentar ordem que produz progresso humano em lugar de opressão. Oferece também a oportunidade de introduzir tecnologia de uma forma culta e humanitária, de uma forma que não nos conduza à servidão tecnológica por um lado ou a um anarquismo “Luddita” (alguém que se opôe ao avanço tecnológico; termo aplicado no século 19 a trabalhadores que destruíam máquinas nas fábricas na inglaterra – nota do tradutor) por outro." De Raadt funda a aparentemente utópica reivindicação acima no requisito que o processo de transdução de ordens entre modalidades assegurará que "não só uma, mas todas as modalidades da vida humana ... estejam presente no projeto." Veja “Levando Tudo em Consideração”, acima.

Qualificando as Modalidades

Nem todos os sistemas funcionam da mesma maneira em todas as modalidades. Alguns sistemas naturais são limitados, de forma que eles funcionam como sujeitos só em algumas modalidades (por exemplo, plantas podem funcionar como sujeitos nas modalidades física e biótica, mas apenas como objetos nas modalidades econômica ou jurídica). Adicionalmente, um sistema projetado normalmente tem uma modalidade que o qualifica, que, como de Raadt diz, confere ao sistema sua missão última, caráter e singularidade. Ele confusamente chama esta modalidade a 'esfera de soberania' do sistema (algo diferente do conceito Dooyeweerdiano de 'soberania de esfera'). Um banco é qualificado pela modalidade econômica, e um hospital pela biótica. A modalidade qualificativa fornece as leis que são a autoridade principal para aquele sistema, e que definem seus direitos e deveres.

O Sistema de Informação em Contexto

Quando tecnologia de informações é empregada existe tensão entre integração e continuidade, por um lado, e expansão da missão do sistema por outro. Porém a abordagem de Dooyeweerd pode manter ambos os lados em um equilíbrio apropriado.

Integração de sistema e continuidade

Porque todos os sistemas compartilham o mesmo conjunto de modalidades, nós temos tanto a esperança como a necessidade de realizar a integração quando um novo sistema é introduzido. Isto envolve não somente a integração técnica mas em todas as modalidades em que o sistema opera. Pode haver conseqüentemente alguma esperança de continuidade quando um novo sistema é introduzido na situação de trabalho.

Expansão da missão do sistema

Porém, a introdução de um sistema em um contexto de trabalho pode mudar o contexto. Deste modo por exemplo, um sistema de informações médicas poderia levar a mudar práticas médicas, que por sua vez levam ao desenvolvimento adicional do sistema, como tem sido discutido por Carroll (1990) no que ele chamou de “ciclo de tarefa-artefato”. Tal expansão pode ser inovadora bem como interativa, porque a transdução de uma modalidade em outra (ver analogia) pode estimular novas idéias.

Idéias Dooyeweerdianas como Integração

Realismo

O realismo filosófico tradicional enfatiza o conhecido, o objeto sofredor da ação, dando pouca atenção ao conhecedor, o sujeito da ação. Em versões extremas (como na ciência positivista) a relevância do sujeito (por exemplo o pesquisador como pessoa) é completamente negada, partindo-se apenas do objeto. Acredita-se, então, que as leis devam ser determinísticas em lugar de normativas. Isto sempre conduz a um estreitamento, tanto do enfoque na investigação científica como da ação resultante dentro das arenas pessoal, econômica ou política, freqüentemente caindo em um reducionismo. Alguns dos mais óbvios reducionismos tem sido reconhecidos amplamente - a investigação científica tem sido reduzida ao materialismo e ao racionalismo, enquanto ação tem sido freqüentemente reduzida a questões técnicas ou financeiras.
Abordagens de qualquer coisa na vida (por exemplo do planejamento urbano) que são baseadas em filosofias realistas trazem o perigo do reducionismo, ao ignorar aspectos importantes. Um aspecto pode não estar sendo apresentado como absoluto, mas a abordagem como um todo estar desequilibrada, dando demasiada ênfase a um aspecto em detrimento dos outros. Essa postura ameaça a sustentabilidade do ambiente ou sistema com o qual nós estamos lidando.

Na Inglaterra industrial do século XIX, por exemplo, a ênfase estava muitas vezes na provisão de moradia física para a mão-de-obra humana das fábricas, em suas redondezas. Questões biológicas como a saúde ou estéticas como beleza eram raramente consideradas, resultando em cortiços que vieram a ser derrubados depois da Segunda Guerra Mundial. Ao planejar sua substituição, espaços abertos, limpeza e linhas esteticamente limpas foram enfatizadas, enquanto assuntos sociais e de mobilidade, por exemplo, foram ignoradas, resultando em esquemas desumanizantes caros e com problemas de manutenção. Estes esquemas estão agora sendo substituídos, o que dá eles uma vida até mais curta que os cortiços que eles substituíram. Isso sugere que eles eram menos sustentáveis. Tratando-se de planejamento urbano, o desequilíbrio em certa cultura depende do que se pensa naquele momento sobre a natureza do objeto, no caso o ambiente construído.

Outro problema com o planejamento baseado na filosofia de realista é que, em razão de o sujeito ser desconsiderado, os efeitos da ação e o conhecimento dos sujeitos são freqüentemente ignorados. Um ótimo e óbvio exemplo disso é o sistema rodoviário, no qual os objetos são o sistema de transporte e os volumes transportados, enquanto os sujeitos são os que dirigem e os que planejam as viagens. Até recentemente os efeitos do sujeito no tráfego gerado pelo sistema eram ignorados e até mesmo negados.

Nominalismo

A abordagem oposta, no binômio sujeito-objeto, é a baseada em filosofias nominalistas, das quais o existencialismo é uma forma extrema e, em Sistemas de Informação, o construtivismo é uma versão comum. Nessas abordagens o objeto é negado, partindo-se apenas do sujeito cognoscente e agente (mesmo essa aproximação diferente continua negando o lado de lei.). Essa abordagem pervade a pós-modernidade (Lyon, 1995) e, em círculos científicos, os paradigmas construcionistas e interpretivistas. O nominalismo reivindica a capacidade de evitar os perigos do reducionismo reconhecendo as visões e desejos de todos. Embora tenha algum sucesso com tal solução, carrega três problemas: Primeiro, nenhum ponto de referência externo é reconhecido ou mesmo permitido, não existindo assim nenhuma certeza de que planejando de acordo com estes desejos subjetivos chegaríamos de fato a uma situação de bem-estar ou sustentabilidade. Segundo, quando desejos e visões das pessoas ou grupos diferentes parecem incompatíveis, não há nenhum padrão por que chegar em consenso. Terceiro, existe o perigo real de que os que gritam mais alto sejam ouvidos, enquanto grupos menos articulados, e aqueles que não podem defender seus direitos, como animais ou crianças mais jovens, tendam a ser ignorados - a menos que sua causa seja sustentada por outros.

Assim, embora menos reducionistas que as abordagens baseadas no realismo, as abordagens nominalistas não trazem ainda nenhuma garantia de sustentabilidade. Não existe nem mesmo uma garantia de que a sustentabilidade será maior do que com abordagens baseadas em filosofias realistas. As abordagens de matiz nominalista tornam a integração e a inter-comunicação difícil.

Integrando Sujeito e Objeto

A abordagem filosófica de Dooyeweerd (1953) foi desenvolvida de um ponto de partida radicalmente diferente, que questiona até as suposições feitas pelos gregos sobre existência e significado. Uma de suas reivindicações é a integração sujeito-objeto. Diferentemente das aproximações nominalistas, Dooyeweerd reconheceu uma realidade externa que é independente da ação e do conhecimento do sujeito. Por causa disto, Dooyeweerd achou originalmente que ele mesmo um realista, mas mais tarde ele se distanciou do realismo (Henderson, 1994). Isto aconteceu porque ele viu claramente que nós, sujeitos agentes e cognoscentes, somos parte da realidade externa; ela é independente de nós mas nunca separada de nós. Nós somos afetados por ela mas também a afetamos e temos visões e desejos em relação a ela.

Nós ficamos preocupados com a sustentabilidade cada vez em que se torna claro que ela está ameaçada. Trabalhando mais de cinqüenta anos atrás, Dooyeweerd não usou esse termo, mas se referiu à 'saúde ' ou bom funcionamento de um sistema e deu isto um significado de longo prazo. Sua reivindicação é que tal 'saúde' ou sustentabilidade só pode ser alcançada se nós compreendermos a natureza e, ele diria, o significado das leis que governam a nós e à toda a realidade externa. A filosofia realista leva seus aderentes a reduzir todos os tipos de leis a um único tipo, como as leis de física, da lógica, ou da biologia evolutiva, etc. filosofia nominalista leva seus aderentes à negação de todas as leis. Dooyeweerd buscou escapar de ambos os perigos.

Pressuposições

Os problemas do o realismo e do nominalismo são muito profundos, encontrando-se em suas pressuposições filosóficas subjacentes (suposições). Existe pouca esperança de que eles possam ser melhorados bastando-se uma boa afinação (tunning). Embora profundas, e não imediatamente óbvias, as pressuposições filosóficas, sempre se revelam com o tempo. Assim, se nós pretendemos buscar uma abordagem bem fundamentada para os Sistemas de Informação, ou para sustentabilidade dos ambientes construídos, ela deverá se basear em suposições filosóficas diferentes, especialmente quanto à relação entre sujeito e objeto.

De fato, Dooyeweerd leva o assunto um passo além, reivindicando que o que parece a princípio ser um conjunto de pressuposições filosóficas pode envolver pressuposições religiosas.

Pressuposições religiosas

Um elemento chave do pensamento de Dooyeweerd é o de que nenhuma esfera da vida é ‘neutra’. Em particular, a ciência e pensamento lógico não são neutros - um fato que nós reconhecemos prontamente hoje mas que não era concebido pela maioria das pessoas quando Dooyeweerd estava ainda em atividade. Esta não-neutralidade não foi somente reivindicada mas demonstrada por Dooyeweerd – a partir da demonstração de que a pessoa humana sempre tem pressuposições religiosas. 'Religioso' aqui não tem a ver com cerimônias e credos, mas antes com a nossa visão do que é auto-dependente (isto é claramente explicado por Clouser, 1992). De acordo com Dooyeweerd, tudo é dependente do Deus Vivo, que sozinho é auto-dependente. Mesmo as leis da aritmética e da lógica dependem dele (que é por que, talvez, o debate entre cristãos dizendo por um lado que Deus é três, e os judeus e muçulmanos dizendo que Deus é um, pode estar um pouco desencaminhado). Ele é o desenhista e criador de todas as leis e não está sujeito a nenhuma delas - ainda que elas reflitam verdadeiramente o seu caráter.

Motivos-Base

Isso significa que os Motivos-Base que foram mencionados no princípio são essencialmente religiosos em sua natureza. Eles refletem o que nós acreditamos de mais fundamentalmente sobre a natureza de realidade, incluindo Deus. Isso acontece de um modo que, enquanto nem todo mundo sustenta um dado motivo-base pessoalmente, certos motivos prevalecem em períodos da história e guiam a direção de pensamento teórico.

Dooyeweerd sugere que existiram quatro motivos-base durante os últimos 2,500anos.

Matéria-Forma (grego)
Criação, Queda, Redenção (hebreu)
Natureza-Graça (Católico Romano Medieval; Escolástico)
Determinismo-Liberdade (Moderno; Renascimento/Iluminismo)

Todos menos o segundo são dualísticos em natureza, e desse modo resultam na divisão da realidade temporal em dois, e assim em sua conseqüente desintegração.
O motivo natureza-graça surgiu de uma tentativa de fundir os dois primeiros, e isto levou a toda sorte de opressões e distorções. que eventualmente, por sua vez, conduziram as pessoas intelectuais à uma de duas reações: uma delas foi a Reforma, que buscou recuperar algo do motivo puro Criação-Queda-Redenção. A outra reação foi o Renascimento que, assumindo que o problema estava com a parte “divina” (Deus) da síntese, buscou para removê-la do pólo da Graça, desse modo produzindo o pólo “Liberdade” do motivo-base moderno.

(Análise de Vollenhoven da história de pensamento teórico em três fases é similar: Pré-síntese, quando os primeiros dois motivos existiam em comunidades separadas, Síntese, quando eles foram fundidos, e Anti-síntese, quando buscaram quebrar a síntese.)

Ter um motivo-base dualístico é realmente ser contrário às leis do aspecto pístico. Conseqüentemente, desde que nós não podemos pôr de lado estas leis, elas terão um efeito, e um efeito profundo e duradouro. Desde que o aspecto pístico é o último, ele é, de acordo com Hart (1984), aberto a Deus, o único que permite que o ser humano tenha contato com Deus. É também o que nos afeta mais profundamente e influencia nosso funcionamento em todos outros aspectos. Isso não quer dizer que nosso funcionamento nos outros aspectos necessariamente será contrário às leis daqueles aspectos, mas antes que ele afeta a soma total de nosso funcionamento e nossa personalidade como um todo.

Assim Dooyeweerd manteve que era importante, não só de um ponto de vista religioso, mas também do ponto de vista da vida saudável em sociedade e no ambiente, bem como do ponto de vista da ciência sã, que nós sustentemos o Motivo-Base hebreu, como visto através da revelação na Bíblia. Isto será, obviamente, inaceitável para muitos, e eles desejarão rejeitar ao menos esta reivindicação de Dooyeweerd; outros, porém, não podendo sustentar o resto do sistema de pensamento sem esta reivindicação específica, rejeitarão o sistema inteiro. Mas justamente isso fornece evidência substancial à tese de Dooyeweerd de que tudo é em última instância religioso.
Por essa razão o livro de Clouser (1992) é intitulado O Mito da Neutralidade Religiosa.

Uma Tentativa de Erguer um Sistema Filosófico Cristão

A motivação principal por trás do trabalho de Dooyeweerd foi a formação de uma estrutura filosófica que fosse Cristã e Bíblica, ou pelo menos que não fosse anti-cristã. Agora, com isto ele não quis dizer uma filosofia formada de frases ou doutrinas bíblicas. Nem pretendeu excluir todo outro pensamento religioso, seja secular, islâmico, hindu, ateístico, etc.

Dooyeweerd buscou conscientizar seu público de que nossas pressuposições subjacentes devem estar de acordo com o que Deus nos revelou via revelação Bíblica. Ele se incomodava com fato de que as idéias Bíblicas não pareciam ajustar-se 'confortavelmente' à maior parte do pensamento teórico, e também não ficava satisfeito com a explicação dada tanto por secularistas como por fundamentalistas de que a religião não tem nada a ver com este mundo de ciência, tecnologia, negócios e pensamento particular.

Um exemplo: como foi discutido acima, os gregos assumiram que o fato primário sobre uma coisa é que ela existe, e que existe em seu próprio direito. Já a revelação Bíblica diz que tudo é dependente do Deus de Criador, e que nada pode ser verdadeiramente conhecido sem referência a ele. Assim, toda tentativa de “saber” uma coisa sem ter Deus como referência está condenada ao fracasso, não importando o quão promissora ela possa parecer inicialmente. Outro exemplo: nós experimentamos o significado, e experimentamos de um modo que integra nossa experiência das coisas ao nosso redor. Até o momento ninguém explicou satisfatoriamente o significado levando em conta essa integração. Dooyeweerd acreditava que a solução seria encontrada em Deus.

Ele estava convencido de que existia uma explicação mais profunda, e deu a sua vida para descobrí-la. Primeiro ele voltou ao princípio do pensamento teórico (os gregos) e levou adiante o seu trabalho até à compilação de uma crítica cuidadosa: o Volume 1 de sua “Nova Crítica do Pensamento Teorético”. Mas ele pretendeu ser apenas ser negativo. Aceitou assim o desafio de construir uma estrutura alternativa, que não começasse já evitando Deus em princípio, e que fosse consistente. Ele buscou levar em conta a unidade e diversidade que nós experimentamos, todas as ciências e conhecimentos, bem como nossas experiências diárias. Em tudo isso seu desejo era erguer um sistema que pudesse penetrar nos debates intelectuais em seus próprios termos, mantendo ainda a relevância de Deus. Ele buscou isso para ser capaz de lidar com assuntos como: qual é a relação entre Deus e o cosmos que nós experimentamos e no qual vivemos? Os resultados deste trabalho formam os Volumes 2 e 3 de sua obra.
Eu creio que Dooyeweerd teve sucesso em lançar um fundamento ou um ponto de partida útil; entretanto, muito refinamento ainda precisa ser feito. Talvez haja uma falha crítica capaz de invalidar todo o sistema que ele produziu – mas isso nós só descobriremos mergulhando em seu pensamento explorando-o de verdade.

(Alguns cristãos são muito hostis às idéias de Dooyeweerd. Eu acredito que em sua hostilidade é baseada em parte em um engano, e em parte em um tipo pagão de fundamentalismo. Isso será discutido numa página separada).

Referências

Carroll J M, (1990), "Infinite detail and emulation in an ontologically minimized HCI", in Chew J C,

Whiteside J (eds.), "Empowering People: CHI'90 Conference Proceedings", New York, ACM Press.

Clouser R, (1992), The myth of religious neutrality in science and philosophy , University of Notre Dame Press.

de Raadt J D R, (1991), "Information and Managerial Wisdom", Pocatello, Idaho, Paradigm.
de Raadt J D R, (1994), "Enhancing the horizon of information systems design: information technology and cultural ecology".

de Raadt J D R, (1996), "What the prophet and the philosopher told their nations: a multi-modal systems view of norms and civilisation", accepted for World Futures.

de Raadt V D, de Raadt J D R, (1996), "A multi-modal and systemic critique to redesign the family", Proc. Swehol Working Conference, Maarssen, Utrecht, Netherlands, April 1996.

Dell P F, Goolishian H A, (1981), "Order through fluctuation: an evolutionary epistemology for human systems", Australian Journal of Family therapy, v.2, pp.175-184.

Dooyeweerd H. (1953-1955), "A new critique of theoretical thought", Vol. I- IV, Paideia Press (1975 edition), Ontario.

Grahn A, Bergvall B, (1994), "Performance indicators in Soft Systems Methodology", Proc. of 17th IRIS Confce (Information Systems Research seminar In Scandinavia), Oslo, Aug. 6-9 1994.

Hart H, (1984), Understanding Our World: An Integral Ontology , University Press of America.

Hirschheim R, Klein HK, (1989), "Four paradigms of information systems development", Comm. ACM, v. 32 (10), 1199-1216.

Kalsbeek (1975), Contours of a Christian Philsophy , Wedge Publishing Company, Toronto, Canada.

Polanyi M, (1967), The Tacit Dimension , Routledge and Kegan Paul.

Vickers G, (1983), "Human systems are different", Harper and Row.

Copyright (c) Andrew Basden, 8 de maio de 1998.
Traduzido com permissão do autor por Guilherme Vilela Carvalho, 06 de Dezembro de 2003. Comentários, perguntas e e-mails são bem-vindos, para nucleodeestudoscristãos@yahoo.com.br.
Versão em português: 06 de Dezembro de 2002.
Versão em inglês: Latest version: 8 June 1998. 24 September 1998 a bit more on neglecting aspects. 28 February 1999 altered re entity thinking and made link to new page there. 28 June 1999 link to new normativity page. 23 October 1999 links to God.cosmos.html. 24 November 1999 links to science. 7 February 2001 copyright, email. 19 September 2001 inserted Dependency heading; added anticipation and retrocipation. Started to move this summary away from I.T. Added paradox and antinomy. 28 June 2002 'more' link on presupp and gm.

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

O que é o MÍDIA SEM MÁSCARA?




MÍDIA SEM MÁSCARA é um website destinado a publicar as idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma idéia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.

O fenômeno do controle esquerdista já vem durando tanto tempo, são tantos os fatos que foram sonegados do público ao longo de mais de vinte anos, que torna-se tão importante restaurar o passado quanto denunciar o presente. Estamos tão preocupados com os jornais velhos quanto com os jornais do dia. Afinal, a acumulação do que os jornais velhos disseram forma o fundo de crenças que constitui a base de julgamento das notícias do dia. Não adianta corrigir esta ou aquela notícia em particular, se os critérios consolidados por uma longa repetição de mentiras já embotaram a sensibilidade do público.

Mas os exemplos são em quantidade ilimitada. Desde a década de 80 os brasileiros estão privados de informações, por exemplo, sobre tortura e mortes de prisioneiros em Cuba, sobre as contínuas fugas de funcionários importantes do regime cubano, sobre o envolvimento pessoal de Fidel Castro no tráfico de drogas etc. Estão privados de informações sobre os contínuos preparativos da China para uma guerra nuclear, sobre o apoio da Rússia e da China aos movimentos terroristas, sobre as novas e mais temíveis funções da KGB etc. Estão privados de informações até mesmo sobre a direita norte-americana, cujos atos e palavras só nos chegam na sua versão monstruosamente distorcida fabricada pelos Clintons et caterva. Estão privados de informações sobre praticamente tudo o que os historiadores descobriram, ao longo de mais de uma década, em pesquisas nos arquivos de Moscou.

A simples enumeração desses temas ausentes na nossa imprensa já basta para provar: na grande mídia brasileira não existe jornalismo nenhum. Existe apenas manipulação a serviço da esquerda.

Essa manipulação é geral e não está limitada aos militantes ou colaboradores de um partido. A corrente que nos domina hoje é constituída da totalidade da oposição esquerdista dos anos 70, que se diversificou em agremiações distintas para poder mais facilmente dominar o conjunto sem dar uma impressão demasiado flagrante de controle monolítico. Mas o controle monolítico existe. A uniformidade da censura seletiva nos vários jornais e canais de TV é evidente demais para que alguém possa negá-la com honestidade. Mais notável ainda é a unanimidade das reações da imprensa diante de qualquer ameaça comum ao esquerdismo dominante. Como a última campanha eleitoral para presidência demonstrou, as várias facções da esquerda estão separadas apenas por picuinhas, mas cada vez mais unidas no propósito de caluniar, criminalizar e excluir do processo político qualquer coisa que seja ou pareça direitista.

O movimento comunista sempre teve, dentro de suas fileiras, uma divisão entre esquerda e direita. Isso faz parte até do vocabulário historicamente consagrado com que os líderes do Partidão rotulavam as dissidências internas: "desvio pequeno-burguês de esquerda", "revisionismo de direita", etc. A esquerda brasileira se prevalece da total ignorância popular sobre a história do movimento comunista para nos impingir, a título de "direita", a sua própria ala direita, isto é, o tucanato. Tudo o que esteja portanto à direita do tucanato já não é uma direita legítima - é uma facção marginal, criminosa, que deve ser reprimida, calada e excluída da vida pública... em nome do pluralismo e da democracia.

Toda a mídia nacional é instrumento dócil a serviço dessa manobra. O pior é que, ao mesmo tempo, os jornais que a isso se prestam são ainda rotulados de "conservadores" pela própria esquerda, que assim se serve gostosamente de instrumentos "acima de qualquer suspeita".

Em muitos outros países há também um controle esquerdista da mídia. Mas em parte alguma ele é completo e abrangente como no Brasil. Em toda parte há jornais, revistas, estações de rádio e TV, teses acadêmicas e sobretudo livros, muitos livros que denunciam o estado de coisas, lutam para mudá-lo e com freqüência o conseguem. A derrota da CNN, que baixou para menos da metade da audiência da conservadora FoxNews graças às denúncias do jornalista Brent Bozell, é um exemplo de como é possível cortar ao menos alguns braços do Leviatã.

No Brasil, os poucos que tentam enfrentar essa situação são vítimas do ódio, da covardia e da mesquinhez dos expedientes a que homens poderosos têm recorrido para os calar. A má vontade surda e cega - quando não a ironia e a chacota - que os indiferentes e alienados opõem aos seus esforços, são indescritíveis.

O que torna as coisas ainda mais difíceis é que nos últimos anos o estímulo geral à expressão de crenças esquerdistas encorajou todos os analfabetos do país a dar opiniões. Cada um deles, armado do sentimento de certeza que lhe infunde o fato de estar do lado da maioria falante, recorre com a maior sem-cerimônia ao argumentum ad ignorantiam ("isso nunca chegou ao meu conhecimento, portanto isso não existe") e é reforçado nesse vício pela totalidade da mídia que lhe sonega, precisamente, os conhecimentos que ele não deseja ter.

Será preciso mais do que esse hábito generalizado para explicar o descenso abissal das capacidades intelectuais no país, justamente na década em que as verbas de "educação" foram centuplicadas, a indústria livreira progrediu formidavelmente, o ensino universitário cresceu como nunca e já não há mais de dois ou três por cento de crianças fora da escola primária? Não, os brasileiros não estão emburrecendo por falta de livros, jornais ou escolas. Estão emburrecendo porque em vez de educação e informação receberam propaganda esquerdista e se acostumaram a identificá-la com a cultura e a inteligência.

Contra tudo isso, quê podemos fazer? MÍDIA SEM MÁSCARA é composto de colaboradores que trabalham de graça, por generosidade, patriotismo e senso do dever. Os asssuntos abordados em MÍDIA SEM MÁSCARA versam desde política e economia até cultura geral e religião. Aqui você encontrará resenhas de livros, traduções de notícias e artigos inéditos no Brasil, análises econômicas e reproduções de alguns trechos da mídia nacional que passam despercebidos aos olhos do grande público.

Pouco nos importa a desproporção de forças. Quando os grandes se acovardam, os pequenos têm de dar o exemplo.

Créditos:

Editor: Olavo de Carvalho
Redação: Paulo Diniz Zamboni e Gerson Faria

Fonte: MÍDIA SEM MÁSCARA

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PENA MÁXIMA OU DEVERIA COMEÇAR COM A PRISÃO PERPÉTUA???

Justiça condena à pena máxima acusados pelo assassinato de João Hélio
Da Redação - Em São Paulo



Os quatro acusados pelo assassinato do menino João Hélio, de 7 anos, em 7 de fevereiro de 2007, foram condenados, juntos, a 167 anos e 3 meses de prisão, conforme sentença proferida nesta quarta-feira (30) pela juíza Marcela Assad Karam, titular da 1ª Vara Criminal de Madureira, no Rio de Janeiro, que classificou o crime como "ação bárbara e atroz".

Diego Nascimento da Silva foi condenado a 44 anos e três meses de prisão, enquanto Carlos Eduardo Toledo Lima, que abordou as vítimas no incidente, alertando a mãe Rosa Maria que o menino ainda se encontrava no veículo, mas nada fez para retirá-lo do carro, foi condenado a 45 anos de reclusão.

RIO DE JANEIRO

Tiago Abreu Matos, Carlos Roberto da Silva, Carlos Eduardo Toledo Lima e Diego Nascimento Silva (da esq. para a dir.)
MUDANÇA NO COMANDO DA PM NO RJ
FAVELA DO JACAREZINHO: 6 MORTES
Carlos Roberto da Silva, responsável por abordar a mãe do menino com uma arma, foi condenado a 39 anos de reclusão. Já Tiago de Abreu Matos, que roubou o carro, cumprirá pena de 39 anos de prisão.

Todas as penas, por imposição legal, foram convertidas ao máximo de 30 anos.

Segundo a sentença, Carlos Roberto foi absolvido da acusação de latrocínio (furto seguido de morte) devido à ausência de provas, pela classificação do crime como roubo, e da acusação de formação de quadrilha. Segundo a juíza, todos concorreram dolosamente (com intenção de matar).

O assassinato de João Hélio, que comoveu o país, ocorreu em 7 de fevereiro de 2007, quando cinco homens roubaram o carro de Rosa Maria e partiram com o veículo antes que o garoto fosse retirado, arrastando-o pelas ruas do Rio de Janeiro por sete quilômetros.

Durante as investigações, quatro homens e um adolescente foram detidos e, em depoimentos, confessaram o crime.

do UOL Últimas Notícias - http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2008/01/30/ult23u1079.jhtm


PRECISAMOS RECUPERAR UMA VISÃO CORRETA DA JUSTIÇA E DA PUNIÇÃO AOS CRIMINOSOS!

A NOSSA SOCIEDADE MATAM INOCENTES ATRAVÉS DO ABORTO E OS CRIMINOSOS QUE MATAM INOCENTES NÃO SÃO PUNIDOS COMO DEVERIAM E PRINCIPALMENTE, REJEITAMOS A VISÃO E A TRADIÇÃO JURÍDICA BÍBLICA RECOMENDADA!

LEIA MAIS E ESTUDE ESTE TEMA COM PROFUNDIDADE: PENA CAPITAL

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

G. K. Chesterton




Nascido em Londres, no ano de 1874, Chesterton era daqueles sujeitos que não conseguem passar despercebido aonde quer que estejam. A irreverência, o bom-humor e a eloqüência, associados a dois metros e nove centímetros de altura e a um peso médio de 140 quilos, transformavam qualquer ambiente; quer uma festa de aniversário infantil ou um acalorado debate com Bertrand Russel.

Chesterton era uma "máquina" intelectual. Escreveu mais de 4.000 artigos para jornais. Não bastasse a infinidade de artigos, escreveu mais de 100 livros e aproximadamente 200 contos, quase todos ditados para sua secretária. Destacam-se ainda as biografias sobre Tomás de Aquino e Francisco de Assis, além do livro O homem que foi quinta-feira (The Man Who Was Thursday) e a série de livros ficcionais que contam as peripécias protagonizadas pelo personagem Padre Brown.

Sua obra literária é tão versátil quanto marcante. Além de Ortodoxia, em que expõe os pilares da fé cristã, Chesterton escreveu Everlasting Man [O homem eterno], obra responsável por levar um jovem ateu, C. S. Lewis, ao cristianismo. Também é atribuída a Chesterton, decisiva influência na vida de líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).

Chesterton era extremamente consciente de sua fé. Mesmo quando tachado de retrógrado, não se intimidava em defender o ideário cristão e opunha-se, sem pedir licença, ao encantamento que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo despertavam na intelligentsia européia da primeira metade do século XX.

Gilbert Keith Chesterton faleceu em 14 de junho de 1936, em sua residência, na cidade de Beaconsfield (Reino Unido), ao lado de sua esposa Frances Blogg, deixando marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Ernest Hemingway, Graham Greene, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Marshall McLuhan, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Orson Welles e T. S. Eliot, que certa feita afirmou: "Chesterton merece o direito perpétuo a nossa lealdade".



O marco do pensamento cristão do século XX

Numa época em que a Europa dava os primeiros passos para tornar-se uma sociedade pós-cristã, um intelectual de grosso calibre, cansado do cinismo reinante e do fascínio despertado por novas idéias, resgata o núcleo da fé cristã como arcabouço suficiente para dar sentido à existência humana.

Ao contar sua jornada espiritual, G. K. Chesterton faz saber à intelligentsia européia da primeira metade do século XX que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo estavam longe de responder às questões existenciais mais profundas. E quando questionado sobre as aparentes contradições da fé cristã, Chesterton era um mestre em valer-se do paradoxo para apresentar a simplicidade do senso comum.

Seu jeito despojado, seu estilo incisivo e a facilidade de rir de si mesmo tornaram célebres seus debates com intelectuais da época, como George Bernard Shaw, H.G. Wells, Bertrand Russell e Clarence Darrow.

Dono de uma pena arguta, sutil e envolvente, Gilbert Keith Chesterton deixou marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Hemingway, Borges, García Márquez e T. S. Eliot. Como se não bastasse, seus textos influenciaram decisivamente líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).

Cem anos depois, Ortodoxia é um clássico da literatura que merece (e deve) ser revisitado.

LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO ORTODOXIA

Efetivado pelo Prof. Luis Cavalcante

*
postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ESCOLAS PÚBLICAS: A NOVA ZONA DE PROSTITUIÇÃO?




Olivia St. John

Se você já passou de carro em qualquer cidade grande (e em muitas menores), provavelmente você já se expôs ao que é chamado de “zona de prostituição”. É uma área pobre e precária da cidade com lojas pornográficas, bares e clubes de strip-tease — um lugar em que ocorre tudo. Poucas pessoas quereriam ter uma dessas áreas desoladas em sua própria vizinhança ou gostariam que seus filhos fossem expostos à sujeira e perversão dali.

Mas a maioria de nós não percebe que temos uma zona de prostituição bem perto de nossos lares. E nossos filhos não só têm permissão de estar ali, mas a lei realmente obriga a presença deles ali.

Graças à apatia pública e aos esforços de legisladores estaduais e federais mal-informados, juízes ativistas e sindicatos liberais de professores, as escolas de nossa nação se tornaram a nova zona de prostituição do século 21.

A prova:

As Alianças de Heteros e Gays (AHG) servem como fomentadores de sexo ilícito em mais de 3.000 escolas públicas nos Estados Unidos. O site Notícias da Rede AHG leva os estudantes para links de eventos sociais, seminários, conferências e outros eventos possibilitando que homossexuais adultos desenvolvam relacionamentos com jovens. Um anúncio recente busca “modelos jovens gays” que sejam rapazes de 15 a 18 anos “ou tenham a aparência de menos de 18”. Outro anúncio ainda convida os jovens para assistir gratuitamente filmes “sexualmente excitantes com prazer sensorial”. Informação de outubro desse site retratava um “Retiro Lésbico para Garotas” grátis para moças abaixo de 24 anos para “dois dias de educação lésbica radical sobre comunidade, corpo e prazer”.

Os ativistas da AHG dentro das escolas públicas introduzem materiais obscenos dignos de zonas de prostituição nas bibliotecas e debates de sala de aula. Considerados como “alfabetismo sexual”, os livros designados exploram as perversões sexuais, inclusive sexo adolescente com adultos. Um livro intitulado “A Caixa de Deus” questiona a “interpretação” de passagens da Bíblia acerca da homossexualidade. O jurista de direito constitucional Matt Barber descreve a irresponsabilidade como nada menos do que “negligência educacional”.

Esse material sexual explícito está agora no centro dos principais debates. A Rede AHG está oferecendo um “Novo Guia de Campanha”, com o título de “Compartilhando Nossas Estórias”, para seus clubes de escolas de ensino fundamental e colegial, planejado para injetar o “currículo GLBT nas aulas de história, ciência social e literatura”.

As iniciativas de recrutamento ativo até oferecem incentivos financeiros aos estudantes. Vários grupos homossexuais estão dando prêmios de 3.500 dólares ao ganhador de um concurso de vídeo sobre educação sexual. Participantes até de 15 anos têm dois temas para escolher. Eles podem compartilhar sua “experiência de educação sexual” e “redesenhar o modo como a educação sexual deve ser dada e imaginar que tudo é possível”.

O abuso sexual perpetrado por professores ou funcionários de escolas públicas é revelado por alguns estudos, que apontam um chocante número elevado de 5 por cento, com índices de assédio sexual subindo até 82 por cento. Um relatório de pesquisa de 1995 das professoras Charol Shakeshaft e Audrey Cohan, intitulado “Abuso Sexual de Estudantes Cometidos por Funcionários de Escola”, determinou que os professores que abusam sexualmente de seus estudantes são muitas vezes “considerados entre os melhores professores e são populares com estudantes e pais”. Em situações em que o abuso sexual havia claramente ocorrido, “os diretores raramente entravam em contato com a polícia ou a promotoria pública, e geralmente não relatavam as alegações para os disque-denúncias…” Aliás, aproximadamente 37 por cento dos professores acusados continuavam em seus distritos, apesar de que seus diretores acreditavam que eles haviam abusado sexualmente de um estudante”.

Lamentavelmente, até mesmo as maiores associações de educação estão no mesmo barco do abuso contra as crianças. A Coalizão de Escolas Seguras da Califórnia promove mudanças pró-homossexualismo nos livros escolares e recebe apoio da Associação dos Professores da Califórnia (APC) e da Associação de Enfermeiras Escolares da Califórnia. A APC representa mais de 340.000 professores de escolas públicas e outras profissões relacionadas.

Em maio de 2007, um palestrante de escola pública no Colorado entendeu melhor a mensagem que permeia a cultura das escolas públicas de hoje ao dizer aos estudantes que “façam sexo, usem drogas, homens com homens, mulheres com mulheres, e qualquer combinação que quiserem”.

Talvez Walter Williams, o distinto professor de economia da Universidade George Mason, tenha feito a melhor declaração: “…o problema é a qualidade geral das pessoas que estão ensinando nossos filhos”.

Ele pode estar fazendo referência aos déficits acadêmicos, mas certamente parece que a maioria dos professores de escolas públicas da nação também tem falta de caráter moral para se levantarem e denunciarem as zonas de prostituição exatamente pelo que são.

Praticamente sem forças, alguns pais (uma fração minúscula) gastam quantidades enormes de tempo abordando diretorias escolares, entrando com processos, avaliando livros escolares, fazendo trabalho voluntário nas escolas, etc. Muitos na Califórnia estão trabalhando em referendos que afetam a legislação que, de acordo com a Campanha em prol das Crianças e das Famílias, infelizmente traz apenas uma vitória temporária, já que logo “mais projetos de leis de doutrinação sexual” retornarão. Mas será que esses grandes gastos de tempo e energia estão obtendo resultados positivos e permanentes?

Considere isto: Se você estivesse preocupado com uma zona de prostituição afetando seus filhos em sua vizinhança, você perderia seu tempo avaliando revistas pornográficas das bancas da rua e dizendo aos fornecedores que você se opõe à pornografia? Você trabalharia para aprovar referendos legislativos sabendo que os cafetões retornariam? Você esperaria que a indústria inteira da pornografia se consertasse por causa de um processo? Você estaria disposto a trabalhar como voluntário em alguma sex shop na esperança de transmitir alguma influência positiva?

Ou você faria tudo o que pudesse para que a zona de prostituição fosse fechada por falta de clientes?

Olivia St. John é escritora free-lance com experiência de quase 20 anos como educadora do lar. Ela está agora escrevendo um livro que promove a educação escolar em casa.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Fonte: WND

Leitura recomendada:

O risco do ativismo gay nas escolas

Visite o Blog ESCOLA EM CASA

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

O ATUAL ESTADO RELIGIOSAMENTE ATEU, HEDONISTA, ANTI-CRISTÃO E CONSUMISTA ATRAVÉS DO CONSTRUTIVISMO ENSINARÁ HOMOSSEXUALISMO EM ESCOLAS INFANTIS!

Escolas infantis em SP ensinarão HOMOSEXUALISMO - São Paulo recebe peça de temática gay

No Brasil, a história de um gato que comia escondido por não gostar de peixe chegará aos palcos escolares a partir do segundo semestre. Baseada no livro "O Gato que Gostava de Cenoura", de Rubem Alves, a peça está em produção pela ONG Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados e deve ser encenada em escolas de Campinas (SP) e municípios próximos à cidade.
O espetáculo é uma das diversas atividades que a organização realiza com o objetivo de combater a homofobia.
Outros entre os vários títulos de literatura infantil nacional com temática homossexual são "O Menino que Brincava de Ser", de Georgina da Costa Martins, e o recém-lançado "Cada Família É de um Jeito", para crianças entre dois e cinco anos, em que Aline Abreu descreve lares construídos de diversas formas: com pai e mãe, com avós, com duas mães ou dois pais etc.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3105200706.htm

*
FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS PARA LIDAR COM A NOVA IDEOLOGIA HOMOSSEXUALIZANTE DA SOCIEDADE



ANÚNCIO DO LIVRO O MOVIMENTO HOMOSSEXUAL DE JULIO SEVERO

Gente, para quem não sabe, sou o autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia.

Meu livro revela que:

O movimento homossexual está crescendo e se espalhando rapidamente no mundo todo.
O sistema educacional, político e a sociedade em geral têm sofrido fortes pressões para apoiarem os grupos gays.
O movimento homossexual está usando os meios de comunicação para promover suas perversões e reivindicar seus direitos.
Um dos objetivos do movimento é levar as crianças e adolescentes a aceitarem a idéia de que o homossexualismo é uma opção saudável de vida.
Grupos gays estão perseguindo evangélicos que pregam o que a Palavra de Deus ensina sobre a relação sexual de um homem com outro homem.
O aumento da promiscuidade sexual provoca diretamente o aumento da violência e da criminalidade na sociedade.
As influências do movimento homossexual estão por toda parte: entram em nossas casas através dos meios de comunicação, nas escolas, no âmbito profissional e até nas igrejas.

Meu livro apresenta uma visão geral do movimento homossexual e mostra seu impacto nos vários segmentos da sociedade. Traz também um alerta para que os cristãos e a igreja não se calem, mas ofereçam respostas claras e bíblicas para todas as pessoas que desejam conhecer e fazer a vontade de Deus num mundo que está cada vez mais se corrompendo.

Um livro indispensável para líderes.

Adquira nas livrarias evangélicas ou ligue grátis para a Editora Betânia nos seguintes telefones:

0800-991822

0800-311822

Editora Betânia
Caixa Postal 5010
31611-970 Venda Nova, MG
Brasil

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

CONFRARIA ANTICONSTRUTIVSTA NO ORKUT


CONFRARIA ANTICONSTRUTIVSTA NO ORKUT

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Manual de combate - PEDOFILIA







Solicite gratuitamente o manual com o Prof. Luis Cavalcante - E-mail: cavalcante@luiscavalcante.com

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

25 Maneiras de Ajudar Suas Crianças a Amarem a Leitura

25 Maneiras de Ajudar Suas Crianças a Amarem a Leitura

Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Dawkins - O ateu-fundamentalista-construtivista

Dawkins, uma Confusão - Naturalismo ad absurdum

Alvin Plantinga

Tradução: Vitor Pereira1

Richard Dawkins não está satisfeito com Deus:

“O Deus do Antigo Testamento é sem dúvidas o personagem
mais desagradável de toda ficção. Ciumento e orgulhoso;
mesquinho, injusto, maníaco controlador implacável, vingativo,
sedento de sangue, misógeno, homofóbico, racista, infanticida,
genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco…”

Bem, não é necessário terminar a citação; deu pra entender a idéia.
Dawkins parece ter escolhido Deus como seu arquiinimigo. (Vamos esperar,
para o bem de Dawkins, que Deus não retribua na mesma moeda.)

Deus, um delírio (2) é um extenso discurso contra a religião em geral e a
crença em Deus em particular; Dawkins e Daniel Dennet (cujo recente
Quebrando o Encanto é sua contribuição para esse gênero) são a dupla de ataque
do ateísmo acadêmico.(3) Dawkins escreveu seu livro, ele diz, para encorajar
ateus tímidos a saírem do armário. Ele e Dennet parecem acreditar que é
necessária uma boa dose de coragem para atacar a religião nos dias de hoje;
Dennet diz, “Eu ponho minha cara a tapa, mas ainda assim eu persisto.”
Aparentemente o ateísmo tem seus próprios heróis da fé – seus autointitulados
heróis. Nesse ponto não é fácil levá-los a sério; atacar a religião no
ocidente é tão perigoso quanto apoiar o candidato da festa num encontro
republicano.

Dawkins é talvez o escritor de ciências mais popular do mundo; é
também um escritor de ciências muito talentoso (Por exemplo, seu livro O
Relojoeiro Cego é um brilhante e fascinante tour de force). Deus, um delírio,
entretanto, contém pouca ciência; é em grande parte filosofia e teologia (talvez
“ateologia” seria um termo mais apropriado) e psicologia evolucionista, junto
com seus comentários sociais denegrindo a religião e seus efeitos maléficos.
Como a citação acima sugere, não devemos esperar do livro um comentário
cuidadoso e minucioso. De fato, o nível de insulto, ridicularização e zombaria
é gritante. Se Dawkins se cansar do seu trabalho cotidiano, um futuro
promissor como comentarista político o aguarda.

1 Tradução disponível no blog http://despertaibereanos.blogspot.com/.
2 Publicado no Brasil pela Companhia das Letras. (N. do R.)
3 Um terceiro livro sobre esses assuntos, The End Of Faith (O Fim da Fé), foi escrito recentemente por Sam Harris, e ainda mais
recentemente uma seqüência, Carta a Uma Nação Cristã, então talvez deveríamos falar do trio de ataque – ou, já que Harris é muito
jovem nesse empreitada (ele é um estudante de graduação) talvez “Os três ursos do ateísmo”?

Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Procurando uma escola para meus filhos

Prof. Dr. Rev. Mauro Meister

Em 2002, Deus me deu a oportunidade de começar a trabalhar no campo da educação cristã escolar (chamo-a assim para que não se confunda o leitor com a idéia de que educação cristã é um campo que se limita à educação na escola dominical). Esta oportunidade me abriu imensos horizontes e me fez trilhar caminhos de grandes descobertas. Desde então, tornei-me um ‘militante’ da educação cristã escolar, ao lado de outros que Deus chamou para este ministério. Porém, ainda que alguns poucos sejam os ‘chamados’ para esta aventura, este é um ministério do corpo de Cristo que precisa, urgentemente, ser abraçado por todos. Creio que na educação cristã escolar reside um dos pontos de esperança para a mudança da nossa nação e para que os chamados evangélicos comecem a fazer alguma diferença neste país.

Digo isto porque a escola cristã verdadeira tem nas mãos a possibilidade de formar gerações inteiras com uma visão de vida e de mundo cristãs, o que muitas vezes não acontece na igreja. Nem sempre a conversão implica em uma mudança plena da forma como as pessoas enxergam toda a realidade. É por isto que continuamos a ver tanta ‘coisa estranha’ no meio evangélico.

Chegamos à época do ano em que as decisões sobre a vida escolar de nossos filhos precisam ser tomadas. Se alguma coisa vai mudar, é agora. Dentro em breve os jornais da cidade começarão a publicar as “dicas” sobre como escolher uma escola, que características devem ser observadas e que serviços uma escola moderna deve oferecer. As revistas de circulação nacional farão o mesmo, como todo ano, lançando seus desafios para os pais da nação em busca da escola ideal para seus filhos.

E os pais cristãos, devem ter algum critério para escolha da escola de seus filhos? Com certeza, sim. Sabemos que a situação da educação cristã em nosso pais é muito precária e o número de escolas cristãs é ainda diminuto em relação às necessidades que temos. Mas, em havendo a possibilidade de escolhas, o que devemos procurar em uma escola cristã?

Um compromisso inalienável com a Verdade , sabendo que toda a verdade é verdade de Deus e que a realidade do mundo a nossa volta deve ser inquirida com os olhos da Revelação Especial de Deus, as Escrituras. Só uma escola legitimamente cristã é capaz de fazer isto. Logo, é fundamental que os pais procurem reconhecer a filosofia da escola onde pretendem expor seus filhos a educação. Se é verdade o que Escritura diz, que Cristo deve ter a primazia em todas as coisas (Cl 1.18), isto deve incluir a educação escolar. Se é verdade o que a Escritura diz, que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2.3), estes tesouros só podem ser plenamente descortinados com uma visão clara de Cristo. Se o fundamento teológico exposto por Calvino for verdadeiro, que o homem foi criado para conhecer a Deus, é na escola cristã que nossos filhos terão a melhor condição de fazê-lo.

O segundo compromisso essencial da escola cristã, que necessariamente deve acompanhar o primeiro, é o compromisso com o desenvolvimento intelectual do aluno. Logo, o serviço da escola cristã, exatamente por ser escola, deve enfatizar o desenvolvimento intelectual de seus alunos, para a glória de Deus. Escolas cristãs não podem ter apenas “fachada” de escola e promoverem uma educação desqualificada. A boa escola cristã deve buscar em todas as áreas de sua atuação a excelência acadêmica. Deve ficar estampado no ensino da escola cristã o fato de que ela não está ai simplesmente “servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.” (Ef 6.6)

Em terceiro lugar, a escola cristã deve buscar a excelência entre os Educadores Cristãos. A questão é muito simples: educação cristã, na sua essência, é feita por seguidores comprometidos com Cristo. Só o educador cristão pode entender e implementar os dois princípios acima de maneira completa.

É também fundamental que a escola cristã promova as experiências de aprendizado com o fim de que seus alunos alcancem o seu pleno potencial em Cristo, preparando o educando para uma vida de serviço cristão, compreendendo as suas responsabilidades com os pais, família, autoridades, nação e a criação de Deus como um todo. Procure saber se a escola busca envolver seus alunos no discipulado e se há uma preocupação de que as atividades curriculares apontem para o desenvolvimento do aluno.

Uma última questão a ser analisada é a Integridade Operacional. A escola cristã precisa ser conhecida pelo mais alto padrão de justiça e verdade em todos os seus processos administrativos. É uma incoerência para a comunidade e para o próprio aluno que sua escola cristã seja motivo de desconfiança em meio à sociedade. A integridade operacional da escola cristã precisa ser clara desde a sala de aula até os níveis mais altos de sua administração.

Onde se encontra esta escola? Creio que não a encontraremos na próxima esquina e nem tão próximo de nosso tempo. No entanto, existem escolas cristãs que estão buscando estas coisas e nós, como pais, devemos procurá-las e incentivá-las. Ainda mais, deve ser sonho de pais e educadores cristãos buscarem e sonharem em construir esta escola. Peço a Deus que dê a muitas igrejas, conselhos e pastores a visão de começarem escolas legitimamente cristãs junto a suas comunidades.

Um dos recentes projetos em que eu e Solano temos trabalhado (junto com uma crescente equipe) é na criação de um sistema de ensino que parte de uma cosmovisão cristã.

Recursos:
Conheça o site da ACSI - Associação Internacional de Escolas Cristãs
Conheça o site da AECEP - Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios

Livros:

Educação Cristã? Solano Portela (FIEL)
Livros publicados pela ACSI-Brasil:

Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Educação
Fundamentos da Psicologia da Educação
Fundamentos Pedagógicos
Enciclopédia das Verdades Bíblicas - Fundamentanção para o Currículo Escolar Cristão
Sala de Aula, Disciplina e Gestão

Introdução à Educação Cristã - Perry G.Downs - Ed.Cultura Cristã
Sobre a formação de uma cosmovisão cristã:

Todos o livros de Francis Schaeffer, principalmente a 'trilogia': O Deus que Intervém, Morte da Razão e O Deus que se revela. Também, Como viveremos e Morte na Cidade.
Verdade Absoluta (uma tradução infeliz do título original -Total Truth) - Nancy Pearcey - CPAD
Alma da Ciência - Nancy Pearcey & Charles Thaxton - Cultura Cristã
E agora, como viveremos? - Charles Colson & Nancy Pearcey - CPAD
O Universo ao Lado - James Sire - Editorial Press
O Cristão e a Cultura - Michael Horton - Cultura Cristã
Fundamentos Inabaláveis - Normal Geisler / Peter Bocchino - Editora Vida
Crer é também pensar - John Stott - ABU

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Camisinhas, Refrigerantes e Doces

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes

“As camisinhas, antes distribuídas pelo governo em postos de saúde, estarão disponíveis gratuitamente aos adolescentes nas próprias escolas, por meio de máquinas semelhantes às de refrigerantes e doces. Os ministérios da Educação e da Saúde se uniram num projeto para levar preservativos ao ambiente escolar e, assim, reforçar as campanhas de prevenção à Aids e demais doenças sexualmente transmissíveis” (A Tribuna, janeiro de 2007).

Pois é, agora os nossos adolescentes vão poder comprar camisinhas na escola da mesma forma que rotineiramente compram refrigerantes e doces. Parece que estou vendo: “Filhinha, aqui está o dinheiro para o lanchinho de hoje na escola e com o troco, compre uma camisinha, caso hoje você vá ‘ficar’ com alguém...”

Parece que para muita gente as relações sexuais entre adolescentes são tão naturais e normais quanto fazer um lanchinho no intervalo da aula. Uma máquina de camisinhas no banheiro da escola – que apelo essa imagem passa ao adolescente que passa no banheiro para um rápido pipi?

Eu estou perfeitamente consciente dos altos números da AIDS, da gravidez e das DST entre crianças e adolescentes no Brasil. Sei que alguma coisa precisa ser feita. Também sei das publicações oficiais que mostram que o Brasil está entre aqueles países que conseguiram diminuir o avanço da AIDS. Todavia, me recuso a aceitar soluções para esses problemas que partem da premissa que a relação sexual entre adolescentes é um ato normal de satisfação de uma necessidade fisiológica, como matar a sede ou a fome.

O assunto tem tudo a ver com a questão do sexo antes do casamento. A minha opinião é aquela do Cristianismo histórico conservador, ou seja, que o sexo é uma bênção dada por Deus para ser usufruída numa relação de compromisso e responsabilidade dentro do casamento. O sexo é mais do que o envolvimento físico de um homem de uma mulher, tem dimensões mais complexas que só podem ser entendidas plenamente no ambiente do casamento. O sexo antes e fora do casamento nunca pode ser total, pois lhe falta o elemento do compromisso moral, psicológico e espiritual que faz com que ele seja completo. Por estes motivos, considero sexo antes do casamento – e especialmente entre adolescentes – um desvirtuamento da intenção original de Deus quanto à sexualidade.

Pessoalmente, não vejo problemas com campanhas de prevenção contra DST e educação sexual feita de maneira adequada. Apenas lamento a idéia de que a distribuição cada vez maior de camisinhas – ainda que acompanhada de alguma orientação sobre sexualidade – vá resolver o problema. Como muitos, temo que na verdade acabe por fomentar ainda mais a promiscuidade sexual entre adolescentes, que são despertados e se sentem seguros para ter uma vida sexual ativa com vários parceiros de toda orientação sexual disponível no mercado.

E aqui tocamos em outro tema afim, a questão da educação sexual. Acho que os adolescentes deveriam ter educação sexual em suas famílias, desde cedo. É tarefa dos pais instruírem os filhos sobre a sexualidade e as questões relacionadas ao sexo. Mas, porque essa acabou virando uma tarefa quase que exclusiva das escolas? Creio que isso se deve ao fato que muitos pais são omissos, muitas famílias estão destroçadas, muitos pais não têm exemplo para dar e nem autoridade para ensinar qualquer coisa aos filhos nessa área. OK, dos males o menor... mas, e na escola?
A educação sexual na escola não deveria ficar entregue nas mãos de pedagogos, psicólogos e médicos que podem não ter uma formação moral e ética que permita uma visão mais integral do assunto e a inserção de valores morais e éticos que sempre fizeram parte da tradição cristã ocidental. Via de regra, o que se ensina hoje em grande parte das escolas é o "ficar” como sendo normal e desejável, o sexo antes do casamento como se fosse a coisa mais natural do mundo, quer seja hetero ou homo. Só para dar um exemplo, segundo a cartilha “Sexualidade, Saúde e Bem-Estar” da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, escrita com ajuda da coordenadora de seu Programa da Adolescência, o ato de "ficar" – que pode acabar em relações sexuais – é desejável entre adolescentes, pois não traz obrigações, compromissos e rejeições e dá "oportunidade de adquirir mais experiência, antes de eleger alguém como parceiro definitivo". Não sei se essa visão é representativa da visão oficial, mas imagine o que isso representa ao ser lido ao lado de uma máquina de camisinhas!

A causa básica do crescimento da AIDS, da fragmentação da família, do aumento do número de adolescentes grávidas e de mães solteiras, da falta de controle da natalidade, é o impacto, ainda hoje, do movimento de liberação sexual que teve início na década de 60. O movimento derrubou todas as restrições morais com relação ao sexo, desvalorizando o casamento e a virgindade e transformando o sexo numa experiência fisiológica desconectada de valores como compromisso, fidelidade e amor autêntico. Esta é a verdadeira causa da explosão de doenças venéreas, da AIDS, e dos graves problemas sociais resultantes da promiscuidade entre os jovens dessa geração. E o que mais nos dói é saber que há grupos dentro das igrejas evangélicas que defendem o sexo antes do casamento como coisa normal entre adolescentes e jovens. O uso de camisinhas numa situação dessas é um remendo, é usar um band-aid para curar um câncer.

A promoção de uma educação sexual liberal, a campanha e a instalação de máquinas de camisinhas, na minha opinião, terão efeitos contrários, considerando o ambiente erotizado de nosso país, erotizado pela mídia de todos os tipos, pelos artistas, pelas novelas, que atingem nossos filhos até dentro de casa. Estaremos empurrando ainda mais os adolescentes para as relações sexuais.

Não sou contra a campanha oficial para uso da camisinha. Sou contra a falta de uma campanha que atinja o cerne do problema, de uma campanha de educação sexual que enfoque os benefícios e vantagens da abstinência até o casamento. Eu sei que uma campanha dessas é politicamente incorreta e absolutamente impensável para o nosso Estado comprometido com valores seculares e liberais. Contudo, penso que é o caminho correto, pois vai na raiz do problema.

Sei que há quem pense que essa posição acaba por afastar os adolescentes do Cristianismo evangélico. Todavia, não considero essa posição como "fechada". A posição "aberta" só tem trazido problemas de toda sorte a esta geração. Além do mais, o pensamento da Igreja deve se guiar pelo que diz a Bíblia, a Palavra de Deus, e não por objetivos pragmáticos. Os padrões morais revelados por Deus na Bíblia não devem ser diminuídos em nome de se manter as igrejas cheias de adolescentes e jovens. Os jovens gostam da verdade. Se dissermos a verdade a eles em amor, clareza e gentileza, não se afastarão, ao contrário, se sentirão atraídos, pois buscam sempre um ponto de referência.

Marcadores: abstinência, adolescentes, AIDS, camisinhas, sexo

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Fé e Meio Ambiente

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes

A geração que nos sucede receberá um legado ameaçador, que são os graves problemas ambientais que afligem o nosso planeta. Muito embora devamos ser críticos em relação ao tom catastrófico e apocalíptico com que organizações ambientalistas costumam se pronunciar sobre o futuro do planeta e de seus habitantes, existe pouca dúvida de que a crise é, de fato, real. Poluição dos rios, dos mares e do ar, desmatamento, redução da camada de ozônio, não só a ameaça, mas a extinção de espécies animais, aquecimento global – são apenas alguns dos itens na pauta de ambientalistas, governos e religiosos. Essas preocupações têm a ver com a sobrevivência da raça humana num planeta cujas reservas estão sendo exauridas a passos largos.

Acredito que exista uma relação inseparável entre os conceitos de “cosmovisão” e “ecologia”. O primeiro, como Solano tem mostrado claramente em posts anteriores, é uma maneira peculiar de entender nossa relação com Deus, com o próximo e com o mundo; e o segundo é o estudo das interações dos seres vivos entre si e com o meio-ambiente. Em outras palavras, aquilo que acreditamos acerca de nós mesmos, de Deus e do mundo onde vivemos determinará nossas decisões quanto ao nosso planeta.

O Cristianismo tem promovido através dos séculos uma cosmovisão coerente e abrangente que tem interagido com a ciência e o progresso. Estudiosos têm reconhecido a necessidade de uma base religiosa na área da ecologia. “A ecologia humana é profundamente condicionada pelas crenças sobre nossa natureza e nosso destino – isto é, pela religião”.[1]

É um fato que encontramos entre os grandes poluidores do planeta alguns paises que nasceram sob a égide do Cristianismo. Tal constatação não invalida os ensinamentos bíblicos sobre o cuidado com a natureza. No máximo, sugerem que esses ensinamentos não permearam suficientemente a cultura e a mentalidade dessas sociedades. Ou ainda, que os referenciais cristãos, que num passado distante foram adotados por elas, são agora rejeitados ou distorcidos, no todo ou em parte, em nome dos interesses econômicos.

Os seguintes pontos tirados da fé cristã reformada podem servir de base para a formação de uma mentalidade ecológica cristã.

1) O mundo foi criado por Deus. “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). O mundo é obra de suas mãos, mesmo que não saibamos, em termos científicos, a maneira pela qual a sua Palavra trouxe todas as coisas à existência. A origem divina de tudo o que existe não significa que nosso planeta é uma extensão de Deus ou muito menos que mereça nossa adoração. Significa que ele merece nosso respeito e nosso cuidado, como o lar que Deus preparou para nós e os demais seres vivos. Significa também que Deus é o soberano Senhor da criação, como disse Davi, rei de Israel, muito tempo atrás: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24.1).

2) O mundo foi criado bom. “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31a). “Muito bom” é o veredito do Criador sobre a natureza. Ela foi declarada boa tanto pelo seu valor intrínseco quanto por sua perfeita adequação às necessidades humanas. Isso difere da visão do antigo dualismo entre matéria e espírito, que equiparava a matéria à desordem. De acordo com essa visão, a matéria é má e pecaminosa. Perspectivas que têm uma visão negativa do mundo físico ou que o separam da sua origem transcendente dificilmente podem nos dar alguma esperança de achar soluções racionais e abrangentes para nossos problemas ambientais.

3) O mundo funciona de acordo com leis e princípios estabelecidos por Deus. A convicção fundamental da ciência é que o mundo funciona de acordo com leis e princípios regulares e constantes e, portanto, previsíveis. Essa base é dádiva da visão cristã de que o mundo foi criado de forma ordenada por um único Deus, um Deus de ordem, e não por vários deuses ambíguos, contraditórios, incoerentes e caprichosos, a partir da matéria caótica, como acreditam alguns. Foram cientistas com as convicções acima, no todo ou em parte, que lançaram as bases da moderna ciência e da tecnologia, como os astrônomos Kepler e Galileu, os químicos Paracelso e Van Helmont, os físicos Newton e Boyle e os biólogos Ray, Lineu e Cuvier, para citar alguns. Somente com esses referenciais podemos entender o funcionamento do meio-ambiente, do mundo e seus recursos, perceber os desastres que estamos causando por violarmos essas leis e prever soluções.

4) O ser humano é único. De acordo com o Cristianismo, o ser humano foi criado por Deus juntamente com a natureza e os demais seres vivos. Nesse sentido, é parte integrante dela. Todavia, ele foi feito de forma única, à imagem e semelhança de Deus, o que o distingue do restante da criação. A imagem de Deus implica, entre outras coisas, que o ser humano foi dotado de inteligência e, portanto, pode interpretar as leis do mundo e prover os meios de preservá-lo. Em algumas cosmovisões o ser humano, a natureza e Deus estão em níveis idênticos e fazem parte de uma mesma substância, o que torna impossível ao ser humano transcender a natureza para poder analisá-la, dominá-la e ajudá-la.

5) O ser humano é mordomo da criação. “Tomou o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gênesis 2.15). Deus o colocou no mundo como seu gerente e lhe deu alguns mandatos: cuidar da criação, de onde tiraria seu sustento, protegê-la e preservá-la, conhecê-la, estudá-la, para assim conhecer melhor a si mesmo e a Deus. O ser humano é o mordomo de Deus. Não é o soberano senhor, dono e déspota, mas o responsável diante de Deus pelo emprego correto dos recursos naturais, pelo seu próprio desenvolvimento de forma sustentável e pela preservação dos demais seres vivos.

6) Vivemos num mundo afetado pelo pecado. De acordo com a Bíblia, quando o ser humano colocado no jardim se revoltou contra o Criador, precipitou no caos a si mesmo e a criação pela qual era responsável. “Maldita é a terra por tua causa” (Gênesis 3.17) foi a sentença do Criador ao ser humano, agora sujeito à morte, a retornar ao pó de onde fora tirado. Tensões se estabeleceram entre Deus e o ser humano, entre o ser humano e seus semelhantes, e entre o ser humano e a natureza. A crise que vivemos hoje se deve a estas tensões:

Separado espiritualmente de Deus, o ser humano perdeu a referência da sua existência e da relação criatura-Criador. Essa última perda, em especial, afetou profundamente a sua maneira de ver o mundo, que ele ora agride e exaure, ora venera e teme como a um deus.

Vivendo em tensão emocional em relação aos seus semelhantes, o indivíduo dedica-se a buscar seus próprios interesses, mesmo que à custa do próximo. A exploração egoísta e desenfreada dos recursos naturais é feita sem levar em consideração que os mesmos faltarão à próxima geração.

Em tensão com a natureza, o ser humano a explora, agride e exaure, em nome do poder, do lucro e do progresso. O meio ambiente é para ele somente um bem de consumo.
Diante do exposto, entendemos que os problemas ambientais são primeiramente de origem moral e espiritual. Entendemos ainda que a solução passa pela transformação interior das pessoas, uma mudança de mentalidade com relação a Deus, ao próximo e à natureza. Em suma, é esse o apelo e o chamado do Evangelho.

Uma abordagem ecológica que tenha os fundamentos acima como referência poderá escapar dos extremos de algumas perspectivas populares:

1) Uma visão mística, em que o ser humano não mais é entendido como mordomo de Deus encarregado de cuidar, desenvolver e usar a natureza com sabedoria. Ao contrário, é entendido como servo dela, com a obrigação de preservá-la, como se ela fosse sagrada e como se o ser humano devesse manter uma atitude de adoração para com ela. Essa visão impede o uso inteligente e racional dos recursos naturais, a busca de soluções para os graves problemas humanos e o desenvolvimento do ser humano em geral.

2) Uma visão sentimentalista da natureza, que tem como ideal a vida rural. Por mais atraente que tal visão seja, ela não faz justiça à vocação e à responsabilidade do ser humano. O progresso do ser humano, conforme a Bíblia, é do jardim para cidade, e não necessariamente de volta para o campo. Essa visão, à semelhança da anterior, impede que o ser humano explore com sabedoria e responsabilidade os enormes recursos naturais à sua disposição e que podem promover seu progresso e bem-estar, e isso sem a depredação da natureza.

3) Uma visão antropocêntrica, que coloca o ser humano no centro e recorre a soluções tecnológicas para a crise ecológica que, além de serem extremamente caras, acabam mantendo a atitude de desprezo para com o meio-ambiente. Essa visão tende a agravar a crise e a lançar o ser humano cegamente no caminho da autodestruição.

Cremos que a fé cristã-reformada provê as premissas epistemológicas, morais, espirituais e éticas para que possamos lutar pelo meio ambiente e em prol do nosso planeta, fazendo ecologia de forma coerente e integral.

[1] Lynn White Jr., “The Historical Roots of Our Ecological Crisis”, In: Science, vol. 155, pp. 1203-1207, 10 de março de 1967.


Marcadores: cosmovisão, ecologia, mordomia, poluição

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Mitos da Pluralidade

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Uma das palavras que caracteriza a época nova que estamos vivendo é “pluralidade”. É um dos conceitos ícones da nova geração. Eu tenho acompanhado a mudança da minha geração para essa presente, e confesso, não tem sido fácil para mim. Uma das coisas que me deixa perturbado é a facilidade com que “pluralidade” se tornou símbolo desse novo tempo, como pessoas trazem o termo na boca, prontos para usá-lo a torto e a direito, sem a menor reflexão sobre seu sentido.

Admito que há pluralidade no mundo, se entendermos pluralidade como diversidade. Nesse sentido, a criação de Deus é plural, a humanidade feita à Sua imagem é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Com esse significado relativo e limitado, recebo e amo a pluralidade que encontramos num mundo que faz sentido e que se sustenta em cima de unidades, de princípios universais e absolutos. É, para mim, uma expressão da riqueza, poder e criatividade de nosso Deus.

Todavia, muita gente usa o termo no sentido absoluto, para negar toda e qualquer unidade, igualdade, harmonia e coerência que porventura existam no mundo, nas idéias, nas pessoas e nas culturas. Na verdade, o conceito subjacente que o termo pluralidade, usado modernamente, pretende desconstruir, é o de verdade absoluta, de conceitos e idéias e princípios que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, pluralidade é a testa-de-ferro do relativismo que infesta a mentalidade moderna: a existência coerente de verdades contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade.

Para mim, como cristão reformado, a pluralidade, entendida como diversidade, traz um monte de coisas boas. Se entendida como relativismo total ou variedade contraditória, tenho algumas dificuldades com ela.

1) Nenhum defensor da pluralidade consegue viver de forma coerente com sua crença de que tudo é relativo. Na prática, ele precisa compartilhar com os demais seres humanos determinados valores, convenções, costumes e leituras em comum, sob o risco de não conseguir se relacionar, comunicar e sobreviver. Todo relacionamento precisa de regras comuns e aceitas por todos, como contratos de trabalho, tabela do táxi, leis de trânsito e uma ética ainda que mínima. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios físicos e leis universais e que são observados e reconhecidos por todos.

2) Apesar de Raul Seixas ter preferido ser “uma metamorfose ambulante”, e “dizer agora o oposto do que disse antes”, tenho a impressão que dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com a idéia da pluralidade. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que ele não pode fazer sentido da realidade, encontrar o seu lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acredito que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus, um Deus de ordem, coerente, completo.

3) O conceito de pluralidade absoluta é internamente inconsistente. A afirmação “não existe uma única idéia certa, mas muitas” pode ser entendida simplesmente como apenas mais uma dessas muitas idéias, relativa e portanto não válida para todos ao mesmo tempo.

4) A defesa da pluralidade está longe de ser o discurso da tolerância, da igualdade e da convivência pacífica de idéias diferentes – ela esconde a busca pelo poder, pela instalação e dominação de uma única idéia e exclusão das outras. O melhor exemplo disso é a academia. Na universidade e nas escolas modernas, embora o discurso seja da convivência com o contraditório, o que existe na prática é a dominação ideológica por parte de um grupo que lentamente vai excluindo outras linhas de pensamento. Isso ocorre na psicologia, na biologia, no direito, na filosofia, etc.

5) O princípio subjacente à criação das universidades era exatamente procurar as verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento e fazer uma síntese de tudo que existe. Daí o nome universidades. Infelizmente, hoje, as universidades viraram diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Quando as universidades surgiram, a cosmovisão cristã fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. A teologia era considerada a rainha das disciplinas. Hoje, relegada a um departamento da filosofia, deixou um vácuo até agora não preenchido. A fragmentação do conhecimento tem sido o resultado na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos, diferentes e contraditórios.

6) A pluralidade modernamente entendida está longe de ser um valor cristão. Muito embora a Bíblia reconheça a pluralidade no sentido de diversidade, quando se trata da revelação de Deus e da verdade, ela se torna intolerante. Outro Evangelho é anátema. O discurso em favor da pluralidade por vezes visa favorecer a legitimação de crenças e práticas que a experiência, a história, a consciência e especialmente a revelação bíblica ensinam que são incorretos, errados e equivocados – para não dizer pecaminosos.

7) Muita gente fala de pluralidade de idéias como se todas as idéias fossem diferentes entre si, ignorando que em muitos casos, elas não se contradizem, apenas se complementam, sendo uma faceta do mesmo diamante, o outro lado da mesma moeda. Em muitos outros casos, idéias que parecem antagônicas são apenas “antinomias” – termo que prefiro a paradoxo. Isto é, a contradição entre elas é apenas aparente, e a falta de harmonização entre elas se deve não a qualquer coisa intrínseca a elas, mas à nossa falta de capacidade de entendê-las e de relacioná-las. Num mundo criado por um Deus todo-poderoso, onisciente e infinitamente sábio é de se esperar que suas criaturas nem sempre entendam racionalmente como as coisas – e elas mesmas – funcionam. O mesmo se aplica à revelação que esse Deus fez de si mesmo nas Escrituras.

8) O conceito de pluralidade não legitima a diversidade de religiões. Apenas constata o óbvio, que existem religiões diferentes, e que dentro dos mesmos ramos religiosos existem diferentes interpretações e compreensões acerca de Deus, do homem, da realidade e do relacionamento destas coisas entre si. Todavia, a pluralidade funciona apenas como uma constatação e não como uma religião propriamente dita, embora muitos já tenham adotado a pluralidade como sua religião. Eles crêem em tudo e por isso mesmo, não crêem em nada.

9) É lamentável que muitos que se dizem seguidores de Jesus Cristo e da Bíblia insistam que a pluralidade é o caminho do cristão. Esquecem as posições firme e claras, e por vezes exclusivistas, que Jesus tomou com relação a outras posições e compreensões religiosas de sua época. Essa atitude foi seguida à risca pelos seus apóstolos. Os escritos neotestamentários denunciam falsos profetas, diferentes compreensões da vida e obra de Cristo e relegam ao campo das heresias aquelas idéias e conceitos que não se conformavam com o ensino original de Jesus e dos apóstolos. Não há qualquer amor à pluralidade – entendida como relativismo pleno e variedade contraditória – nos escritos do Novo Testamento.

Não me entendam mal. Reafirmo a existência e reconheço a realidade da diversidade, variedade, multiplicidade de idéias, conceitos, costumes, e que elas são resultado dos diferentes ambientes vivenciais, experiências e culturas dos indivíduos. Estou questionando o pensamento de que pluralidade implica na total relativização da verdade, na dissolução do conceito de que existem idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas que são universais. Nesse ponto, continuo firme na convicção que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para se ver e entender a realidade como um todo coerente.

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

A lei da homofilia, para leigos...

Prof. Dr. Rev. Mauro Meister

Antes que se torne proibido comentar e se expressar sobre matéria, vamos falar... (depois, só na cadeia). Parece que com tanto escândalo de homossexualidade no meio evangélico nos últimos tempos, ficou difícil falar sobre o assunto (veja o post A anatomia de uma queda). Já tem, no entanto, bastante material publicado sobre o assunto, principalmente a reação cristã e conservadora ao PROJETO DE LEI nº 5003/ 2001, que foi aprovado pela câmara em dezembro de 2006. Minha intenção é mostrar na linguagem comum so que trata este projeto de lei, o tanto quanto possível, e fazer uma breve análise.

O que é este projeto de lei?


Autor DEPUTADO - Iara Bernardi

Ementa
Altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, dá nova redação ao § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, e ao art. 5º da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências.

A primeira lei mencionada, Lei nº 7.716, é a lei brasileira anti-discriminação que "Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor" (dos tempos de Sarney). A nova proposta não mais trataria apenas de raça ou cor, mas passa a ter a seguinte ementa:


“Define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”

Logo, a idéia é aumentar o escopo da lei na luta contra a discriminação. Creio que a lei contra a discriminação é justa e necessária quando o pecado do racismo se manifesta em meio à depravação total do ser humano. No entanto, a lei extrapola, em função de pressões de grupos chamados minoritários, o que é natural e criado, acrescentando "orientação sexual e identidade de gênero. Segundo as Escrituras, e todo o bom senso, só existem dois gêneros: macho e fêmea, "assim Deus o fez". Mas agora, por força de lei, serão aumentados! Além de "macho e fêmea", serão incluídos os cidadãos que se denominam GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais), liderados pela Cidadania GLBT, do Partido dos Trabalhadores. Atualmente a lei diz:
"Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor."

E passaria a ser:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”

Mais adiante fica claro que a minha palavra neste post passaria a ser considerada discriminatória. Os cidadãos perderiam o direito da livre expressão de opinião e manifestação de conceitos emanados da Escritura, como cremos. Pessoalmente, não mais poderei pregar o que creio no púlpito da minha igreja ou declarar o que penso neste blog. Esta situação se estende e toma proporções enormes em vários outros artigos do PL.

O artigo 4º da Lei nº 7.716 diz:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.
e passaria a ser:

“Art. 4º-A Praticar o empregador ou seu preposto atos de dispensa direta ou indireta: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

Pensemos neste caso na perspectiva eclesiástica: um funcionário, devidamente registrado, trabalhando como zelador ou secretária em uma igreja, revela-se um transexual. Segundo a lei, praticar a dispensa, ou, ainda, recusar-se a empregar tal pessoa, implica em ato de discriminação (prepare-se para 2 a 5 anos). Onde fica o direito reservado de manter padrões morais nos quais cremos e que vão além da nossa esfera íntima e adentram na esfera pública? O mesmo se aplica a uma escola confessional ou à babá de seus filhos.

Os artigos 5º, 6º e 7º também trazem implicações à manutenção de valores morais em espaços privados abertos ao público. O artigo 5º diz que é crime:

“Art. 5º Impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público:

Some-se a este artigo o 8º:


“Art. 8ºA — Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no art. 1º desta Lei. Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”
“Art. 8º-B - Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

De forma prática, observe o que o Projeto de Lei (PL) propõe: você está tomando uma refeição com sua família em um estabelecimento privado de acesso público (um restaurante) e um "casal" GBLT assenta-se na mesa à frente e começa a 'manifestar afetividade' que seja permitida aos demais cidadãos. Nem o proprietário, você, ou a autoridade policial, poderia se manifestar contra. Isto até poderia acontecer com um casal heterossexual, afinal, não há lei que proíba. O proprietário do lugar poderia pedir recato ao casal heterossexual e até mesmo pedir que se retirassem do estabelecimento. Mas o "casal" BGLT estaria protegido por lei! Na prática, isto aconteceu há alguns anos em shopping de São Paulo. Um "casal" homossexual foi abordado por um segurança a respeito de sua 'manifestação de afetividade' pública. Em resposta, a comunidade homossexual promoveu um 'beijaço', fazendo com que o shopping, inclusive, ficasse conhecido com outro nome.

Mas não fica por ai a mordaça pretendida. Observe os seguinte artigos propostos para a redação da Lei nº 7.716:


“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero: ..............................................
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”(NR)

Imagine um pregador relatando o que a Escritura fala sobre o homossexualismo e suas conseqüências... cai na prática de "incitar a discriminação de... orientação sexual e identidade de gênero. "

Por último, nesta lei, veja quem pode denunciar, além daquele que sentir-se diretamente ofendido:

“Art. 20-A. A prática dos atos discriminatórios a que se refere esta Lei será apurada em processo administrativo e penal, que terá início mediante:
I – reclamação do ofendido ou ofendida;
II – ato ou ofício de autoridade competente;
III – comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.”
Sem comentários!

A segunda lei alterada pelo PL, no Código Penal, sobre o crime de Injuria, diz o seguinte:

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.

No § 3º diz:
Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) / Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº9.459, de 1997).

A redação passa a ser:


§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero, ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.”(NR)

Reflita sobre a situação quanto à igreja: um casal heterossexual pede a afiliação como membros da igreja. Baseado na Escritura e assegurados pela constituição que garante a liberdade religiosa, é possível recusar o recebimento do casal. No entanto, no caso do "casal" GBLT, a lei poderia ser acionada como recurso para acusar a igreja, pastor ou conselho de injúria. Aliás, qualquer palavra 'desagradável' poderia terminar como processo de injúria. Não mais se poderia pregar contra a homossexualidade como um padrão de vida reprovável por Deus (2 a 5 anos!). [Aliás, sei de um colega pastor que está respondendo a processo por denúncia de uma ONG gay por ter postado um artigo bíblico sobre o homossexualismo no site de sua igreja - a liberdade de pensar e expressar-se foi para o saco!].

Eudes Oliveira, em artigo no Jornal Pequeno, afirma:

Apesar da dificuldade, conseguimos pescar alguns artigos que causam preocupação. O art. 4º diz que a dona de casa que dispensar uma babá, por exemplo, por causa de sua opção sexual, poderá ser penalizada com 2 a 5 anos de prisão. O Art. 5º pune com 3 a 5 anos de prisão ao reitor de seminário (naturalmente cristão) que se recusar a aceitar um aluno homossexual. ... O art. 8º criminaliza o sacerdote ou pastor que, em homilia, condenar o homossexualismo, seria, segundo a lei, ação constrangedora de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.

A terceira lei vem da famosa CLT, de 1943 (dos tempos de Getúlio), ainda vigente:

Art. 5º - A todo trabalho de igual valor corresponderá salário igual, sem distinção de sexo.

A proposta de redação é a seguinte:


“Art. 5º..............................
Parágrafo único. Fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a relação de emprego, ou sua manutenção, por motivo de sexo, orientação sexual e identidade de gênero, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipóteses de proteção ao menor previstas no inciso XXXIII do caput do art. 7º da Constituição Federal.”(NR)

Esta, obviamente, seria uma mudança essencial para garantir o acesso do "cidadão homossexual, bissexual ou transgênero" a qualquer posto de trabalho na indústria, comércio, serviços e educação, fazendo com que se torne quase impossível a sua demissão.

Em suma, este PL não está buscando direitos constitucionais iguais para os homossexuais, e sim, buscando direitos exclusivos que nenhum outro cidadão brasileiro tem. Esta se torna a 'minoria' super protegida, que abusa da palavra preconceito para ter mais direitos do que os outros.

Conforme o promotor de justiça Cláudio da Silva Leiria,

"Os homossexuais usam e abusam do termo 'preconceito', com que rotulam qualquer opinião que recrimine sua conduta sexual. No entanto, a simples expressão de condenação moral, filosófica ou religiosa ao homossexualismo não se constitui em discriminação, mas exercício da liberdade de consciência e opinião. Os gays não têm qualquer direito de exigir que sua conduta sexual seja mais digna de respeito e consideração que as crenças alheias a respeito da homossexualidade."

Um amigo me chamou a atenção para um artigo de Célio Borja (ex-presidente da câmara e ministro do STF), no Jornal do Brasil, dia 14/03/2007 e reproduzido no Jornal do Senado onde o autor expõe o cerne do problema sobre o PROJETO DE LEI nº 5003/ 2001 da Câmara dos Deputados. Aparentemente, por pressão dos movimentos pró BGLT o projeto original sofreu várias modificações que o fizeram inconstitucional. Ele diz:

Mas fixo-me no conflito da matéria, tal como emendada na Câmara, com os mais veneráveis princípios de todas as Constituições democráticas do nosso tempo: o que garante as liberdades de pensamento e de consciência e o que torna inviolável o direito de religião (Const., art. 5º, VI, VIII e IX). Atropelando essas franquias, o projeto nº 122/2006 (numeração do Senado) restabelece o delito de opinião que é uma das formas mais execráveis de opressão. O parágrafo 5º, do artigo 20, do projeto em tramitação no Senado, equipara a manifestação ou expressão de inconformidade ou reprovação da homofilia, "de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica" à "ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória". Portanto, o direito de não considerar natural, próprio e conveniente, ou de qualificar como moral, filosófica ou psicologicamente inaceitável o comportamento homossexual não seria mais tolerado. Os juízos morais, filosóficos ou psicológicos já não poderiam mais ser externados, embora a Constituição assegure a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV). Essa norma poderia impedir que os pais eduquem seus filhos de acordo com o que entendem ser o comportamento mais natural e socialmente próprio. Esse temor se justifica porque o substitutivo diz que "para os fins de interpretação e aplicação desta Lei, serão observados, sempre que mais benéficas em favor da luta antidiscriminatória, as diretrizes traçadas pelas Cortes Internacionais de Direitos Humanos, devidamente reconhecidas pelo Brasil". Ora, nenhuma lei pode incitar ou compelir pessoas a engajarem-se em qualquer tipo de luta, a não ser a guerra externa para a defesa do Brasil. Esse jargão é incompatível com o direito, cuja finalidade é a paz. E, depois, observe-se que as relações do direito interno e do internacional são reguladas pela Constituição (art. 5º, LXXVIII, §§ 1º, 2º, 3º), não cabendo ao legislador ordinário dispor diferentemente. Andaria bem o Senado se desse preferência ao projeto original. Garantiria, assim, a liberdade de pensamento e a de instruir, educar e formar os filhos e os discentes de acordo com sua consciência moral. E a de manifestar publicamente os juízos de valor inerentes aos credos religiosos.

Em que pé andam as coisas?

Segundo a Agência Senado a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, no dia da votação do projeto naquela casa (15 de março), requerimento de autoria do senador Flávio Arns (PT-PR) de criação de grupo de trabalho destinado para discutir o projeto sendo assim retirado da pauta de votações, a pedido da relatora Fátima Cleide (PT-RO). A razão alegada é a discussão mais profunda da matéria.

No dia 20 foi instalada esta comissão e os debates foram iniciados. O site da senadora Fátima Cleide relata:

Sob a coordenação da senadora Fátima Cleide, relatora da proposta na Comissão de Direitos Humanos, o ato de instalação do Grupo contou com a presença dos senadores Flávio Arns(PT-PR) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e de representantes do movimento gay no Brasil, dentre eles o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais,Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis... Além dos senadores citados, compõem o Grupo de Trabalho os senadores Demóstenes Torres, Siba Machado, Patrícia Saboya, Gilvan Borges, Paulo Paim e Marcelo Crivela.

Fica óbvio que o defensor dos direitos homossexuais será o presidente da ABGLT. Resta saber se os demais, incluindo Marcelo Crivela, serão defensores a altura do direto constitucional dos brasileiros.


Fica mais uma vez demonstrado que o homem, na busca de leis que libertam, se torna escravo do próprio pecado. Definitivamente, este não é um PL contra a homofobia, mas uma lei tirana a favor da homofilia.

O que fazer?

Não se cale. Milhares de cidadãos se expressaram escrevendo para os Senadores da República, a ponto de fazer com que o projeto, creio que por medo de que não fosse aprovado no Senado, voltasse a uma comissão de estudos. Ore, escreva e fale. O email dos Senadores encontra-se na página do Senado Federal.

O próximo post, do Solano, vai falar sobre esta mesma situação, de maneira mais abrangente e bem humorada.

PS1. Se a ministra disse "'Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco" não há quem possa impedir uma ONG BGLT de dizer: "'Não é discriminação quando um BGLT se insurge contra um hetero." Aliás, é isto que o PL ensina.

PS2. Para uma visão cristã a respeito do homossexualismo, indico o livro do Dr. Valdeci Santos, Homossexualidade, uma perspectiva cristã, editora Cultura Cristã.

Marcadores: Constituição, Direitos Civís, Homossexualismo

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

A Sociedade Refém da Visão Homossexual de Vida

Solano Portela - www.solanoportela.net

Nossa sociedade anda refém de vários segmentos dela própria. Obviamente, o mais recente e renitente é o dos controladores de vôos, que jogaram o país e o transporte aéreo em um caos. Sobre isso já nos pronunciamos anteriormente (Lidando com o Caos - que tal um pouco de história?) e ainda acho que o exemplo que apresentamos naquele post, tem muito a nos ensinar quanto à situação atual, principalmente perante a ausência de ação e de autoridade real dos nossos governantes.

No entanto, nosso assunto de hoje ainda é a imposição do ponto de vista dos homossexuais sobre o restante da sociedade, procurando torná-la mais refém ainda do que já está. Nos últimos anos os grupos organizados de homossexuais e representantes políticos que abraçaram as idéias da agenda homossexual têm procurado passar várias leis que apresentam o relacionamento homossexual como alternativa de vida, não somente aceitável, mas, por vezes, desejável e até superior. A sociedade vai sendo pressionada a aceitar o homossexualismo não como uma distorção da diferença entre os sexos, colocada por Deus nos seres humanos desde a criação, mas como apenas uma opção pessoal. Uma crítica à pregação homossexual, meramente do ponto de vista sociológico, é que nenhuma forma de relacionamento é mais destrutiva e suicida à sociedade do que esta – se praticada na escala que se pretende, levará simplesmente à extinção da raça humana por pura ausência e impossibilidade de procriação. O cristão, entretanto; aquele que aceita a Palavra de Deus como fonte de entendimento da vida e normativa às convicções éticas, não tem outra alternativa coerente a não ser a identificação da prática como pecado. Ela é assim apresentada em trechos tais como: Lv 18.22; Rm 1.22-27; Mt 19.4-6; 1 Co 6.9-10. A verdade é que a Bíblia sempre apresenta o homossexualismo como vergonha, abominação e perversão.

Não é possível fugir deste entendimento, se acreditarmos que a Bíblia é inspirada por Deus, palavra por palavra. Se começarmos a duvidar de alguns textos e excluir ou até condená-los, que base sobrará para argumentarmos qualquer outra doutrina que nos é preciosa—como o plano da redenção que igualmente permeia estas Escrituras—desde Gênesis a Apocalipse?

Nos dias de Sodoma e Gomorra (Gn 13.13; 19.1-25) – cidades identificadas pela grande depravação e impiedade, e que por isso foram destruídas por Deus, a promiscuidade sexual, inclusive entre pessoas do mesmo sexo (daí a origem do nome sodomia, para a prática homossexual) tornou-se lugar comum. Aparentemente toda a sociedade foi envolvida nessa forma de dissolução social e atacou visitantes formosos, como o registro bíblico indica. A leitura do texto mostra isso como uma coisa comum que envolvia muitos cidadãos. Acompanhem, entretanto, os últimos eventos em nossa sociedade e vejam que não estamos muito longe de dias semelhantes:

A presença intensa na mídia de homossexuais, que propagam seus estilos de vida já se faz presente há umas três décadas – inicialmente como “jurados” de programas de auditório e personalidades da “alta” sociedade; depois como entrevistadores; e sempre como entrevistados constantes.

A aceitabilidade social progrediu mais um passo, quando começaram a aparecer em anúncios (uma marca de automóveis, a FIAT, trouxe vários anúncios classificando de “antiquados” os que se espantavam com relacionamentos homossexuais retratados como se fosse algo extremamente normal); quando começaram a integrar a classe política; quando programas destinados a jovens, principalmente na MTV, começaram a retratar e apresentar relações homossexuais como modo alternativo de vida, envolvendo vidas até de adolescentes, em formação.

A forma de vida que era reconhecidamente vergonhosa, apreciada apenas pelos de mente desviada, passa a ser demonstrada explicitamente, sem qualquer pudor ou vergonha. As paradas de “orgulho gay”, macaqueando o que acontecia em Sydney, na Austrália e em San Francisco, nos Estados Unidos, passam a ser realizadas em várias capitais e em cidades importantes, como Juiz de Fora. Em São Paulo, a prefeita, na ocasião, veio a público dizer que um dia era pouco e que iria lutar para transformar o dia na semana ou no mês do “orgulho gay”, com múltiplos eventos e shows destinados a propagar o distorcido estilo de vida. Agora, como Ministra do Turismo do nosso Brasil, será que abandonou esses planos?

Com o seu e o meu dinheiro de impostos, independentemente do partido que se encontra no poder, testemunhamos já há mais de uma década, anúncios supostamente sexualmente “educativos”, mas que são promotores da promiscuidade desenfreada. Alguns explicitamente encorajam os relacionamentos homossexuais, todos evidenciando intenso mau-gosto e falta de bom senso (quem não se lembra do “Bráulio”?). Debaixo do mesmo guarda-chuva, distribuição gratuita e em profusão de “camisinha”. A alternativa da abstinência e sexo dentro do casamento nunca é pregada ou propagada – é considerada restritiva das liberdades, antiquada, ultrapassada.

Mais recentemente, leis foram passadas legitimando a adoção de crianças por casais de homossexuais – uma violência sem par aos direitos da criança (que deveriam estar sendo protegidos) que é sacrificada a um ambiente de promiscuidade ou inversão sexual, em prol dos supostos direitos homossexuais.

No ano de 2006 o Ministério da Educação financiou e promoveu diversos cursos para professores do ensino fundamental destinados a disseminar a aceitação da homossexualidade. Sob o pretexto de ser uma iniciativa contra o ódio e preconceito, o treinamento se destinava, na realidade, a impedir qualquer direcionamento ou encaminhamento correto à sexualidade da criança, fazendo com que se apresentasse a alunos do ensino fundamental a idéia de que “ser gay é ok”. Chegamos ao ponto de influenciar as criancinhas, sob o selo da aprovação estatal, a uma vida dissoluta e às distorções sexuais, desde à tenra idade.

Enquanto escrevemos este post, o Senado está prestes a votar um projeto lei que equaciona a rejeição do homossexualismo com racismo. Este projeto (5003/01), que já foi aprovado por voto de liderança na Câmara dos Deputados (sem discussão em plenário) concede, abertamente, a prática afetiva entre homossexuais, em locais públicos, sem qualquer possibilidade de restrição ou chamada de atenção, sob pena de prisão aos que objetarem ou procurarem impedir. Veja o post anterior do Mauro, sobre este assunto.

Verdadeiramente, a sociedade está se tornando refém de uma visão que age suicidamente contra ela própria, e que abertamente contraria os ideais para a raça humana delineados pelo Criador. Por legislação está sendo criada uma classe privilegiada, não censurável, não disciplinável e de pessoas não demissíveis.

Uma história conhecida fala de um observador dessas tendência da nossa sociedade que disse: “vou embora daqui”. Ao ser perguntado o por quê, disse, referindo-se a esse estilo de vida: “há trinta anos era condenável; há vinte, virou aceitável; há dez, foi legitimado; há cinco, virou desejável e superior; antes que se torne obrigatório, vou para outro país”. Só que isso não resolve. Precisamos orar pelo nosso país, e pelos que estão ao nosso redor, pois não diferem muito em sua dissolução social e moral.

É necessário frisar que não somos “homofóbicos”. O homossexualismo é apenas uma das coisas condenadas por Deus. Mas o que a sociedade precisará perceber, daqui em diante, é que a mesma fé que agora nos dá coragem de descordar do status quo, continua sendo a fé proveniente do seu amor ao Deus da Bíblia. Um amor desprendido que tem levado cristãos a se sacrificar pelos doentes, órfãos, presos, abandonados (e agora aidéticos) em ministérios ao redor do mundo, através dos séculos.

Que Deus seja servido convencer aos nossos legisladores que não ajam contra a própria sociedade e que, pela sua graça, proteja a nossa família e nossas igrejas.

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

MENSAGEM PRESBITERIANA SOBRE ABORTO E HOMOFOBIA

Prof. Dr. Rev. Mauro Meister

NOTE: este post é informativo e não pretendemos discuti-lo. Se quiser entrar no debate da questão vá aos posts anteriores que discutem sobre o assunto:
A Sociedade Refém da Visão Homossexual de Vida / A lei da homofilia, para leigos...

Mensagem do Rev. Roberto Brasileiro sobre aborto e homofobia.
Na qualidade de Presidente do Supremo Concílio da IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, diante do momento atual em que as forças organizadas da sociedade manifestam sua preocupação com a possibilidade da aprovação de leis que venham labutar contra a santidade da vida e a cercear a liberdade constitucional de expressão das igrejas brasileiras de todas as orientações, venho a público MANIFESTAR quanto à prática do aborto e a criminalização da homofobia.

I – Quanto à prática do ABORTO, a Igreja Presbiteriana do Brasil reconhece que muitos problemas são causados anualmente pela prática clandestina de abortos, trazendo a morte de muitas mulheres jovens e adultas. Todavia, entende que a legalização do aborto não solucionará o problema, pois o mesmo é causado basicamente pela falta de educação adequada na área sexual, a exploração do turismo sexual, a falta de controle da natalidade, a banalização da vida, a decadência dos valores morais e a desvalorização do casamento e da família.

Visto que:
(1) Deus é o Criador de todas as coisas e que, como tal, somente Ele tem direito sobre as nossas vidas;
(2) ao ser formado o ovo (novo ser), este já está com todos os caracteres de um ser humano, e que existem diferenças marcantes entre a mulher e o feto;
(3) os direitos da mulher não podem ser exercidos em detrimento dos direitos do novo ser;
(4) o nascituro tem direitos assegurados pela Lei Civil brasileira, e sua morte não irá corrigir os males já causados no estupro e nem solucionará a maternidade ilegítima.

Por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a legalização do aborto, com exceção do aborto terapêutico, quando não houver outro meio de salvar a vida da gestante.

II – Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.

Visto que:
(1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros;
(2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente;
(3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto;
(4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País;
(5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).

Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil, não pode abrir mão do seu legítimo direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.

Patrocínio, Abril de 2007 AD.
Rev. Roberto Brasileiro
Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil

Marcadores: aborto, homofobia, Homossexualismo, IPB

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Um Pé na Porta - Crise dos Evolucionistas

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes

É assim que cientistas darwinistas em todo mundo têm definido o Design Inteligente, movimento que recentemente vem causando nos Estados Unidos certa inquietação e reação nos círculos acadêmicos da biologia, química, física e astronomia.

É um pé na porta, dizem os darwinistas, porque a deixa entreaberta para outras definições de realidade entrarem, como o Criacionismo, por exemplo. As críticas ao darwinismo feitas pelo Design Inteligente funcionariam como uma cunha, abrindo caminho no mundo científico para o regresso das noções sobrenaturais de um ser inteligente que criou o mundo com propósito e inteligência – Deus, em outras palavras. É esse o terror dos darwinistas. Num ambiente dominado há 200 anos pelo naturalismo e o evolucionismo, a própria idéia do retorno de Deus à academia é o pior dos pesadelos.

Em 2005 a discussão ganhou ares políticos quando o Presidente George Bush deu grande publicidade ao Design Inteligente ao declarar que o mesmo deveria ser ensinado nas escolas públicas, para que as crianças fossem expostas a modelos alternativos ao evolucionismo. A declaração provocou uma discussão do assunto na mídia e na academia americanas e mesmo fora dela.

Esse ano, foi a vez do papa Bento XVI. Ele publicou um livro na Alemanha, Criação e Evolução, onde faz declarações sobre as origens da vida e do universo que ecoaram na mídia mundial. O livro é um apanhado de palestras que Ratzinger fez ano passado sobre o darwinismo, durante um retiro. Ele basicamente descarta a posição do Papa anterior, que era extremamente simpática ao darwinismo, e favorece o criacionismo teísta, afirmando que existe espaço para explanações que extrapolam o campo científico quando se trata da origem da vida e do Universo. Já no ano passado o Papa havia dito que o mundo era “um projeto inteligente”.


Essa semana ouvi de um amigo, cientista, brasileiro, que é adepto do movimento do Design Inteligente, que existe uma grande expectativa de que em breve um novo paradigma surgirá em substituição ao velho, cansado e desacreditado darwinismo no que tange à capacidade da seleção natural de guiar de forma não intencional o processo evolutivo dos seres vivos. Bom, será muito bem vindo. Especialmente agora quando o mundo se prepara para comemorar os duzentos anos de Darwin e a mídia colabora intensamente para manter a chama acesa.

O Design Inteligente defende basicamente que certas características do universo e das coisas vivas são mais bem explicadas por causas inteligentes empiricamente detectadas na natureza, em lugar de um processo não-intencional e não-dirigido, como a seleção natural. O Design Inteligente é assim uma discordância científica da reivindicação central da teoria evolutiva de que o desígnio aparente dos sistemas vivos é uma ilusão. Num sentido mais amplo, Design Inteligente é simplesmente a ciência da descoberta de intencionalidade em padrões complexos e organizados. Os teoristas do Design Inteligente acreditam que é possível testar e avaliar cientificamente se uma certa informação biológica é o produto de causas inteligentes, da mesma maneira como cientistas fazem testes diários para detecção de propósito em outras ciências.


Algumas reflexões sobre esse movimento polêmico que tem ganhado mais e mais aceitação de cientistas e dos cristãos.


1) A crítica de que o Design Inteligente é ciência ruim não procede, e nem aquela que diz que é também religião ruim. Não é ciência ruim porque está procurando dar respostas para o silêncio do darwinismo sobre complexidade irredutível e outros fenômenos que ainda não são explicados pela seleção natural. Além disso, seus proponentes são cientistas premiados e conhecidos, pessoas sérias, cujos argumentos nem sempre têm recebido refutação convincente. Também, o Design Inteligente não é religião ruim. Na verdade, não é nem religião, embora seja evidente que suas conclusões inevitavelmente terão um impacto religioso. Se existe inteligência por detrás do surgimento da vida, de onde ela procede? Não é à toa que cristãos conservadores receberam com entusiasmo o surgimento do Design Inteligente. Todavia, o movimento do Design Inteligente não me parece necessariamente um pé na porta para a entrada posterior do Criacionismo. Muitos teoristas do Design Inteligente acreditam no Big Bang e na macroevolução. Outros são agnósticos. E por outro lado, alguns criacionistas são extremamente críticos do Design Inteligente, como Henry Morris.


2) Dizem que o Design Inteligente é resultado da incompetência de seus proponentes, que desistiram cedo demais de achar explicações naturalísticas para o desenvolvimento dos complexos irredutíveis, como o motorzinho celular. “Dêem-nos mais tempo,” pedem os darwinistas, “e descobriremos como a seleção natural foi capaz de preparar independentemente as mais de 35 partes do motorzinho da célula e colocá-las juntas de maneira a funcionar perfeitamente”. Os darwinistas não podem culpar os teoristas do Design Inteligente de prática científica malsã simplesmente porque estão apresentando hipóteses e teorias alternativas ao modelo padrão, diante da falta de respostas dele.


3) O Design Inteligente, estritamente considerado como pesquisa científica, não conseguirá se manter neutro na questão religiosa. Muito embora seu foco e sua ponta-de-lança seja a pesquisa científica que detecta a presença de inteligência, o movimento enfrenta uma encarniçada guerra que é movida por diferentes visões de mundo. Eu sempre acreditei que o darwinismo tem todas as características de uma religião e demanda muita fé de seus adeptos. E querendo ou não, o Design Inteligente acaba tendo profundas implicações religiosas. É um conflito religioso, no final, em que duas cosmovisões religiosas se enfrentam. Cedo ou tarde o Design Inteligente terá de enfrentar a questão que tem zelosamente evitado até agora, que é a identidade do agente inteligente, responsável pelo design encontrado na natureza.


4) O Design Inteligente pode ser uma maneira eficiente de questionar o domínio darwinista na academia já por dois séculos. O evolucionismo tem se tornado uma teoria muito desgastada depois das descobertas de fraudes em seus principais ícones, na falta de evidências concretas para a macroevolução, na falta de respostas até agora para os complexos irredutíveis. Está mais que na hora de abrirmos as portas e as mentes para explorar outras alternativas. Tem muita gente capacitada academicamente ao lado do Design Inteligente. Não está sendo proposto por incompetentes, despreparados, fanáticos ou religiosos.


Não sei ao certo onde esse movimento vai parar. Seus principais proponentes são cientistas renomados e internacionalmente conhecidos, como William Dembski, Michael Behe e Phil Johnson, para citar os mais conhecidos. Todavia, a guerra contra o Design Inteligente é muito intensa e se trava na mídia e nos meios acadêmicos, e nem sempre os termos são os mais cordatos. A academia, que tanto preza o contraditório, tem fugido deste quando percebe o perigo de que sejam afetados os seus mais diletos dogmas.
Certa feita, um evolucionista disse que se os cientistas chegarem à conclusão de que existe inteligência por detrás da origem da vida, serão como alpinistas que chegam ao topo da montanha e lá encontram os teólogos acampados, esperando por eles há séculos. Esse era o pior pesadelo dele.


Mas, para nós, não será surpresa alguma. Afinal, a mesma visão de mundo judaico-cristã que permitiu que Tomé examinasse empiricamente o corpo de Jesus após a ressurreição é a mesma visão de mundo que ensejou o surgimento da ciência (Rick Pearcey).

Marcadores: cosmovisão, criação, design inteligente, evolução, papa

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Heterofóbicos atacam novamente

Prof. Dr. Rev. Mauro Meister

Esta breve postagem é só uma continuidade de outras anteriores tratando da chamada lei contra a homofobia, o PLC 122/2006, que cria uma casta especial de cidadãos homossexuais, com direitos especiais, que ninguém mais tem, proibindo o direito da liberdade de expressão de quem quer que seja. A lei legaliza a heterofobia. Se quiser se inteirar sobre o assunto neste blog, leia:


A Sociedade Refém da Visão Homossexual de Vida

A lei da homofilia, para leigos...
Mensagem Presbiteriana Sobre Aborto e Homofobia
Já começou, e para mim fica evidente, o que esta lei vai provocar: bagunça e tumulto.


Está por todos os jornais e noticiários o que aconteceu em Campina Grande, na Paraíba. Uma associação evangélica local resolveu se manifestar contra o tal projeto e contra a prática homossexual, algo condenado pelas Escrituras judaico-cristãs (http://www.conscienciacrista.org.br/). Resultado: uma juíza local proibiu a manifestação através de outdoors e também uma manifestação pública pacífica onde o direito da liberdade de expressão foi cerceado. Os outdoors foram retirados e a manifestação só aconteceu porque a ordem expedida pela juíza não chegou a tempo. (veja nos links abaixo as reportagens da TV para ver os outdoors, porque em Campina Grande foram retirados, e a imagem no site, também):
http://www.youtube.com/watch?v=EzuehhPHuJM&mode=related&search=
http://www.youtube.com/watch?v=hcKLksg2xY0
http://video.globo.com/videos/player/noticias/0,,gim692002-7823-polemica+em+outdoors+de+campina+grande,00.html (é claro que as matérias, principalmente da Globo, têm uma certa inclinação, mas não precisa dizer prá que lado...).


A alegação contra a associação é que seus outdoors e a manifestação pública promovem a homofobia. É mentira, mais uma mentira dentro deste conjunto nefasto de associações que querem, com o apoio total do governo, nos colocar reféns desta visão de mundo (veja a postagem acima, do Solano). Concordo com Olavo Carvalho, esta lei vai promover a homofobia (JB Online, Porcaria de Lei)! Em uma das reportagens acima, o entrevistado, presidente da rede nacional Vivendo e Convivendo com HIV/ AIDS diz que o Ministério da Saúde lhes enviou correspondência instruindo que tomassem providências legais a respeito do caso! Outdoor virou motivo de manifestação do Ministério da Saúde que acusa a campanha por internet e os outdoors como desrespeito aos direitos humanos e que fere vários dispositivos constitucionais! O Ministério da Saúde coloca a sua acessória jurídica "totalmente a disposição" para que a associação efetive a orientação dada. Antigamente, quando havia crime, o ministério público era o encarregado. Onde vamos parar?


Para não ficar só no negativo, vejo um lado interessante: o episódio heterofóbico em Campina Grande servirá como um teste quando recursos surgirem nos tribunais superiores e um alerta maior à população mais esclarecida do país quanto à ditadura homossexual que se planeja impor por lei, mas que na prática já está funcionando. Já se ouve relatos de líderes religiosos sendo perseguidos assim como de políticos contra a lei que estão sendo pressionados por seus partidos para votarem a favor do projeto. Daqui a alguns dias, quando voltarem ao Tempora, pode ser que encontrem mensagens do tipo: "Post retirado do ar por ordem judicial"! "Blogueiros presos: favor voltar em três (3) anos".


Um colega, pastor, enviou a seguinte carta aos Procuradores do Estado da Paraíba,ilustrativa do tipo de ação que devemos tomar:


Exmos. Senhores Procuradores do Estado da Paraíba,

Tenho acompanhado pela mídia o caso dos out-doors em Campina Grande-PB e fiquei estarrecido e muito preocupado com a decisão judicial contra a exposição da mensagem dos referidos cartazes.

Pois trata-se tão somente da manifestação da convicção religiosa de cidadãos brasileiros da Paraíba, que simplesmente transcreveram um texto da Bíblia, sem nenhum traço de violência ou de incitação à mesma.

Porque será que um grupo pode manifestar livremente as suas opiniões e convicções e outros não? Será que temos em nosso país, brasileiros que sejam mais brasileiros do que os demais? Será que temos uma casta de brasileiros da qual ninguém pode discordar? É crime ter opinião e expressa-la?

Senhores isto é muito sério, pois tal decisão fere o sagrado direito à liberdade de consciência e de expressão;

POR ISSO SOLICITO A INTERVENÇÃO DOS SENHORES NESTA SITUAÇÃO FAZENDO VALER OS DIREITOS CONSTITUCIONAIS DAQUELES QUE, RESPEITOSAMENTE, SE MANIFESTARAM CONTRA A PRÁTICA HOMOSSEXUAL.


Rev. Paulo Fontes
Igreja Presbiteriana Ebenézer, SP


Pensamentos posteriores:


1. Foi anunciado em alta voz o assassinato de um homossexual francês depois da parada gay. Dizem que foi homofobia. Pois bem, um garçom, brasileiro mesmo, foi assassinado na mesma região. Será que agora vão incluir na lei os garçons?

2. As emissoras de televisão e governo não chegam a um acordo quanto à questão do grupo que deve fazer a classificação da programação nas emissoras. O governo quer colocar seus representantes e as emissoras insistem em fazer auto-gestão. O temor das emissoras é a 'censura'. Não vi nenhum dos artistas ativistas falando contra a censura aos outdoors e site da VINAAC.

Marcadores: Direitos Civís, homofobia, Homossexualismo

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

O Relativismo Multicultural e o Infanticídio Indígena no Brasil

Solano Portela - www.solanoportela.net

No post anterior fiz referência à análise social de Os Guiness, onde ele apresenta os três caminhos que têm sido seguidos para resolver a convivência com as profundas diferenças da humanidade. Ali, detalhei o que seriam o Universalismo Progressivo, o Relativismo Multicultural e a Aliança Cívica Plural. Quero me deter no Relativismo Multicultural, pois esta visão está bem presente em nosso país e com resultados desastrosos, especialmente no tratamento de uma questão muito contemporânea: a do infanticídio indígena, que tem ceifado inúmeras vidas, perante o olhar impassível de antropólogos e autoridades. Estes têm considerado essa questão apenas como uma peculiaridade de uma cultura, que não pode ser contraditada.

Já apontamos como a suposta convivência harmônica de diferenças, no Relativismo Multicultural, se mantém com o sacrifício do reconhecimento de absolutos éticos. Indicamos como o grande perigo existente nesse caminho é o fechamento dos olhos ao mal explícito, rotulando ocorências condenáveis como legítimas, válidas e inquestionáveis, por serem expressões culturais.

Pois é exatamente isso que vem ocorrendo em nosso meio. O antropólogo e teólogo Ronaldo Lidório, entre outros, já chamou atenção para os assassinatos de crianças que ocorrem nas culturas indígenas, no artigo: Não Há Morte Sem Dor e em sua “Carta Aberta Sobre o Infanticídio Indígena”. Os questionamentos dessa prática, entretanto, e até a simples discussão da mesma, é vista com maus olhos não somente pelas autoridades cegas pelo relativismo multicultural, mas também pela maioria da mídia, que embasa suas pautas e reflexões com igual descaso pelo que seria certo e o que seria errado – obviamente por não aceitar a premissa de que existem, sim, valores universais absolutos.

A matéria da Revista VEJA de 15 de agosto de 2007 representa uma grande exceção nessa insensibilidade imoral, trazendo uma visão favorável à ação de missionários que têm se colocado contra a prática do infanticídio em comunidades indígenas do nosso país. O senso de certo e errado das pessoas (que, teologicamente, identificamos como “a lei de Deus impressa em seus corações” – Rom. 2.15), despertado por esta reflexão, gerou muitas cartas de apoio à reportagem que apontava a inatividade e incompetência da FUNAI para resolver essas situações.


Um dos poucos parlamentares que têm se alinhado contra esses assassinatos que ocorrem no nosso solo é o Deputado Henrique Afonso. Henrique Afonso, presbiteriano, do Acre, tem tomado posições firmes nesta e em outras questões relacionadas com a vida e com a família, com singular independência, seguindo sua consciência de cristão, muitas vezes contra a orientação do seu partido (PT). De sua autoria, está na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados um projeto de lei que, se aprovado, aumentará a pena de quem comete ou permite infanticídio em populações indígenas. O PL 1057/2007 criminaliza 12 práticas tradicionais reconhecidamente nocivas.
São muitas as vozes de apoio? Não! O Centro Feminista de Apoio e Assessoria – Lobby esquerdista e com posturas declaradamente contrárias à vida e à família, se opõe claramente a este projeto lei, chamando-o de “repressivo” em seu site: “Ele precisa ser discutido com as mulheres indígenas, que serão as principais atingidas pela nova legislação”, diz Myllena Calasans, assessora parlamentar do CFEMEA para a área de direitos humanos.


Pago com o seu e o meu imposto, temos uma Comunidade de Discussão do Poder Legislativo – Interlegis (Senado e Câmara). Nesse site somos brindados com a notícia de que “Antropólogos e representantes de povos indígenas defenderam, nesta quarta-feira, o direito de as tribos decidirem sobre infanticídio”. Os depoimentos ocoreram em uma audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias. A representante das mulheres indígenas no Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, Jacimar de Almeida Gouveia (da etnia Kambeba), disse que a decisão deveria ser somente das famílias. Ela criticou a atuação de organizações não-governamentais (ONGs) que retiram crianças deficientes das aldeias para levá-las para as cidades.

Vejam a explicação ela para o infanticídio: "Quando uma família decide eliminar um de seus membros, é feito um ritual, que tem um significado, e o assunto é encerrado. Ao contrário, quando uma criança é retirada da aldeia a dor não tem fim, pois eles ficam impedidos de saber qual foi o desfecho". Muito lógico, não? Permitam, consintam e defendam o infanticídio para que a família não fique supostamente desconfortável com um dor que é subjetiva e não aferível. Trocamos o fato concreto de uma criança sacrificada, pelo relativismo cultural intangível da proteção à cultura – muito civilizado!


Mas o que nos espanta, mesmo, é a notícia, no mesmo site (Interlegis) das palavras do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto Freitas Meira, e da representante do Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas (IDDI) Valéria Payê. Esses especialistas, de carteirinha, “defenderam o direito às diferenças culturais”. O presidente da Funai fica em cima do muro do relativismo ético e, agradando aos antropólogos, diz: “A análise requer cautela, pois o tema é delicado e complexo e não deve ser reduzido ao julgamento moral das práticas e tradições indígenas”, ao que Valéria Payê complementa que os indígenas não podem se submeter aos padrões morais e culturais dos brancos. “Eles têm direito a uma concepção própria de direitos humanos. Por que os povos indígenas deveriam aceitar a visão dos brancos sobre direitos humanos como a única correta?”

Do ponto de vista antropológico o Brasil é um dos países mais radicais na defesa do não intervencionismo e relativismo cultural. A influência relativista está alojada na ABA (Assoc. Bras. de Antropologia), na FUNAI e nas principais ONGs que lidam com a questão indígena. Em seus artigos, Lidório relata vários fatos de diversas culturas que demonstram não ser o infanticídio uma peculiaridade dos nossos índios. Diz ele que “o infanticídio... não é um fato isolado nem mesmo reside em um passado distante; é uma experiência atual”. Nem por isso pode passar em branco sem ser contestado; sem que a sociedade condene a prática e ofereça alternativas para as culturas que a pratica.


O missionário Edson Massamiti Suzuki afirma que “a prática do infanticídio é uma realidade até os dias de hoje, e que a cada ano dezenas de crianças são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. Mães amorosas são muitas vezes forçadas pela tradição cultural a trair seus instintos e desistir de suas crianças. Algumas preferem se suicidar a fazer isso. Outras têm que conviver com a dor e o remorso pelo resto da vida. Em alguns casos, as mães lutam pela vida de seus filhos enquanto podem, e são obrigadas a viverem excluídas da sociedade ou a se refugiar fora da sua comunidade”.

Poucos, entretanto, estão interessados nos direitos dessas mães, ou nos direitos das crianças, tudo por uma suposta proteção relativista do “direito” de proteção à cultura. Um dos que estão, na cidade de Tupã, estado de São Paulo, é o vereador Airton Peres Batisteti, que se posicionou contra o infanticídio indígena e tem propostas sobre a matéria. Ele disse o seguinte sobre essa questão: “mesmo sendo uma violação aos direitos humanos, o infanticídio acaba sendo protegido pelos órgãos oficiais, sob a política de não interferência cultural”.

O deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba, nos diz em outro site oficial, pago por nós (Rádio Câmara), que o importante nessa questão de infanticídio é o debate: “Ninguém é dono da verdade. É, nós achamos que é fundamental o respeito a vida mas também o respeito às diferenças... Nós queremos efetivamente que outros debates possam acontecer”.

E assim, assepticamente, como se vidas não estivessem envolvidas e sendo ceifadas, vamos debatendo. No caldeirão do relativismo multicultural, cabe tudo. Fechamos os olhos até a assassinatos, porque, acima de tudo, está o respeito às diferenças em um mundo do qual se aboliram os valores éticos universais e fundamentais.

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*
postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Globalização: Os Guinness e as grandes perguntas deste século

Pof. Dr. Rev. Mauro Meister

Como já apontado em outros textos do blog, o Dr. Os Guinness esteve no III Congresso Internacional de Ética e Religião, no Mackenzie. No dia 11 de setembro, dia bem marcado no calendário mundial por conta dos ataques terroristas ao World Trade Center a ao Pentágono, nos Estados Unidos, o Dr. Os Guinness falou sobre o tema da globalização. Gostei muito da abordagem feita e tomei algumas notas, que depois foram comparadas com outras anotações (especialmente da sra. Betty Portela) e que estão colocadas abaixo. Logo, o que você encontrará aqui é um esboço do que foi falado naquele dia, com alguns ‘enxertos’ explicativos aqui e acolá, em amarelo.

A título de introdução, Os Guinness apontou que “todo século traz suas grandes perguntas”, sendo que as grandes perguntas do século XXI são:

1. O islã vai se modernizar pacificamente?”
O islamismo é crescente e ainda que muitos afirmem que a religião islâmica seja de paz, o radicalismo islâmico tem demonstrado o contrário. Além disto, a cosmovisão islâmica, em geral, insiste em “permanecer no passado” e se recusa a passar pelo processo de modernização.

2. O que substituirá a ideologia marxista na China?
Ainda que o regime chinês seja de ideologia marxista, há muito que o estado e a população da China encontram-se em meio à prática do capitalismo e em busca do mercado de capitais. Não há mais lugar para esta ideologia e resta a grande dúvida sobre o que virá a substituir o marxismo. Há tendências religiosas no pais, inclusive um movimento crescente do cristianismo, assim como de muitas outras religiões.

3. A cultura ocidental recuperará as suas raízes judaico- cristãs?
O ocidente, como o conhecemos, formou-se no berço da cosmovisão judaico-cristã. Vemos, no entanto, que tanto a Europa quanto a América caminham na direção de uma visão de mundo ‘pós-cristã’. O pós-modernismo não deixa lugar para as ‘velhas certezas’ e ensinamentos do cristianismo bíblico e tende cada vez mais a afastar-se dele. Haverá um retorno?

Não há como saber o que vai acontecer. Estas perguntas, no entanto, são geradas dentro do contexto globalizado, que levanta grandes desafios para o cristianismo. O alvo da palestra é apontar quais são os principais desafios levantados pela globalização.

1. Impacto em nosso estilo de vida
As instituições estão se desfazendo, passando por um processo de fluidificação – até pouco tempo, mesmo que com problemas, certas instituições eram sólidas e serviam como base para o desenvolvimento da sociedade e cultura. Com a globalização e o pós-modernismo estas instituições têm perdido o seu lugar sem receber substitutos. Isto representa um grande impacto para o cristianismo.

Exemplo: a fluidificação da instituição do casamento. Em alguns países o número de casamentos desfeitos entre pessoas que se dizem cristãs é igual ou maior do que entre a população não cristã.



2. A globalização traz perigo para elites e não apenas para os pobres



Imagina-se que as populações pobres e sem acesso e educação acabam sendo as únicas afetadas pelo processo de globalização, no entanto, existem grandes perigos para a população elitizada.

Quais são estes perigos?

Quanto à capacidade de reflexão
Vivemos em um ritmo muito rápido, onde há muita informação e pouca sabedoria. Recebemos muito mais informação pelos meios de comunicação do que somos capazes de processar. Uma simples busca no Google gera mais hits do que poderemos ler em toda a nossa vida. Isso gera a facilidade de engano, informação falsa e incapacidade de avaliação de toda esta informação.
Poucos líderes no mundo moderno são capazes de pensar por si mesmos. Os líderes mundiais são guiados por uma rede de assessores, nem mesmo seus discursos públicos são escritos e pensados por eles mesmos! Livros são escritos por ‘ghost writers’.
A moralidade é vivida de acordo com a visibilidade. O mundo globalizado facilita o anonimato. As comunicações e a facilidade de locomoção facilitam vidas duplas.
“ O que fazemos quando ninguém está nos vendo?” / “O que não fazemos porque alguém está nos vendo?”
3. Os pontos cegos da globalização

A globalização significa/implica grandes deslocamentos
A Revolução Industrial modificou a face do mundo com os grandes deslocamentos humanos – a urbanização do mundo ocidental nos mostrou isto claramente – a globalização acelera estes movimentos, o homem encontra-se constantemente diante de novas realidades geradas por estes grandes deslocamentos, verdadeiras massas humanas.
Novo termo—“quarto mundo”—os pobres, os excluídos, os deixados para trás, produzidos pelos grandes deslocamentos.
4. As contradições da própria globalização

No mundo globalizado, o capitalismo foi apresentado como a grande solução, acompanhado da democracia. Várias nações enveredaram por este caminho no pós-guerra. A história tem mostrado que muitos permaneceram no capitalismo, porém, abandonaram a democracia.
A globalização cria o “desperdício humano” – não só criando lixo e a necessidade desesperada de planos de ação para limpar a terra, mas verdadeiro desperdício de gente.
Refugo humano – gente que ninguém quer – o mundo desloca os indesejáveis em suas culturas.
Historicamente a Europa jogou fora o seu refugo nas colonizações (ex. Austrália—prisioneiros)
Hoje temos 25 milhões de pessoas em campos de refugiados. Pessoas sem estado, identidade ou trabalho. Vulnerável aos terroristas, traficantes e todo tipo de corrupção.
5. A tempestade perfeita do mal criada pela globalização

Vivemos a maior crise de direitos humanos de todos os tempos. Ela se dá pelo encontro de três fatores:

A expansão globalizada da liberdade de locomoção cria toda a oportunidade para coisas horríveis como o turismo sexual, trafego de seres humanos, trabalho escravo, pornografia, pedofilia, etc.
Lucro Expansão globalizada do lucro – a facilidade de venda e transferência de valores com possibilidade de anonimato. As diversas formas de crime tornam-se ainda mais fáceis.
Crime globalizado – máfia, drogas
Disfunção – famílias, indivíduos, culturas. Expansão da disfunção globalizada A busca de pertencer (false sense of belonging!)
Tudo isto coopera para que as mais diversas formas de crime cresçam por meio do ‘cidadão comum’.

Conclusão

Como a globalização faz as pessoas pensarem sobre sua fé e vida? Podemos distinguir três campos abrangentes que propõem suas reflexões:

A posição dos ateus e secularistas: continuamos a despeito de...
A posição das religiões orientais: deu tudo errado e a resposta não esta aqui, a solução encontra-se em outro lugar
A posição do pensamento judaico-cristã: onde erramos e como podemos dar um passo para trás para entrar no caminho certo?
As distorções da compreensão judaico-cristã sobre pontos fundamentais como o conceito de mordomia da criação que nos dá o direito de domínio e não de dominação. A grande pergunta é “Em que(m) estamos confiando para conferir significado e esperança no mundo em que vivemos?” De acordo com a fé judaico-cristã Deus é maior do que os problemas e desafios da própria globalização!

Marcadores: globalização, Os Guinness, pós-modernidade

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*
postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Weber, Calvino e o estigma do capitalismo

Há um tempo atrás, um pastor amigo meu abordou um colega dele que estava trabalhando em uma tese sobre Max Weber. Ele escreveu um e-mail em que dizia – “Poderia me ajudar dando-me umas observações resumidas sobre o livro de Max Weber em que ele ataca os Puritanos e a Calvino acusando-os de fundadores do capitalismo” [grifos meus]? Aquele pastor, disse ele, necessitava de subsídios, para dar respostas a alguns jovens que lançavam tão “grave acusação” contra os puritanos, tomando como base o trabalho do Weber.

Chamou-me a atenção a extensão da distorção de compreensão à qual nossas gerações têm sido submetidas. A visão socialista quase monolítica que tem imperado durante anos, leva inúmeras pessoas a considerarem como premissa básica – desnecessária de ser fundamentada – que o capitalismo é inerentemente mal; culminando com a noção de que a simples associação com o sistema equivale a uma “acusação”, pois quem quer ser partidário “do mal”?

Sobre Max Weber (Maximilian Carl Emil Weber, 1864-1920) muito tem sido escrito e não pretendo fazer uma análise de suas posições e teses. No entanto, o que quero pontuar é que Weber NÃO acusa. Ele simplesmente atribui a Calvino o desenvolvimento de uma sociedade próspera, capitalista, com mais oportunidade para o avanço individual do que as sociedades massificadoras socialistas, que destroem a individualidade humana. Os “paraísos” socialistas que foram implantados nesta terra, têm tido como resultado intrigante a socialização da pobreza. Ou seja, para Weber, capitalismo NÃO é palavrão.

Lógico que esta é uma visão de poucos, nos dias de hoje. A maioria, mesmo nos meios cristãos, sucumbiu à lavagem cerebral de que o ideário socialista é o que é encontrado e propagado na Palavra de Deus; [1] que os princípios divinos de justiça são melhor atendidos quando o governo NÃO é capitalista. Vários jargões e slogans são desenvolvidos para atacar o capitalismo, inclusive o termo "capitalismo selvagem", para identificar qualquer manifestação capitalista de governo como perniciosa. A queda do modelo comunista abalou um pouco essas convicções, mas não muito - a maioria ainda "compra" a temática socialista a grosso e a varejo - basta ver, em eleições passadas, o discurso quase uniforme dos candidatos à presidência - totalmente semelhantes na demagogia das massas.

A Bíblia, não prescreve uma forma de governo definida, mas traz alguns princípios, como o direito à propriedade; a dignidade da individualidade, como inerentemente procedente de Deus; a assistência aos mais fracos e mais desprotegidos - colocando a responsabilidade disso muito mais nos indivíduos do que no governo; o respeito às autoridades constituídas; o dever dessas autoridades de serem promotoras dos princípios de justiça e verdade emanados de Deus e outorgados por ele.

Calvino nada mais fez do que colocar tais princípios em prática e ensinar aos cidadãos regras e limites de respeito mútuo, sem esquecer o cuidado e a solidariedade com os semelhantes (veja o artigo de Augustus Nicodemus – O Ensino de Calvino Sobre a Responsabilidade Social Da Igreja, também disponível em livro, publicado pela PES). Enquanto isso, ele encorajava o progresso individual, desmistificava o lucro como motivação e criava condições para o desenvolvimento pessoal. Tais ensinamentos eram incompatíveis com a servidão de uns sob outros, ainda que regras de respeito hierárquicas eram observadas.

Weber pegou este gancho e o colocou como a mola mestra do capitalismo. Se temos ojeriza ao capitalismo, saímos com a impressão de que Calvino está sendo "atacado". Se reconhecemos validade em um sistema de governo que - imperfeitamente e sempre sob a influência do pecado, é lógico - promove o avanço individual em vez da servidão a um estado impessoal, não consideramos isso insulto, mas até um "insight" válido ao estudo do calvinismo.

Obviamente, Weber não é teólogo e nem tenho muita certeza da profundidade de sua fé cristã, apesar da afirmação de sua esposa (Marianne Weber) que ele “sempre preservou uma profunda reverência pelo Evangelho e pela religiosidade cristã genuína”[2]. Não se deve esperar dele total coerência ou precisão teológica. Temos um artigo importante sobre ele, escrito por Franklin Ferreira, na revista acadêmica Fides Reformata (v. 5, n. 2, p. 47-62, 2000), que até não lhe é tão favorável, assim. Mas acho pertinente esclarecer esses pontos, pois Weber, referindo-se aos puritanos como fundadores do capitalismo (seguindo Calvino), pretende elogiá-los. Realmente, eles entenderam que a Bíblia não era um tratado socialista e que a propriedade privada era legitimada por Deus (“não furtarás”...); enfatizando a ética e a recompensa do lucro ao trabalho, podem ser considerados como fundadores do capitalismo, mesmo; sem qualquer conotação pejorativa.

Solano Portela - www.solanoportela.net

[1] Leia também o post: "Socialismo na Bíblia? Mitos e verdades", clicando aqui.
[2] Max Weber as "Christian Sociologist", William H. Swatos, Jr., Peter Kivisto, Journal for the Scientific Study of Religion, Vol. 30, No. 4 (Dec., 1991), p. 347.

Marcadores: calvinismo, Calvino, capitalismo, governo, propriedade, puritanos, socialismo, weber

Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

Pluralidade e Verdade -- Reflexões sobre a Universidade Moderna

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie

A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração e uma das marcas da moderna Universidade.[1] A idéia de diversidade está presente na sua história desde o início, mas ganhou novas conotações depois do Iluminismo.

As universidades surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino.[2] Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.

Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Essa designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era procurar as verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”.

Quando as universidades surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, essa visão de mundo é excluída a priori em muitas universidades pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos, diferentes e contraditórios. Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento.

Conforme Allan Harman escreve:


As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada Do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.[3]

Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebeu corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado. Para ele,


... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem. Caso contrário, será sempre ineficiente e insuficiente para os cidadãos do futuro.[4]

É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência deveria ser vista como uma expressão da riqueza, do poder e da criatividade de Deus, em nada comprometendo nossa busca na academia por verdades absolutas e universais.

As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.

A pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando a pluralidade é entendida como relativismo absoluto, surgem diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos.

Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência.[5] Não negamos a grande contribuição que ele e outros autores trouxeram à compreensão da complexidade. Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.

Apesar de muitos preferirem ser “uma metamorfose ambulante”, como o Raul Seixas, dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.

Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito.[6] É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”[7]

Algumas universidades de orientação confessional cristã têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.

Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":[8]

A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela.
A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro para todas as pessoas, em todos os lugares.
A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.
As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.
A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.

Reconhecemos a existência da diversidade, variedade, multiplicidade de idéias, conceitos, costumes, e que elas resultam dos diferentes ambientes vivenciais, experiências e culturas dos indivíduos. Todavia, questionamos a idéia de que pluralidade implica na total relativização da verdade, na dissolução do conceito de que existem idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.

Creio que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana. A pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.

NOTAS

[1] O pluralismo de idéias é um dos princípios de ministração do ensino na Universidade, de acordo com o Art. 206, inciso III da Constituição Federal.
[2] Stephen C. Ferruolo, The Origins of the University: the Schools of Paris and Their Critics, 1100-1215 (Stanford University Press, 1985), pp.7-8.
[3] Allan Harman, “Vision and Reality: The Challenges Facing Christian Higher Education Today,” palestra inaugural na Universidade Presbiteriana da Coréia em 1998, pp. 24-25.
[4] Entrevista dada em dezembro de 2003, acessada em novembro de 2007 em http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/168_dez03/html/falamestre.
[5] A complexidade em Morin significa que nada existe isoladamente, mas que tudo está conectado, e que as coisas existem em relação a outras. Envolve o paradoxo do uno e da multiplicidade ao mesmo tempo. Cf. Introducción Al Pensamiento Complejo (Barcelona: Gedisa, 1994), p. 23.
[6] Robert Paulo Wolff, O Ideal de Universidade (São Paulo: UNESP, 1993), pp. 101-108.
[7] Lei de Diretrizes e Bases, Art. 20, inciso III.
[8] Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu (Vida Acadêmica: São Paulo, 2004) p.38.



Marcadores: ciência, confissão, cosmovisão, pós-modernidade, relativismo, verdade


Fonte e Leia Mais...

postado pelo Prof. Luis Cavalcante

*

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Apresentação Educação Transformacional

video